ImplantNewsPerio 2017 | V2N3 | Páginas: 425-32

Avaliação in vivo do torque de inserção do novo sistema de implantes Emfils

In vivo insertion torque assessment of the new dental implant system Emfi ls

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Autor(es):

Thiago Barros Campos1
Ana Paula Moro Quinteiro2
Ana Paula Farnezi Bassi3
Daniela Ponzoni3
Paulo Sérgio Perri de Carvalho4

1Mestre em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Campinas.
2Mestra em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Campinas; Professora do curso de especialização em Implantodontia – Escola Santa Rosa/Facsete.
3Professoras assistentes doutoras do Depto. de Cirurgia e Clínica Integrada – Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Unesp.
4Professor titular do Depto. de Cirurgia e Clínica Integrada – Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Unesp; Professor titular do Depto. de Estomatologia – FOB/USP; Coordenador do Programa de Mestrado Profi ssionalizante em Implantodontia – São Leopoldo Mandic, Campinas.

Resumo:

Objetivo: avaliar o torque de inserção de um novo desenho de implante. Material e métodos: pacientes foram recrutados para instalação de implantes, no período de março a dezembro de 2015. Dados como o diâmetro, o comprimento do implante, a sequência de fresagem, a área de instalação e o torque atingido foram considerados. A avaliação do torque foi realizada com um torquímetro cirúrgico. Resultados: foram avaliados 82 implantes, com diâmetros entre 3,5 mm e 5 mm, e comprimentos entre 7 mm e 16 mm, sendo instalados 46 implantes na mandíbula e 36 implantes na maxila. Os torques (média ± desvio-padrão) alcançados foram de 53 ± 9,9 Ncm para maxila e 57 ± 11,3 Ncm para mandíbula. Conclusão: o sistema de implantes Novo Colosso promoveu torque de inserção adequado, com boa estabilidade primária nos implantes.

Unitermos:

Implante dentário; Estabilidade primária; Osteotomia; Fresagem.

Abstract:

Objective: to evaluate the insertion torque of a new implant design. Material and methods: patients were recruited for implant placement from March to December 2015. Data such as diameter, implant length, drilling sequence, installation area, and torque reached were considered. Torque evaluation was performed with a surgical torque wrench. Results: 82 implants were evaluated, with diameters between 3.5 mm and 5.0 mm, and lengths between 7 mm and 16 mm, with 46 implants in the mandible and 36 implants in the maxilla. The torques (mean ± standard deviation) reached 53 ± 9.9 Ncm for maxilla and 57 ± 11.3 Ncm for mandible. Conclusion: the Novo Colosso implant system promotes adequate insertion torque with good primary implant stability.

Key words:

Dental implant; Primary stability; Osteotomy; Drilling.

Introdução

O protocolo cirúrgico inicial proposto1 consistia na instalação de implantes de titânio em leito ósseo edêntulo, seguida de um período de cicatrização antes que eles fossem submetidos à carga funcional. Para obtenção da osseointegração, deve-se respeitar o período de cicatrização óssea, que varia de três a seis meses, de acordo com o sítio no qual o implante será instalado. Devido à necessidade de dois procedimentos cirúrgicos em momentos distintos, esse processo passou a ser denominado “protocolo de dois estágios cirúrgicos”2.

Com o passar dos anos, diferentes desenhos de implantes surgiram no intuito de estabelecer uma geometria que favorecesse o processo de estabilidade primária, bem como a manutenção do tecido ósseo circundante ao longo de sua função. A geometria do implante tem sido relacionada como um fator importante durante o processo de estabilização primária, assim como é de grande importância no intuito de auxiliar, de forma favorável, a distribuição das tensões ao longo do tecido ósseo, o que favorece a longevidade dos implantes3.

A ausência de mobilidade de um implante durante o reparo do tecido ósseo lesado no transoperatório é fundamental para o início de um trabalho bem-sucedido. Micromovimentos durante a fase de reparação implicariam o desenvolvimento de tecido conjuntivo fibroso, o qual, ao ocupar a interface osso/implante, impede a osseointegração. Estudos prévios mostram que micromovimentos entre 30 µm e 90 µm podem provocar reparo ósseo, enquanto que deslocamentos acima de 150 µm podem levar à perda do implante. Estudos reforçam o conceito da direta relação da macrogeometria dos implantes, além das características biológicas locais, como qualidade e quantidade óssea com a estabilidade primária4.

