Publicado em: 01/11/2019 às 08h02

Como enfrentar um implante fraturado?

Marco Bianchini aponta a principal causa de fratura de implantes e indica a melhor resolução para esta situação.

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Fraturar um implante é uma intercorrência não muito frequente na nossa clínica diária. Entretanto, é possível que ela ocorra, e já não são poucos os relatos na literatura sobre a fratura de implantes. Usualmente, estamos mais acostumados com a ocorrência de fratura ou afrouxamento de componentes e pilares protéticos. O implante propriamente dito, que está intraósseo e devidamente osseointegrado, é mais difícil de fraturar. Quando isso ocorre, pode haver um grande transtorno, tanto para o profissional quanto para o paciente. Como, então, enfrentar e resolver esta situação da melhor maneira possível?

Nesses anos todos de Implantodontia – e aí já se vão 26 anos –, acredito que devo ter tratado aproximadamente sete casos de fraturas de implante em meu consultório, além de mais alguns nas clínicas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Os números em si já mostram a baixa incidência desta situação no nosso dia a dia. Na maioria esmagadora dos casos de fratura de implantes que eu tratei, o paciente era portador de alguma desordem temporomandibular, na sua maioria bruxismo. Isso nos leva a crer que, embora possamos ter outras causas para que um implante venha a fraturar, como falhas técnicas, acidentes e traumas, a parafunção oclusal parece ser a principal causa da fratura de implantes.  

Uma vez diagnosticada a causa da fratura de um implante, temos que partir para o tratamento desta intercorrência. Embora alguns clínicos insistam em tentar manter em boca alguns implantes fraturados através da confecção de verdadeiras “gambiarras” protéticas, a melhor solução para estes implantes é a sua remoção e a confecção de um novo implante em seu lugar.

A fim de melhorarmos um pouco a nossa discussão sobre este assunto, eu trago hoje para vocês o último caso que enfrentei de fratura de implantes, e que ainda está em tratamento. Abaixo uma série de figuras que ilustram o caso.
 

Figuras 1 e 2 – Corte panorâmico de tomografia volumétrica do cone-bean e radiografia periapical, demonstrando uma fratura coronal de um implante colocado na região do elemento 26. Observar que foi tentado realizar a colocação de um cicatrizador para impedir o fechamento gengival sobre o implante fraturado. Porém, o mesmo não pôde ser totalmente adaptado, devido à fratura da parte coronal do implante.

 

Figura 3 – Cortes transversais de tomografia volumétrica do cone -bean, demonstrando a espessura e altura óssea da região do implante fraturado.


Neste momento de decisão de tratamento do caso, podemos optar por alguns caminhos a fim de resolver a situação. A primeira decisão a ser tomada é se iremos colocar um novo implante de maneira imediata (no mesmo ato cirúrgico da remoção do implante fraturado) ou se iremos postergar esta colocação. O que rege esta decisão é a quantidade de tecido ósseo disponível para a recolocação imediata de um novo implante. As situações irão variar conforme esta disponibilidade óssea. Assim, poderemos realizar apenas um enxerto ósseo prévio e aguardar, ou podemos realizar este enxerto, se necessário, e colocar imediatamente o implante. As figuras 4 e 5 ilustram como foi solucionado o caso aqui descrito.

 

Figura 4 – Implante removido através de uma broca trefina e retriver (próprias para remoção de implante fraturados). Observar que é possível detectar uma boa porção óssea em contato com uma das paredes do implante. Observar, também, a fratura na parte coronária do implante. Figura 5 – Controle de seis meses após a colocação imediata
de um implante curto cone-morse short, da Implacil De Bortoli
– São Paulo – Brasil, na região do implante fraturado removido.
Observar a formação óssea ao redor do ápice do implante, onde foi
realizado um levantamento atraumático do seio maxilar para
possibilitar o adequado posicionamento intraósseo do implante 
cone-morse.Observar, também, que um cicatrizador já está
devidamente conectado ao implante.

 

O grande desafio de repor implantes em áreas que tivemos implantes fraturados é evitar que uma nova fratura ou perda precoce do implante venha a ocorrer, principalmente quando a causa foi o bruxismo ou outra parafunção oclusal. Tratar ou controlar o bruxismo ainda parece ser a melhor maneira de evitar a recorrência destes problemas com os nossos implantes. Entretanto, o bruxismo não é tão fácil de ser contido. Placas oclusais, ajustes e aplicação de botox, dentre outros, parecem contribuir para isso. Contudo, o controle emocional do paciente, associado a estas terapias oclusais, parece ainda ser a melhor saída. Mais uma vez, as doenças emocionais influenciam diretamente os reflexos e respostas do nosso corpo.

 

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo.” (2 Coríntios 1:3-5)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 

 

 

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