ImplantNewsPerio 2018 | V3N2 | Páginas: 264-71

Profilaxia antibiótica para instalação de implantes dentários: avaliação do conhecimento dos implantodontistas de um estado do nordeste brasileiro

Knowledge regarding antibotic prophylaxis for dental implants: a survey with professionals from a Brazilian state

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Autor(es):

Natália Karol de Andrade1
Marcílio Otávio Brandão Peixoto2
Ingrid Silva Passos3
Camila Rogéria Januário de Oliveira3
Vivian Karoline Pereira de Oliveira3
Mayres Ferreira Santos3

1Mestra em Implantodontia; Professora do curso de Odontologia do Centro Universitário Cesmac.
2Mestre em Ensino na Saúde; Professor do curso de Odontologia do Centro Universitário Cesmac.
3Graduandas do curso de Odontologia do Centro Universitário Cesmac.

Resumo:

Objetivo: avaliar o conhecimento de implantodontistas sobre profilaxia antibiótica para a prevenção de infecções após a cirurgia para instalação de implantes dentários e sua relação com o surgimento de resistência microbiana. Material e métodos: neste estudo transversal, 33 profissionais devidamente registrados no Conselho Regional de Odontologia e atuantes no Estado, os quais responderam a um questionário. Resultados: a maioria dos entrevistados prescreveu antibacterianos em todos os casos, independentemente do estado geral de saúde do paciente, sendo que alguns profissionais ainda insistem em prorrogar a administração no período pós-operatório. Quando questionados sobre essa conduta, afirmaram que prescrevem de forma racional e baseada em evidências. Conclusão: é indispensável a constante atualização dos implantodontistas, prevenindo uma seleção de bactérias resistentes e exposição dos pacientes a efeitos adversos.

Unitermos:

Antibioticoprofilaxia; Implantes dentários; Bactérias

Abstract:

Objectives: to evaluate the knowledge regarding antibiotic use to prevent dental infections after implant placement and its relationship with microbial resistance. Material and methods: in the cross-sectional study, 33 practitioners registered in the Regional Council received a survey with questions on this subject. Results: most professionals indicated antibiotics in all cases, regardless of the patient general health condition, being that the medicamentous threrapy was extended after the postoperative period. Interestingly, some stated that this is made on rational basis and evidence-supported manner. Conclusion: it is fundamental to update professionals regarding the use of these drugs since patients can have bacterial resistance and adverse effects.

Key words:

Antibiotic prophylaxis; Dental implants; Bacteria.

Introdução

O uso dos antimicrobianos em cirurgias de instalação de implantes dentários, visando à prevenção de infecção pós-operatória e sobrevida desses implantes ainda é tema de controvérsias. Pesquisas demonstram uma melhora nas taxas de sucesso das cirurgias para instalação de implantes quando são utilizados antibióticos no pré-operatório, e não reportam benefício algum quando eles são utilizados no período pós-operatório1-2.

Para a instalação de implantes dentários, é de fundamental importância prevenir a infecção do local a ser operado ou a distância, principalmente em pacientes imunossuprimidos, pois a contaminação dos sítios manuseados pode causar bacteremias transitórias. Dessa forma, a prevenção se dá através da manutenção da cadeia asséptica associada ao uso profilático de antibióticos3-5.

Embora o uso de antimicrobianos uma hora antes do procedimento cirúrgico possa contribuir para minimizar perdas precoces de implantes, existem preocupações com a utilização generalizada de antibióticos, uma vez que os pacientes estão expostos a efeitos adversos. Eventos como diarreia, eritema multiforme e urticária são geralmente menores, mas reações alérgicas potencialmente fatais podem ocorrer6-7.

A profilaxia antibiótica, além de apresentar esses efeitos adversos, pode causar um dos mais preocupantes, que é a possibilidade do uso de antibióticos exercer pressão seletiva do meio, favorecendo a seleção de bactérias multirresistentes aos antibióticos8-12.

Apesar da existência de vários tipos de protocolos de profilaxia antibiótica, que variam de acordo com o momento da administração dos antibióticos: profilaxia pré-operatória, profilaxia pós-operatória e profilaxia pré e pós-operatória, atualmente a profilaxia pré-operatória é bastante aceita entre os implantodontistas, e se preconiza a administração de um a dois gramas de uma penicilina semi-sintética (amoxicilina), uma hora antes do procedimento cirúrgico. Deve-se levar em consideração que a menor exposição dos pacientes aos antimicrobianos minimiza a ocorrência de reações adversas e o risco de pressão seletiva do meio10-11,13.

