Publicado em: 20/05/2019 às 13h40

Fabio Hiroshi Fujiy: três em um

É equilibrando a carreira na clínica, no laboratório e na sala de aula que o TPD conecta conhecimento e prática eficiente. E ainda sobra tempo para viajar e fazer o bem a quem mais precisa.

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Fabio Hiroshi Fujiy nunca deixou de investir em conhecimento dentro e fora do Brasil (Imagens: divulgação)

 

Por Andressa Trindade


A trajetória de Fabio Hiroshi Fujiy na Prótese Dentária começou por incentivo de seu pai, Shigeyuke Fujiy, que era gerente na empresa alemã Degussa e tinha bons conhecimentos sobre essa profissão, além de contato com muitos protéticos. Apesar do “empurrão” paterno, desde o começo Fabio Fujiy tomou gosto pelo ofício e percebeu que possuía certa facilidade, tanto no aprendizado quanto na prática, o que o fez apreciar ainda mais o curso iniciado em 1985 na Escola de Prótese Dentária Vianna, localizada em Ribeirão Preto, cidade do interior paulista onde moravam.

Como no ano seguinte a família se mudou para Campinas, onde vive até hoje, Fabio Fujiy transferiu seu curso para a Escola Integração e conseguiu estágio no laboratório da clínica do Prof. Dr. Hiroumi Takito. “Em pouco tempo, eu já executava diversos tipos de trabalhos de prótese”, conta.

Depois que se formou, em 1988, sua busca por conhecimento se intensificou e ele trabalhou em diversos laboratórios. Porém, em 1992, percebeu que era o momento para se dedicar ao próprio negócio. A motivação maior foi a possibilidade de estar à frente de seus próprios trabalhos como técnico e realizar-se profissionalmente de maneira mais autoral. “Eu já fazia trabalhos em cerâmica, principalmente com foco estético. No início, montei o laboratório dentro do meu próprio quarto. Depois fui para a garagem da casa dos meus avós e, posteriormente, para uma casa alugada, onde permaneci por muitos anos. Logo no começo, me recordo que vendi uma moto para comprar o forno e os potes de porcelana”, relembra.

O envolvimento com a Prótese Dentária tornou-se tão forte que o TPD avançou mais uma etapa: ingressou na Faculdade de Odontologia da Universidade Paulista (Unip/Campinas), na qual se formou em 2002. “Não posso dizer que foi fácil, pois a faculdade era em período integral e durou quatro anos. Durante esse tempo, eu trabalhava durante a noite exclusivamente para pagar o curso”, comenta.

Além disso, ao longo de toda carreira, Fabio nunca deixou de investir em conhecimento dentro e fora do Brasil, participando de eventos internacionais importantes, como o Dental Progress Ivoclar Vivadent (Lichtenstein); o Latin American Dental Leader Meeting 3M Espe, em Munique (Alemanha); e o International Quintessence Symposium, em Los Angeles (Estados Unidos). Também foi premiado, em primeiro lugar, na Galeria do Sorriso 2005 pela SBOE e no Estética 2004 APCD, com o prêmio Prof. Dr. Wilson Garone Filho.

Em seu laboratório, Fabio atende apenas pacientes próprios.

 

Momento de descobertas

Desde o princípio até hoje, seu laboratório nunca foi grande. O que Fabio Fujiy sempre fez questão de ter como diferencial é a busca por trabalhos de qualidade, investindo em equipamentos e bons materiais. Agora, ele atua sozinho no laboratório, que está alocado dentro da própria clínica, que funciona há oito anos em uma casa na cidade de Campinas.

Com o passar do tempo, ele percebeu que a dupla jornada entre clínica e laboratório não era fácil. “Durante um bom período, diminuí bastante o ritmo da bancada e me dediquei mais à clínica, pois me apaixonei pelos atendimentos diretos ao paciente. Nessa fase, trabalhei com muitos TPDs renomados, como José Carlos Romanini, Marcos Celestino, Luiz Alves, Murilo Calgaro, Leonardo Bocabella, entre outros”, afirma. O ponto de virada, que o fez retomar a carreira protética, foi a aquisição do sistema CAD/CAM. “Isso foi o pontapé que me fez voltar à ativa e, desde então, tenho feito quase todos os meus casos”, explica.

Paralelamente à prática clínica e ao laboratório, Fujiy também se dedica à vida acadêmica. Foi professor assistente no KSH – Kina Scopin Hirata e professor no ImplantePerio. “Também ministrei inúmeras aulas em congressos pelo Brasil. Hoje, essa frequência diminuiu bastante porque há quatro anos decidi montar meu próprio curso junto com meu amigo Victor Clavijo. Esse projeto tem sido uma grande satisfação para nós, pois colocamos nele toda nossa experiência, desejos e o que acreditamos ser uma boa norma de ensino”, ressalta. Dessa forma, os cursos recebem alunos que são tanto técnicos quanto dentistas, o que proporciona compartilhar conhecimento e integrar visões laboratoriais e clínicas.

Depois de idas, vindas e ajustes, atualmente ele consegue conciliar as três carreiras em equilíbrio. “A fórmula que encontrei foi não ter tantos pacientes, para que eu consiga me dividir entre clínica, laboratório e aulas”, afirma. O perfil profissional de Fujiy é o que se pode chamar de low profile: sem marketing e sem placa na porta, atuando com indicações e boca a boca de clientes satisfeitos.


 

Fachada da clínica de Fabio Fujiy, em Campinas.

 

Presente e futuro

No começo, o material predominante na bancada era a cerâmica, e isso se mantém até hoje na prática do TPD. Hoje, Fujiy se dedica mais a reabilitações de casos estéticos e de prótese sobre implantes. “Busco diariamente entregar trabalhos corretos e bem feitos, aprender com meus erros e seguir uma curva crescente de melhora”, destaca. Por isso, uma das principais características do seu trabalho é o cuidado com a anatomia e a estética: “Sempre me dediquei a essa questão e tenho facilidade em observar a estética e forma”, reforça.

Ao falar sobre o futuro dos negócios, ele prefere ser mais conservador, levando em conta o período instável do Brasil. “Acredito que devemos manter nossos pés no chão, entender o momento do País e tomar nossas decisões com sabedoria, principalmente ao considerar grandes investimentos. No entanto, creio que teremos uma situação mais calma e equilibrada logo mais”, pondera.


Novo significado para a profissão

O ano de 2017 se tornou marcante em sua vida: Fabio Fujiy mudou de ares e foi além da clínica, do laboratório e da sala de aula. “Tive o imenso privilégio de partir para uma viagem humanitária para atender refugiadas da Síria nos campos da ONU (Organização das Nações Unidas), na divisa do país com o Líbano”, lembra. Ele se refere à experiência como a maior de toda a sua carreira, principalmente porque pôde usar a própria profissão para amenizar o sofrimento de pessoas que estão fugindo da guerra e tentando recomeçar a vida. “É algo que nos faz pensar de forma totalmente diferente sobre nossas motivações. Eu saí diferente de lá. Não com pena, mas com um sentimento de compaixão pelo mais pobre e sofrido. Recomendo a quem tiver o desejo de fazer o mesmo, pois com certeza voltará enxergando o mundo de forma diferente”, finaliza.

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