Publicado em: 25/11/2015 às 11h34

Convergência de conhecimento

As mesas-redondas debateram temas de alta relevância científica e contaram com grande interesse do público.

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A grande audiência resume o sucesso das oito mesas-redondas, que congregaram renomados mestres brasileiros e estrangeiros. No centro dos debates, temas atuais e de amplo interesse na Odontologia, dentre eles: peri-implantite, manejo de tecidos moles, resolução de complicações em próteses implantossuportadas, materiais para recobrimento e terapias ósseas regenerativas. Acompanhe os destaques de cada discussão.

• Para debater o tema “Materiais de recobrimento para próteses sobre implantes: qual o estado da arte?”, a mesa-redonda presidida por Marco Antonio Bottino contou com a participação de três profissionais com experiências clínicas e laboratoriais, que expuseram suas análises de maneira clara e sistemática. Leonardo Buso abordou os materiais cerâmicos utilizados nos pilares personalizados em Implantodontia e fez uma retrospectiva sobre eles. Fixando-se nos pilares de zircônia, Buso apresentou uma excelente casuística com resultados clínicos muito bons. Com ampla experiência em materiais cerâmicos e inúmeras publicações relacionadas ao assunto, Markus Blatz baseou sua apresentação na literatura e nos seus trabalhos de investigação, demonstrando absoluto conhecimento do tema e da área, e realizando uma importante retrospectiva teórica com exibição de casos clínicos sobre o uso de materiais cerâmicos para prótese implantossuportada. Com absoluto domínio clínico e laboratorial, Dario Adolfi apresentou-se embasado na literatura e em seus trabalhos clínicos impecáveis, com a utilização dos sistemas CAD/CAM. De maneira muito clara e com bastante desenvoltura, ele contribuiu grandemente para a mesa-redonda pela sua experiência laboratorial e clínica, e elucidou vários aspectos sobre este novo e importante tema.

 

Markus Blatz, Dario Adolfi , Marco Antonio Bottino e Leonardo Buso, que compuseram a mesa-redonda sobre materiais para recobrimentos.

 

• Com coordenação de Luiz Alves de Lima, a mesa-redonda “Cirurgias periodontais e implantares: combinações visando melhores resultados estéticos” contou com apresentações ricas, e excelentes casos clínicos. Em linhas gerais, os palestrantes salientaram, com variações, as técnicas de regeneração óssea guiada e de enxerto conjuntivo. Enquanto Stefano Parma-Benfenati, de maneira bastante didática, mostrou diferentes combinações de técnicas cirúrgicas para tratar defeitos diversos, variando da extração à colocação imediata de implantes até a reconstrução horizontal e vertical de rebordo alveolar, William Becker, por sua vez, enfatizou as técnicas de cirurgia minimamente invasivas. No fechamento das apresentações, Julio Cesar Joly enalteceu a importância do trabalho multiprofissional para obter melhores resultados estéticos.

 
Luiz Alves de Lima comandou a mesa sobre estética perio-implantar, com as participações de William Becker, Stefano Parma-Benfenati e Julio Cesar Joly.

 

• A discussão a respeito das complicações sobre próteses implantossuportadas foi intermediada por Jamil A. Shibli. Primeiro a se apresentar, Luigi Galasso retratou os conceitos clássicos sobre o planejamento das restaurações, assim como os principais fatores envolvidos nesta etapa, justificando que prevenir é melhor do que remediar. Já Thomas Taylor expôs dados interessantes sobre os pilares cerâmicos e sobre as principais falhas nas zircônias, principalmente junto às conexões protéticas internas, como a morse e a hexagonal. Carlos Eduardo Francischone finalizou a sessão com dados sobre novos pilares e soluções para implantes já em desuso no mercado, mas ainda em função nos pacientes. Ao final, os três palestrantes chegaram ao consenso de que próteses metalocerâmicas e com estruturas de zircônia para reabilitações totais nos maxilares (próteses tipo protocolo) ainda necessitam de mais estudos e evidências antes de chegar à clinica diária.