O objetivo desta pesquisa foi avaliar o nível de conhecimento dos implantodontistas quanto ao uso de profilaxia antibiótica.

Material e Métodos

Esta pesquisa, do tipo observacional transversal, foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Cesmac, sob o protocolo 1.921.980. A dinâmica da pesquisa está descrita no fluxograma apresentado a seguir (Figura 1).

A pesquisa foi realizada em consultórios odontológicos, com os especialistas em Implantodontia, devidamente registrados no Conselho Regional de Odontologia de um estado do nordeste brasileiro e atuantes no estado. A amostra foi calculada em 33 pessoas, a partir de uma lista fornecida pelo CRO, utilizando uma calculadora eletrônica disponível em www1.tce.pr.gov.br/multimidia/2011/10/xlsx/00237933.xlsx, considerando nível de confiança de 95% (Z=1,96), acertos esperados em 80%, população máxima 38 (em fevereiro de 2017)e nível de precisão 5%14.

Inicialmente, os pesquisadores realizaram sorteio dos especialistas em implantodontia, a partir da lista fornecida pelo CRO, contendo nomes e contatos (e-mail e telefone) dos profissionais, com o auxílio do programa Excel.

O recrutamento do sujeito da pesquisa se deu por convite verbal presencial, em seu local de trabalho ou contato via telefone, no qual foi agendado horário no consultório ou na clínica privada do profissional sorteado. Ao consentir em participar do estudo, o voluntário recebeu do pesquisador todas as informações necessárias quanto à realização do estudo em todas as suas etapas, ficando ciente de que sua participação seria de acordo com sua vontade, podendo desistir quando lhe aprouvesse.

Como marco de inclusão para a participação do sujeito na pesquisa, foi lavrado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, baseado nas diretrizes da Resolução CNS/MS 466/12, os quais, após concordarem em participar da pesquisa foram solicitados a assinar.

A avaliação do conhecimento dos implantodontistas selecionados para participar da pesquisa foi realizada através da aplicação de questionários, contendo perguntas objetivas sobre os temas.

Ao final da participação na pesquisa, o cirurgião-dentista voluntário ganhou um portfólio impresso contendo três artigos científicos recentes sobre o tema, assim como uma lista de referências de estudos clínicos controlados randomizados e revisões sistemáticas para sua leitura e, assim, essa pesquisa contribuiu para que a prática da Implantodontia desses profissionais fosse baseada em evidências.

Resultados

A Tabela 1 mostra o perfil profissional dos 33 voluntários que responderam o questionário.

A tabela abaixo revela que houve mais homens na amostra. Além disso, o número de especialistas foi maior do que mestres e doutores juntos. A maioria dos profissionais também relatou instalar menos do que 21 implantes por mês. Entretanto, houve equilíbrio no tempo de prática da Implantodontia. A idade dos profissionais do sexo masculino (45,3 ± 11,4 anos) não diferiu (teste de Mann-Whitney, p=0,22) da idade daqueles de sexo feminino (39,8 ± 9,3 anos).

TABELA 1 – PROPORÇÃO ABSOLUTA DO PERFIL DOS VOLUNTÁRIOS AOS QUESTIONÁRIOS

Variáveis Total % p (x2)
Idade (Anos) 43,8 ± 11 - -
Gênero Masculino 24 72,7 0,0148
Feminino 9 27,3
Grau acadêmico Especialista 27 81,8 0,0005
Mestre 3 9,1
Doutor 3 9,1
Gênero Masculino 24 72,7 0,0148
Feminino 9 27,3
Há quanto tempo atua em Implantodontia? Até 5 anos 11 33,3 0,6951
Entre 6 e 10 anos 9 27,3
Mais do que 10 anos 13 39,4
Em média, quantos implantes dentários instala por mês? Até 20 27 81,8 0,0005
Mais de 20 até 50 6 18,2
 

A Tabela 2 mostra as respostas dos profissionais às questões. Ela revelou que a maioria absoluta dos profissionais declarou que prescreve antibióticos como terapia farmacológica profilática para prevenir infecção pós-operatória em cirurgias para a instalação de implantes em todos os casos, independentemente do número de implantes a serem instalados ou do estado de saúde geral do paciente. A amoxicilina foi o antibacteriano mais citado e utilizado em esquemas posológicos variados, sendo o mais comum o uso de 2 g de amoxicilina (500 mg), uma hora antes do procedimento. Quando perguntado se o profissional acreditava que seria possível que suas prescrições de antimicrobianos exercessem pressão seletiva do meio, contribuindo para a seleção de microrganismos resistentes, a maioria respondeu que por isso prescrevia a profilaxia antibiótica de forma racional e baseada em evidências científicas.