A estabilidade primária dos implantes dentários influencia no índice de sucesso e na escolha do protocolo de tratamento. Entre os fatores que influenciam a estabilidade primária, destacam-se: qualidade/quantidade óssea, técnica cirúrgica, desenho e superfície do implante5.

Material e Métodos

Amostra

Este estudo transversal foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia/Unesp, campus Araçatuba – 008/15. O comitê de ética e pesquisa da São Leopoldo Mandic acatou o parecer do CEP – Faculdade de Odontologia/Unesp, campus Araçatuba, sob parecer consubstanciado no 864.775. Todos os pacientes assinaram o termo de consentimento desenvolvido pela Nec Odonto.

Os critérios de inclusão foram: saúde sistêmica classificada como ASA I ou ASA II; ter o planejamento cirúrgico realizado pela mesma equipe de profissionais; e implantes instalados em área onde havia qualidade e quantidade adequada.

Implantes

Foram realizados 82 implantes do tipo hexágono externo HE Novo Colosso (Emfils – Indústria e Comércio de Produtos Odontológicos LTDA., Itu/SP, Brasil), no curso de especialização em Implantodontia Nec Odonto, núcleo em Araçatuba, no período de março a dezembro de 2015, nas diferentes áreas da maxila e mandíbula (Figura 1). Os implantes foram instalados ao nível de crista óssea, sendo realizadas as fresagens de acordo com o protocolo indicado, e então avaliados os valores do torque de instalação dos implantes. As cirurgias foram realizadas pelos alunos e professores do curso de especialização em Implantodontia do NEC.

Os implantes Novo Colosso são confeccionados em titânio grau V, superfície tratada com óxido de alumínio e banho ácido, a macrogeometria tem afilamento na porção apical, perfil de rosca dupla e formato cilíndrico com roscas cônicas. O protocolo cirúrgico da empresa é dividido para osso tipo I ou II e osso tipo III ou IV (Figura 2).

Foram coletados os seguintes dados: diâmetro e comprimento do implante, técnica de fresagem utilizada, área de instalação do implante e torque atingido após a inserção completa do mesmo.

Procedimentos cirúrgicos

Todos os pacientes receberam medicação no pré-operatório (antibiótico profilático uma hora antes do procedimento), com manutenção de antibioticoterapia durante sete dias, e analgésico no pós-operatório. Todos os pacientes foram orientados a realizar bochechos com clorexidina a 0,12%, duas vezes ao dia, durante uma semana.

Para o procedimento cirúrgico, foi realizada anestesia terminal infiltrativa supraperiostal com anestésico local (mepivacaína a 2% com epinefrina 1:100.000). As incisões em envelope foram realizadas nos casos de desdentados parciais. Nos casos de desdentados totais, foram realizadas incisões na crista do rebordo. O descolamento dos retalhos foi mucoperiostal, para visualização da área de interesse, seguido da sequência de fresagem e instalação dos implantes. As feridas foram suturadas com ponto interrompido simples, com fio de seda 4.0.

A remoção das suturas foi realizada sete dias após o procedimento cirúrgico. A avaliação do torque dos implantes foi realizada no final da instalação, após a última fresagem de cada implante, através de um torquímetro cirúrgico específico (Emfils, Itu/SP, Brasil) que se encontrava novo, portanto, devidamente calibrado.

Resultados

Dos 82 implantes utilizados neste estudo e instalados de forma mediata, 33 foram instalados em pacientes do sexo masculino e 49 do sexo feminino. Do total, 36 implantes foram instalados em maxila, sendo 11 na maxila anterior e 25 na maxila posterior. Na mandíbula, foram instalados 46 implantes, sendo dez em mandíbula anterior e 36 em mandíbula posterior (Tabela 1). A sensibilidade tátil do operador foi determinante para a decisão do número de brocas (utilização ou não da técnica de subfresagem).