 

Complicações em próteses sobre implantes foi o tema da mesa conduzida por Jamil A. Shibli, que contou com Luigi Galasso, Thomas Taylor e Carlos Eduardo Francischone.

 

• Presidida por Carlos Araujo, a mesa-redonda sobre “Tecidos moles peri-implantares e coroas provisórias: o que nós realmente sabemos?” reuniu grandes nomes da Periodontia. Sascha Jovanovic mostrou técnicas mais tradicionais para reconstrução tecidual, resgatando os enxertos de epitélio e conjuntivo por tunelização, em uma excelente conferência. André Saadoun apresentou os casos clínicos que fazem parte de seu último livro, com destaque para os resultados clínicos consistentes, técnicas clássicas e embasamento em posturas longitudinais. O ponto interessante foi a aula de José Carlos M. da Rosa, com a técnica do RDI. Os resultados apresentados mostraram um caminho seguro e uma técnica promissora. A discussão entre eles e a plateia foi proveitosa. Do ponto de vista periodontal e implantar, este assunto ainda tem um apelo carismático. Diversas técnicas podem ser usadas para se atingir os mesmos objetivos,já que a grande dúvida sobre o momento ideal da maturação do tecido mole ao redor do implante tem a influência também do biotipo periodontal, da capacidade de resposta do paciente e da finalização, do acabamento, do perfil de emergência e do tipo de material usado nas restaurações provisórias e definitivas.

 

Carlos Araujo, José Carlos Martins da Rosa, André Saadoun e Sascha Jovanovic discutiram tecidos moles peri-implantares e coroas provisórias.

 

• Na abordagem “Desenho da prótese sobre implante: quais os resultados clínicos?”, presidida por Wellington Bonachela, Mauro Fradeani analisou componentes estéticos do sorriso, composição dental e implantes em áreas anteriores. Ele também apresentou casos de reposições dentárias anteriores unitárias e comentou sobre as extrações e colocação imediata de implantes. Em seguida, Peter S. Wöhrle iniciou falando sobre as expectativas dos pacientes e relatando casos de previsibilidade de implantes anteriores com restaurações individuais feitas em CAD/CAM. Dessa forma, ele aproveitou para aprofundar o tópico de recursos tecnológicos e citou programas associados a tomografias, que auxiliam no diagnóstico e no plano de tratamento, e demonstrou workflow com imagens 3D baseadas em modelos de tomografias de pacientes. Wöhrle ainda enfatizou as próteses parafusadas como a melhor solução para dentes anteriores. Fechando a discussão, Laerte Balduino Schenkel discorreu sobre o fator de estabilização tecidual, abrangendo os cicatrizadores reduzidos e ressaltando que o volume gengival depende de manuseio de abutments. Ele demonstrou fraturas de dentes anteriores e colocação de carga imediata, além de discutir sobre as formas dos abutments para melhorar a estabilidade tecidual.

 

Laerte Schenkel, Mauro Fradeani e Peter S. Wöhrle abordaram o design das próteses sobre implantes, com a mediação de Wellington Bonachela.

 

Stefano Parma-Benfenati foi o primeiro a se apresentar na mesa-redonda “Dentes ou implantes nas próteses: prognósticos e resultados”, que teve como interlocutora Elken Gomes Rivaldo. Stefano versou sobre reabilitação protética sobre dentes e implantes, com destaque para a manutenção dentária, na qual discutiu a difícil decisão de condenar um dente. Ele também mostrou técnicas de regeneração óssea em dentes e implantes, além de tocar no assunto peri-implantite, e sua aula foi ilustrada com belos casos clínicos elaborados em parceria com o italiano Mauro Fradeani. Na sequência, Hom-Lay Wang discutiu o posicionamento na reabilitação protética na longevidade. Assim, toda a apresentação foi baseada em evidências científicas e casos clínicos. Para concluir, Antonio Vicente de Souza Pinto aprofundou-se na parte teórica para abordar os fatores de risco da reabilitação com implantes.