TABELA 2 – RESPOSTAS (PROPORÇÃO ABSOLUTA) AO QUESTIONÁRIO

Questões Possíveis respostas Total % p (x2)
Prescreve antibióticos como terapia farmacológica profilática para prevenir infecção pós-operatória em cirurgias para a instalação de implantes? Em todos os casos, independentemente do número de implantes a serem instalados ou do estado de saúde geral do paciente 22 66,7 0,0311
Somente em casos específicos 9 27,3
Na maioria dos casos 2 6,1
Qual o fármaco antimicrobiano de sua escolha para tal fim? Amoxicilina 500 mg 24 72,7 0,0148
Amoxicilina 875 mg + 125 mg de clavulanato de potássio 4 12,1
Azitromicina 500 mg 3 9,1
Cefalexina 500 mg 1 3
Frademicina 500 mg 1 3
Dose e posologia 4 cápsulas de amoxicilina 500 mg 1 hora antes do procedimento 13 39,4 *
1 comprimido de amoxicilina 875 mg + 125 mg de clavulanato de potássio a cada 12 horas, durante 7 dias 4 12,1
4 cápsulas de amoxicilina 500 mg 1 hora antes do procedimento + 1 cápsula a cada 8 horas, durante 7 dias 4 12,1
1 cápsula de amoxicilina 500 mg, a cada 8 horas, durante 7 dias 4 12,1
1 comprimido de azitromicina 500 mg, a cada 24 horas, durante 3 dias 2 6,1
2 cápsulas de amoxicilina 500 mg, 1 hora antes do procedimento 1 3
2 cápsulas de amoxicilina 500 mg, 1 hora antes do procedimento + 1 cápsula a cada 12 horas, durante 7 dias 1 3
1 comprimido de amoxicilina 875 mg + 125 mg de clavulonato de potássio, a cada 8 horas, durante 7 dias 1 3
4 cápsulas de amoxicilina 500 mg, 1 hora antes do procedimento + 1 g, 6 horas após o procedimento 1 3
1 cápsula de cefalexina 500 mg, a cada 8 horas, durante 7 dias 1 3
1 cápsula de frademicina 500 mg, 24 horas antes do procedimento + 1 cápsula a cada 24 horas, durante 7 dias 1 3
Acha que é possível que suas prescrições de fármacos antimicrobianos possam exercer pressão seletiva do meio, contribuindo para a seleção de microrganismos resistentes? Sim, por isso prescrevo fármacos antimicrobianos para profilaxia antibiótica de forma racional, baseado em evidência científica 14 42,4 0,014
Sim, ainda assim prescrevo em todos os casos, já que há possibilidade de selecionar bactérias resistentes 7 21,2
Não, da forma como eu prescrevo não há possibilidade de selecionar bactérias resistentes 5 15,2
Não, sei que os benefícios de prescrever a profilaxia antibiótica para a cirurgia de instalação de implantes são superiores aos riscos 3 9,1
Não sei responder 4 12,1

Fonte: dados da pesquisa.
* Não foi possível o cálculo estatístico.

 

A Tabela 3 mostra o tipo de profilaxia antibiótica realizada pelos profissionais.

Essa tabela mostra que a soma dos profissionais que prescrevem amoxicilina no período pós-operatório e no período pré e pós-operatório, para prevenir infecção pós-operatória da cirurgia de instalação de implante, supera aqueles que administram o antibiótico no período pré-operatório.

A Tabela 4 mostra a influência do tempo de atividade do profissional sobre as principais questões. Infelizmente, a amostra pequena em cada faixa de atividade inviabilizou a análise estatística, mas é possível observar as tendências.

Discussão

A partir de uma lista fornecida pelo CRO, obteve-se uma amostra de 33 especialistas devidamente registrados, podendo esse número não estar de acordo com a quantidade de profissionais atuantes na Implantodontia do Estado. No entanto, a situação encontrada no corrente estudo pode ser equivalente a outros cirurgiões-dentistas, o que permite um alerta à ausência de atualização desses profissionais quanto à profilaxia antibiótica e suas consequências, pois os achados desta pesquisa sugerem que os profissionais com maior tempo de formação, representando 66,7% da amostra, estão menos sincronizados com a literatura. Isso demonstra que independentemente do tempo de formação, a necessidade de atualização é constante.

