Publicado em: 14/05/2015 às 14h22

Da teoria à prática

Na comemoração pelos 50 anos da descoberta da Osseointegração, o IN 2015 terá como tema “Less is more” (menos é mais). A expressão, consagrada na Odontologia pelo Prof. Brånemark, está entre as suas filosofias de conduta mais inspiradoras. Mas, o que significa tal expressão quando levada para a prática odontológica? Fizemos essa pergunta a alguns dos ministradores do IN 2015. Veja o que eles pensam a esse respeito.

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O professor Thomas Taylor, chefe do Departamento de Ciências Reconstrutivas e da Divisão de Prótese e Dentística Cirúrgica da Universidade de Connecticut (EUA), identifica na filosofia do “menos é mais” um alerta para a importância dos procedimentos menos invasivos. “Gosto muito desse slogan. O uso de implantes menores e menos frequentes faz com que as cirurgias sejam menos invasivas, reduzindo a necessidade de aumento ou enxertia óssea”, explica ele.

 


Da mesma forma, Julio Cesar Joly, coordenador científico do Instituto ImplantePerio, acredita que o lema está alinhado com outras ciências médicas, sempre partindo do conceito de procedimentos menos invasivos para obtenção de resultados mais estéticos. “Vivemos o momento da Odontologia minimamente invasiva”, resume o professor. E Joly vai além: “Essa é a base de nosso trabalho hoje, e tem sido a tendência global nos últimos anos”.
 

 

Já Marco Bianchini, coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC, interpreta o lema considerando que o sentido oposto foi uma péssima ideia no Brasil, pois são buscados nos consultórios mais e mais pacientes, sendo que deveriam ser menos pacientes com maior qualidade no atendimento. Porém, “com o sucateamento da profissão no País, em função da situação econômica e dos planos de saúde, muitos cirurgiões-dentistas tentam aumentar seus ganhos aumentando o volume de atendimentos”. O resultado é que aí se colocariam implantes mais baratos, sem embasamento por estudos longitudinais, o que pode ocasionar perda de implante e peri-implantite. É preciso, segundo Bianchini, inverter a situação mesmo com o ”menos é mais”. Planejar com mais calma e buscar o que as companhias de implantes têm de melhor. Por exemplo, hoje há implantes curtos com propriedades de agregamento que não demandam muita estrutura óssea na fixação, mas é preciso dedicar mais tempo no planejamento e exame do caso. Assim, Bianchini recomenda que se diga não aos convênios, por pagarem pouco por tratamento, forçando o dentista a procurar implantes baratos no mercado. O profissional deve manter seu foco na qualidade do atendimento que é dispensado ao paciente, garantindo melhores resultados.
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