 
Reabilitações sobre dentes ou implantes: Hom-Lay Wang, Stefano Parma-Benfenati e Antonio Vicente de Souza Pinto exploraram o tema com a condução de Elken Gomes Rivaldo.

 

• No simpósio “Peri-implantite: epidemia ou ilusão?”, debateu-se a importância de estabelecer definições de parâmetros claros para a doença, que possibilitem a criação de protocolos de tratamento e comparação de resultados em estudos de coorte que avaliam a prevalência desta condição, tanto no nível de implantes quanto no nível de pacientes. Mostrou-se que o biofilme bacteriano é o principal fator etiológico da peri-implantite. As bactérias podem desencadear a produção de citocinas próinflamatórias, que ativam osteoclastos, causando perda óssea marginal. Mas, pode haver outros fatores associados, como tabagismo, doenças que causam imunossupressão e trauma oclusal. O tratamento cirúrgico apresenta resultados de curto prazo na literatura, e os de longo prazo ainda são imprevisíveis. À frente da mesa, Guaracilei Maciel Vidigal Jr. conduziu a discussão iniciada Björn Klinge, que explicou que a prevalência da peri-implantite pode variar se a avaliação for realizada em nível do paciente ou em nível dos implantes. Luigi Canullo classificou em subgrupos as causas da doença, dentre eles: placas bacterianas, falhas cirúrgicas, biomecânica e inadaptação à prótese. Já Marco Aurélio Bianchini apresentou um estudo avaliando as taxas de sucesso e sobrevivência de implantes, além de fatores de risco que podem desencadear a peri-implantite.

 

O debate sobre peri-implantite envolveu os palestrantes (da esquerda para a direita) Björn Klinge, Luigi Canullo, Marco Aurélio Bianchini e Guaracilei Maciel Vidigal Jr.

 

• A mesa-redonda que tratou de terapias ósseas regenerativas foi intermediada por Sergio Rocha Bernardes. Inicialmente, Pascal Valentini apresentou técnicas para diagnóstico anatômico de potenciais áreas de risco em casos de levantamento de seio maxilares e, ao final, exibiu um corte histológico de um enxerto xenógeno realizado há 20 anos, no qual o sítio enxertado quase não apresentava resquícios do biomaterial, mostrando que o levantamento de seio apenas com biomaterial pode oferecer excelente prognóstico. Depois, Isabella Rocchietta revelou toda a sua experiência em regeneração óssea guiada para ganho vertical e horizontal, com o uso de membranas de politetrafluoretileno expandido (e-PTFE) não reabsorvível, reforçadas com titânio e osso xenógeno particulado, fixados em locais de defeitos. Por fim, André Antonio Pelegrine demonstrou os resultados de suas pesquisas e de seu grupo de investigação através da aplicação de técnicas de engenharia celular e genética para grandes reconstruções ósseas, especialmente maxilares, em casos de bases ósseas atróficas. Os resultados mostraram-se altamente promissores e, assim, as terapias celulares específicas através de centrifugação e filtragem de células mesenquimais indiferenciadas, removidas do próprio indivíduo, parecem ser uma importante ferramenta para as futuras reconstruções ósseas de maxilares atróficos.

 
À esquerda, Sergio Rocha Bernardes, presidente da mesa-redonda que reuniu, na sequência, André Antonio Pelegrine, Pascal Valentini e Isabella Rocchietta.

 

Agradecimento especial aos presidentes das mesas-redondas, pela colaboração na produção deste texto: Marco Antonio Bottino, Luiz Alves de Lima, Jamil A. Shibli, Carlos Araujo, Wellington Bonachela, Elken Gomes Rivaldo, Guaracilei M. Vidigal Jr. e Sergio Rocha Bernardes.

 

 

 

 

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