Esta pesquisa revelou que a maioria absoluta dos profissionais declarou prescrever antibióticos como terapia farmacológica profilática para prevenir infecção pós-operatória em cirurgias para instalação de implantes, em todos os casos, independentemente do número de implantes a serem instalados ou do estado de saúde geral do paciente. No entanto, os estudos mostram que para prevenir perdas de implantes devido à infecção, os dois fatores mais importantes são: condição sistêmica satisfatória dos pacientes no momento da cirurgia e a execução de uma técnica cirúrgica limpa e adequada9. Além disso, como sugerem pesquisas3,7,15, para cirurgias de instalação de implantes dentários em pacientes imunologicamente saudáveis a administração de antibióticos não consiste em uma conduta inexorável à prevenção de infecções pós-instalação de implantes, principalmente no que diz respeito à administração de tais fármacos no período pós-operatório.

A amoxicilina foi o antimicrobiano mais indicado pelos implantodontistas, sendo que, de acordo com a literatura, as penicilinas são a primeira escolha para o tratamento das infecções bucais bacterianas e como forma de profilaxia antibiótica para preveni-las2,7,11. Todavia, apesar de 72,7% dos profissionais optarem por prescrever amoxicilina 500 mg, eles realizam a maioria dos esquemas posológicos nos períodos pós-operatório ou pré e pós-operatório, esquemas estes que não estão de acordo com a literatura, pois os achados de diversas pesquisas sugerem que a administração do fármaco nos períodos pós-operatório ou pré e pós-operatório, seja em dose única ou em multidoses, não traz benefícios adicionais3-4,7,13.

TABELA 3 – PROPORÇÃO ABSOLUTA DOS PROFISSIONAIS RELATIVA AOS TIPOS DE PROFILAXIA ANTIBIÓTICA REALIZADAS

  Nº de profissionais
Tipos de profilaxia antibiótica Amoxicilina
(n=29)
Profilaxia pré-operatória 14 (48,3%)
Profilaxia pós-operatória 9 (31,1 %)
Profilaxia pré e pós-operatória 6 (20,6%)

Fonte: dados da pesquisa.

 

TABELA 4 – PROPORÇÃO RELATIVA DAS RESPOSTAS EM FUNÇÃO DO TEMPO DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL

    Tempo de atuação
Questões Respostas Até 5 anos (n=11) Entre 6 e 10 anos (n=9) Mais do que 10 anos (n=13)
Prescreve antibióticos para terapia profi lática? Em todos os casos 6 (54,5%) 8 (88,9%) 8 (61,5%)
Somente em casos específicos 5 (45,5%) 1 (11,1%) 3 (23,1%)
Na maioria dos casos - - 2 (15,4%)
Qual antimicrobiano? Amoxicilina 9 (81,8%) 8 (88,9%) 7 (53,8%)
Amoxicilina + clavulanato 2 (18,2%) - 2 (15,4%)
Azitromicina - 1 (11,1%) 2 (15,4%)
Cefalexina - - 1 (7,7%)
Frademicina - - 1 (7,7%)
Suas prescrições exercem pressão seletiva no meio? Não, sem bactérias resistentes 2 (18,2%) 1 (11,1%) 2 (15,4%)
Não, benefícios superam riscos 1 (9,1%) 1 (11,1%) 1 (7,7%)
Sim, prescrevo em todos os casos 1 (9,1%) 1 (11,1%) 5 (38,5%)
Sim, prescrevo de forma racional 6 (54,5%) 4 (44,4%) 4 (30,8%)
Não sei responder 1 (9,1%) 2 (22,2%) 1 (7,7%)
Qual a dose e a posologia? 1 g de amoxicilina, 1 hora antes - - 1 (7,7%)
1 g de amoxicilina 1 hora antes + 500 mg a cada 12 horas, durante 7 dias - - 1 (7,7%)
1 g de amoxicilina + clavulonato a cada 12 horas, durante 7 dias 1 (9,1%) 1 (11,1%) 2 (15,4%)
1 g de amoxicilina + clavulonato a cada 8 horas, durante 7 dias 1 (9,1%) - -
2g de amoxicilina 1h antes do procedimento 7 (63,6%) 5 (55,6%) 1 (7,7%)
2 g de amoxicilina 1 hora antes + 1 g 6 horas após 1 (9,1%) - -
2 g de amoxicilina 1 hora antes + 500 mg a cada 8 horas, durante 7 dias 1 (9,1%) 2 (22,2%) 1 (7,7%)
500 mg de amoxicilina a cada 8 horas durante 7 dias - 1 (11,1%) 3 (23,1%)
500 mg de amoxicilina a cada 8 horas durante 7 dias - - 2 (15,4%)
500 mg de cefalexina a cada 8 horas durante 7 dias - - 1 (7,7%)
500 mg de frademicina 24 horas antes + 500 mg a cada 24 horas, durante 7 dias - - 1 (7,7%)

Fonte: dados da pesquisa.

