Publicado em: 13/03/2015 às 14h21

O fim da batalha em Ribeirão Preto

Dabi Atlante e Gnatus anunciam fusão com foco em exportações e surpreendem mercado. Faturamento pode chegar a R$ 300 milhões em 2015.

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Por quase quatro décadas, Dabi Atlante e Gnatus rivalizaram na disputa pelo mercado brasileiro de equipamentos odontológicos. A cidade de Ribeirão Preto (SP), onde as duas empresas estão instaladas, vivia virtualmente dividida ao meio, com a batalha comercial travada entre as duas empresas.

No começo do ano, um anúncio selou a paz em Ribeirão Preto. As duas concorrentes históricas anunciaram que estavam iniciando um processo de fusão, pegando de surpresa muita gente que não acompanhava a movimentação de bastidores entre os executivos das famílias Biagi e Nomelini.

Segundo as duas empresas, o foco da operação é ganhar musculatura para entrar de vez na briga de cachorros grandes que existe no mercado externo, atuando não só na área odontológica, mas também em outros segmentos da saúde. Sabe-se também que a fusão deixaria a nova empresa em uma posição menos vulnerável diante das eventuais tentativas de aquisição por grupos estrangeiros.

Executivos vistoriam instalações na inauguração da nova linha de produção.

 

Somadas, as operações de Dabi e Gnatus devem totalizar o faturamento de R$ 300 milhões em 2015, com 1.100 colaboradores e exportações para cerca de 150 países. As empresas aguardam aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para dar sequência no processo. Uma vez confirmada a fusão pelo órgão regulador, a Dabi/Gnatus passará a ser gerenciada por um conselho administrativo formado por membros das duas famílias proprietárias da empresa.

O impacto da união na linha de produtos traz como principal complementação as áreas de diagnóstico por imagem e implantes, e prevê que as marcas de ambas permaneçam inalteradas e atuando separadamente, pelo menos por enquanto. Segundo as empresas, a atual concorrência em algumas linhas de equipamentos odontológicos será mantida em vigor, até para a manutenção de um mercado competitivo e ativo. Elas enfatizam que a união não afetará as condições comerciais de cada companhia.

“Apesar da concorrência acirrada, sempre houve uma admiração mútua entre a Dabi e a Gnatus. Com a entrada de novos players no mercado e o assédio internacional às companhias, sentimos a necessidade conjunta de potencializar nossas atuações no segmento da saúde através de uma fusão”, analisa Pedro Biagi Neto, presidente da Dabi.

“A fusão surge a partir de um processo maduro para garantir a consolidação das duas companhias e capacitá-las para entrarem em outros segmentos e mercados. A inovação faz parte do DNA das duas empresas, que continuarão oferecendo novos produtos e serviços ao mercado”, afi rma Gilberto Nomelini, presidente da Gnatus.

Segundo a Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), o crescimento médio do setor da saúde no Brasil ocorreu na ordem de 12% nos últimos anos. O mercado prevê um incremento médio anual de 8% no próximo ciclo, mas a estimativa da Dabi e da Gnatus é obter um aumento anual em suas vendas acima dos dois dígitos percentuais.

Nova área de produção
Semanas antes de anunciar a fusão com a Gnatus, a Dabi Atlante promoveu um evento para inaugurar uma nova área de produção com metros quadrados, quatro vezes maior do que o local anterior. As novas instalações, que fi cam na planta da própria empresa, terão capacidade para triplicar a produção de raios X panorâmicos e tomógrafos da linha Eagle, com seis unidades por dia.

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