TABELA 1 – IMPLANTES INSTALADOS PELOS ALUNOS E PROFESSORES DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO, DE ACORDO COM A REGIÃO E O SEXO

Sexo Maxila anterior Maxila posterior Mandíbula anterior Mandíbula posterior
Masculino 7 7 8 11
Feminino 4 18 2 25
Total 11 25 10 36
Total por arco 36 46
 

Neste estudo, foram utilizados implantes de diâmetro 3,5 mm (alturas: 8,5 mm, 10 mm, 11,5 mm, 13 mm e 16 mm); diâmetro 4 mm (alturas: 7 mm, 8,5 mm, 10 mm, 11,5 mm, 13 mm e 14,5 mm); e diâmetro 5 mm (altura 10 mm). Os implantes mais utilizados neste trabalho foram os de 4 mm x 13 mm e os de 4 mm x 11,5 mm, em um total de 16 implantes de cada configuração; o implante menos utilizado foi o de 3,5 mm x 16 mm, utilizado em apenas um caso. A Tabela 2 demonstra a distribuição dos implantes instalados de acordo com a região, diâmetro e comprimento.

TABELA 2 – DISTRIBUIÇÃO DOS IMPLANTES INSTALADOS QUE OSSEOINTEGRARAM, DE ACORDO COM A REGIÃO, O DIÂMETRO E O COMPRIMENTO

Diâmetro e comprimento Maxila anterior Maxila posterior Mandíbula anterior Mandíbula posterior
3,5 x 8,5       3
3,5 x 10 2     5
3,5 x 11,5 1 3    
3,5 x 13 4 6 2 1
3,5 x 16 1      
4 x 7       2
4 x 8,5 1     1
4 x 10   3 2 8
4 x 11,5   5 2 9
4 x 13 2 4 3 7
4 x 14,5 2   1  
5 x 10   2    
Total 13 23 10 36
 

O torque (média ± desvio-padrão) na instalação dos implantes de 3,5 mm de diâmetro foi de 55,25 ± 14,8 Ncm; dos implantes de 4 mm de diâmetro foi de 52 ± 9,6 Ncm; e dos implantes de 5 mm foi de 37,5 ± 7,5 Ncm (Tabela 3). Salienta-se que os implantes de 5 mm de diâmetro tiveram torque de inserção médio mais baixo do que os outros implantes de menor diâmetro, devido ao fato das suas instalações terem sido realizadas na maxila posterior, região do primeiro molar.

Os resultados de torque de inserção relativo a cada diâmetro de implante utilizado, assim como a última fresa utilizada, estão demonstrados nas Tabelas 3 a 5. O torque de inserção médio, considerando maxila e mandíbula, foi de 53 Ncm e 57 Ncm, respectivamente.

A relação dos implantes instalados com a especificação de sua dimensão em diâmetro e comprimento, última fresa utilizada, região anterior ou posterior da maxila e torque de inserção está demonstrada na Tabela 3 e, de acordo com a Tabela 4, a média da estabilidade primária dos implantes instalados em maxila, seguindo a sequência de broca 2.5/2.8, 2.8/3.2, 3.2/3.5, 3.5/3.8, 3.8/4.5 e 4.5/4.8, foi respectivamente de 50 Ncm, 58 Ncm, 63 Ncm, 51 Ncm, 30 Ncm e 45 Ncm. Na mandíbula, seguindo a sequência de brocas 2.8/3.2, 3.2/3.5 e 3.5/3.8, os torques de inserção obtidos foram, respectivamente, de 47,5 Ncm, 49,5 Ncm e 51,22 Ncm. Observou-se que os valores dos torques de inserção dos implantes foram próximos, independentemente da região e da sequência de broca utilizada.