 

Ao administrar 2 g de amoxicilina, uma hora antes do procedimento cirúrgico (profilaxia pré-operatória), observa-se, de forma significativa, a redução das falhas de implantes dentários decorrentes de infecção, sem que ocorram maiores riscos à saúde do paciente (efeitos adversos, pressão seletiva do meio), sendo essa a conduta que melhor se aplica1,4,6-7,11,13,16.

Portanto, apesar de a maioria dos profissionais declararem que realizam a profilaxia antibiótica baseada em evidência científica, isso não acontece, pois eles a prescrevem em todos os casos, independentemente do estado de saúde geral do paciente ou do número de implantes a serem instalados, sem que existam preocupações com os efeitos adversos e riscos no tocante à seleção de microrganismos resistentes4,7.

Uma dose única de antibiótico antes da colocação do implante pode ser suficiente, visto que em pesquisa foram comparados dois grupos. No primeiro grupo, os implantes dentários foram colocados após a administração de apenas uma única dose pré-operatória de antibiótico (1 g de amoxicilina), dispensando o uso prologado após cirurgia. No segundo grupo, os implantes dentários foram inseridos em pacientes que receberam a mesma dose pré-operatória de antibiótico que o primeiro grupo, mas o antibiótico foi então continuado no pós-operatório, durante três dias. Os pacientes retornaram para avaliação pós-operatória aos três dias, sete dias e 12 semanas. Embora pequenas complicações tenham sido observadas em alguns pacientes, todos os implantes foram efetivamente osseointegrados, revelando a necessidade de evidências científicas no dia a dia clínico dos profissionais entrevistados13.

As condutas realizadas por esses profissionais, ao realizarem o uso indiscriminado dos antibióticos, além de exporem os pacientes a efeitos adversos, favorecem a pressão seletiva do meio, ou seja, inibem as cepas sensíveis, podendo levá-las à morte, e selecionam as resistentes, fazendo com que essas prescrições desnecessárias contribuam para a proliferação de bactérias multirresistentes8-9,17.

Logo, é certo que os implantodontistas da presente pesquisa revelam estar desatualizados, menosprezando os riscos advindos desse ato, no qual o uso indiscriminado de antibióticos em terapias empíricas pode contribuir para o aumento da resistência. Tal fato deve ser evitado, tornando-se um assunto pertinente ao profissional que se baseia apenas em experiência clínica.

Dessa forma, além das pesquisas reportarem uma melhora dos índices de sucesso de cirurgias para a instalação de implantes, quando são utilizados antibióticos apenas no período pré-operatório, elas também mostram que uma dose maciça, por um curto período de tempo, seleciona menos bactérias resistentes2,16. Além disso, a classe odontológica deve fazer a sua parte para ajudar a minimizar o problema global da resistência bacteriana, empregando os antibióticos somente em casos de real necessidade, e, ainda assim, pelo menor espaço de tempo possível. Logo, sua prescrição para fins profiláticos ou terapêuticos, baseada somente no “medo” ou na insegurança, é, no mínimo, irresponsável18.

Conclusão

Apesar de a maioria da classe odontológica avaliada fazer uso do fármaco correto para prevenir infecção pós-operatória, em cirurgias para instalação de implantes, pôde-se observar que ainda não é predominante entre os entrevistados uma conduta clínica atualizada, visto que alguns deles insistem em basear-se apenas em terapêuticas empíricas. Portanto, torna-se indispensável a constante atualização dos implantodontistas, a fim de evitar a participação dessa classe na exposição dos pacientes a efeitos adversos e seleção de bactérias resistentes a antibacterianos.

Nota de esclarecimento
Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo e também não possuímos patentes ou royalties , nem trabalhamos como testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência
Natália Karol de Andrade
Rua Dr. José Afonso de Melo, 68 – sala 823 – Stella Maris
57036-510 – Maceió – AL
Tel.: (82) 98865-1926
karol.andrade.odonto@hotmail.com

Galeria

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