TABELA 3 – DEMONSTRAÇÃO DA MÉDIA DO TORQUE DOS IMPLANTES DE 3,5 MM, DE ACORDO COM A ÚLTIMA FRESA UTILIZADA ANTES DA INSTALAÇÃO

Brocas 2.5/2.8 2.8/3.2 3.2/3.5 3.5/3.8
Região Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula
Implantes Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post. Ant. Post.
3,5 x 8,5               20 (1)       62,5 (2)        
3,5 x 10   40 (2)           40 (1)               55 (4)
3,5 x 11,5         50 (1) 45 (2)       60 (1)            
3,5 x 13   70 (1)     61,25 (4) 57,5 (4) 65 (2)     70 (1)   50 (1)        
3,5 x 16         70 (1)                      
Média de torque (Ncm)   50     60,8 53,3 65 30   65   58,3       55

Ant.: anterior; Post.: posterior.

 

TABELA 4 – DEMONSTRAÇÃO DA MÉDIA DO TORQUE DOS IMPLANTES DE 4 MM, DE ACORDO COM A ÚLTIMA FRESA UTILIZADA ANTES DA INSTALAÇÃO

Brocas 3.2/3.5 3.5/3.8
Região Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula
Implantes Anterior Posterior Anterior Posterior Anterior Posterior Anterior Posterior
4 x 7               45 (2)
4 x 8,5         40 (1)     40 (1)
4 x 10   55 (1)       57,5 (2) 60 (2) 43,7 (8)
4 x 11,5   65 (2) 60 (1) 36,6 (3)   50 (3) 60 (1) 54,1 (6)
4 x 13       50 (3) 70 (2) 37,5 (4) 48,3 (3) 52,5 (4)
4 x 14,5         60 (2)   80 (1)  
Média de torque (Ncm)   61,6 60 43,3 60 46,1 57,8 52,5
 

TABELA 5 – DEMONSTRAÇÃO DA MÉDIA DO TORQUE DOS IMPLANTES DE 5 MM, DE ACORDO COM A ÚLTIMA FRESA UTILIZADA ANTES DA INSTALAÇÃO

Brocas 3.8/4.5 4.5/4.8
Região Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula
Implante Anterior Posterior Anterior Posterior Anterior Posterior Anterior Posterior
5 x 10   30 (1)       45 (1)    
Média de torque (Ncm)   30       45    
 

Discussão

A estabilidade inicial durante a instalação dos implantes é essencial para que os fenômenos biológicos ocorram na interface osso/implante6. No entanto, alguns fatores podem contribuir para isso, como desenho e área do implante, tratamento da superfície, sequência de fresagem e densidade óssea7, que são diferentes na mandíbula e na maxila, assim como nas diversas regiões de cada arco dentário8.

Os implantes utilizados nesta pesquisa tinham a característica cilíndrica, com afilamento do ápice, espiras no formato quadrado e estabilidade inicial superior em comparação aos implantes com espiras triangulares7,9. Sob o ponto de vista biológico, alguns autores sugeriram que o uso de espiras com formato quadrado levaria à redução no componente de cisalhamento das forças, favorecendo a remodelação óssea10.

Quando o implante é instalado com torque alto, ocorre uma remodelação óssea intensa após três semanas na área de contato da espira quadrada de seu desenho externo com o tecido ósseo, diferente do que acontece nos implantes instalados em osso mandibular com dimensão de cavidade compatível ao diâmetro do implante que, após três semanas, a remodelação óssea no pico da espira é menor, além de ser evidente a neoformação óssea na chamada câmara de osseointegração. Este resultado biológico foi comprovado11-12 nos testes mecânicos de remoção dos implantes que foram instalados à semelhança do trabalho6, no qual os implantes Novo Colosso, instalados em mandíbula de cães com dimensões de cavidade menores do que a preconizada pela empresa6, tiveram torque de remoção diminuído após três semanas, em comparação aos instalados em cavidades compatíveis com o diâmetro do implante, o que comprova a remodelação óssea no pico da espira quadrada, devido à alta pressão sobre o tecido ósseo.

Os resultados obtidos neste trabalho evidenciaram que as espiras quadradas associadas à sequência de fresagem podem ser consideradas fatores importantes no torque de inserção, visto que tanto na maxila como na mandíbula – que apresentam densidades ósseas diferentes – os valores medidos no torquímetro manual da empresa foram 53 Ncm na maxila e 57 Ncm na mandíbula, o que confirma que a sequência de fresagem, associada ao diagnóstico do tipo de osso e ao desenho do implante, deverá ser sempre observada pelo profissional no sentido de evitar torques excessivos no momento da instalação dos implantes, que podem ter efeitos biológicos nocivos à formação da interface osseointegrada6, como a remodelação óssea intensa ao nível do pico das espiras.

Quando são comparados implantes com espiras triangulares ou quadradas7, um dos fatores que interferem no torque de instalação do implante é a área, ou seja, implantes de mesmo diâmetro e comprimento com espiras quadradas apresentam um torque de inserção maior, devido a sua área ser maior. Este dado não foi confirmado nos resultados desta pesquisa, visto que a área dos implantes de maior diâmetro é maior e os valores obtidos foram de 55,25 Ncm para os implantes de 3,5 mm, 52 Ncm para os de 4 mm e 37,5 Ncm para os implantes de 5 mm. Provavelmente, este dado deve-se às espiras quadradas presentes no corpo do implante Novo Colosso, que são compressivas e garantem o valor alto do torque de inserção. O valor menor da estabilidade inicial obtida nos implantes de 5 mm deve-se ao pequeno número de implantes (n=2) instalados na região posterior da maxila. Neste trabalho, foram instalados apenas implantes cilíndricos com afilamento do ápice e espiras no formato quadrado.

Os sistemas de implante apresentam desenhos de implantes variados, conforme sua indicação para osso de maior ou menor densidade, com isso cada desenho tem uma sequência de fresagem preconizada. No sistema Novo Colosso, o desenho do implante é único e, desta maneira, a sequência de fresagem deverá ser alterada de acordo com a densidade do leito ósseo, com o objetivo de obter a estabilidade inicial, observada neste trabalho a partir do torque de inserção do implante, medido com o torquímetro manual do próprio sistema. Os resultados obtidos com esta metodologia propiciaram torque médio de inserção de 53 Ncm na maxila e de 57 Ncm na mandíbula. O formato do perfil das roscas é um fator a se considerar na estabilidade do implante13, e a instalação de implantes cônicos (com espiras trapezoidais ou quadradas) exige torque de inserção superior a implantes cilíndricos (espiras triangulares), o que favorece na estabilidade primária do implante9,4.

É importante salientar que neste trabalho, em caráter de exceção, quatro dos sete implantes foram instalados com a dimensão de 3,5 mm x 10 mm e que, devido à alta densidade óssea da região mandibular, houve a necessidade de utilizar a fresa 3,5/3,8 para a sua instalação. Mesmo assim, houve o torque médio de instalação de 55 Ncm. Esta particularidade deve-se à observância de que o torque de inserção máximo a ser utilizado é de 60 Ncm em região que apresente alta densidade óssea. Esta decisão do profissional deve-se a sua sensibilidade cirúrgica, que pode ser avaliada durante a instalação dos implantes. Se o torque de inserção atingir entre 30 Ncm e 40 Ncm, e o implante que está sendo instalado não tiver penetrado pelo menos ¾ do seu comprimento na cavidade, há necessidade de utilizar a fresa de maior diâmetro ou obone tap. Com este procedimento, os fenômenos biológicos que redundam na osseointegração têm uma sequência natural6,11.

Apesar de terem sido instalados 46 implantes na mandíbula e 36 na maxila, não houve diferença, em números absolutos, na média do torque de inserção obtido entre as regiões. Este dado concorda com um estudo14, no qual os danos ao osso sofridos pelas forças de compressão são semelhantes entre as diversas regiões bucais, desde que seja observada a escolha do protocolo de fresagem para cada uma das regiões5.

Conclusão

A instalação dos diversos diâmetros e comprimentos dos implantes Novo Colosso, utilizando a sequência adequada de fresas para as diferentes regiões da cavidade bucal, promoveu um torque de inserção que proporciona boa estabilidade inicial aos implantes.

Nota de esclarecimento
Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência
Ana Paula Moro Quinteiro
Rua Santa Catarina, 543 – Centro
37701-015 – Poços de Caldas – MG
apquinteiro@hotmail.com

Galeria

Referências:

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