Publicado em: 28/03/2016 às 15h59

Conexão hispânica – José Luis Calvo Guirado desembarca na ImplantNewsPerio

O especialista em substitutos ósseos defende os testes in vitro para conquistar melhores resultados clínicos.

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Durante congresso internacional, Guirado apresentou estudo sobre um novo desenho de implante. 

Argentino radicado na Espanha, José Luis Calvo Guirado é destacado internacionalmente pela sua expertise em Implantodontia, enfatizando o estudo de substitutos ósseos. Autor de centenas de artigos sobre o assunto, recentemente tornou-se catedrático da Faculdade de Medicina e Odontologia da Universidade Católica San Antonio de Murcia (Ucam), na Espanha, onde ingressou em 2001 para o desenvolvimento do seu PhD. Paralelamente, atua no conselho editorial da Clinical Oral Implants Research e como revisor dos periódicos Clinical Implant Dentstry and Related Research, Journal of Periodontology, Tissue Engiennering e Acta Odontologica Scandinavica.

Com sua extensa e frutífera trajetória acadêmica e de pesquisa, Guirado acredita que um caminho importante para se obter melhores resultados clínicos seria intensificar os estudos in vitro de implantes antes da aplicação em humano. Esse e outros pontos de vista do pesquisador podem ser conferidos nesta entrevista exclusiva à ImplantNewsPerio. Acompanhe.

 

ImplantNewsPerio – A proporção produto lançado/teste clínico está adequada? Estamos fazendo muitas revisões ou deveríamos pesquisar mais? Ou ambos?

José Luis Calvo Guirado – Muitos fabricantes de implantes só realizam estudos em humanos para lançar um produto de uso na área da Saúde. Parece-me fundamental que primeiro seja realizado um estudo in vitro (células) para a resposta do implante, biomaterial etc. à multiplicação celular. Posteriormente, o material deve ser testado em animais de experimentação, para avaliar seu comportamento em um ser vivo e observar seus benefícios e complicações. Deve haver mais investigação experimental antes de se trabalhar em humanos, pois assim obteremos melhores resultados clínicos.

 

ImplantNewsPerio – Quais são as principais dificuldades nas investigações relacionadas à perda óssea e aos desenhos dos implantes?

JLCG – A perda óssea é marcada por muitos fatores, como características do osso do paciente, saúde sistêmica, tabagismo e alcoolismo, que são prejudiciais à sobrevivência longitudinal do implante. Essa perda óssea tem outro fator a considerar, que é a sobrecarga nos implantes depois de colocar a restauração cerâmica, sendo que as causas mais importantes são estresse e bruxismo (apertamento). Por isso, o desenho do implante tem papel fundamental na manutenção e preservação do osso em longo prazo. Quanto mais resistentes forem as ligas de titânio (zircônia, titânio com zircônia e titânio grau 5), melhores elas são para o uso em nossos pacientes. O titânio com zircônia é mais resistente às cargas nocivas e protege melhor o osso alveolar que circunda o implante. Já em relação ao desenho ideal, seria o cônico, sobretudo o que apresenta conexão cone-morse interna. Desta forma, o pilar e as partes restauradoras evitam a rotação, a entrada de bactérias e ainda protegem o osso peri-implantar, devido à redução dos micromovimentos.

 

ImplantNewsPerio – Considerando o número de fabricantes existente e o estoque de componentes, qual a salvação na clínica diária?

JLCG – O ideal é que os fabricantes de implantes tenham um estoque de componentes preparado para atender os pedidos diários dos dentistas. Também, é necessário que as fábricas reduzam os preços para que todos os pacientes sejam beneficiados. Alguns deles realmente necessitam deste tratamento, mas, por ser mais caro do que as próteses sobre dentes, não podem assumir este compromisso. Desta forma, nós, dentistas, ajudaríamos mais nossos pacientes.
 

Exposição do seu livro “Guía Teórico-Práctica de Clínica Odontológica Integrada de Adultos”.

 

ImplantNewsPerio – Qual a interpretação atual do BIC para a clínica diária? Em sua opinião, qual o modelo animal que nos dá mais respostas?

JLCG – Devo dizer que o BIC representa a união dente/ implante em todo o perímetro ósseo. Os implantes com superfícies ativas ou tratadas com SLA são os que mais se aderem ao osso. Nos pacientes com osso frágil, precisamos de um implante com roscas largas e superfícies bioativas para melhorar o BIC de forma mais rápida e efetiva. Assim, também protegemos o osso que existe no pescoço do implante e que resiste a forças com cargas distintas. O modelo animal mais próximo ao humano para avaliação do BIC é o cachorro, seguido pela ovelha e depois o coelho.

 

ImplantNewsPerio – Qual rumo a geração mais jovem de pesquisadores está dando à Implantodontia?

JLCG – O Brasil tem um berço de pesquisadores muito importantes e com grande projeção. Eles estão no topo entre os mais jovens do mundo, onde a Suíça aparece em primeiro lugar, seguida por Brasil, Itália e Espanha. Creio que o rumo é muito bom e bastante encorajador, em pouco tempo esses pesquisadores serão líderes de opinião no mundo. Vocês possuem nomes de muito prestígio, como Arthur Belém Novaes Jr., Maurício Araújo, Carlos Araújo, Hugo Nary Filho, Jamil Awad Shibli e Sérgio Gehrke, que lideram as publicações mundiais. Para mim, é um orgulho conhecê-los e poder publicar com vocês.
 

Edifício da Universidade Católica San Antonio de Murcia (Ucam).

 

ImplantNewsPerio – Células-tronco na Europa: hoje, o que é aplicável na Implantodontia?

JLCG – As células-tronco estão sendo muito utilizadas na Europa para todos os tratamentos, inclusive odontológicos. Nos últimos anos, elas foram usadas em diversas lesões orais e com resultados muito bons. Então, acredito que esse será o futuro, assim como o grafeno, e graças ao trabalho do grande pesquisador Adriano Piatt elli, de Chieti, na Itália, teremos resultados de forma imediata.

 

Agradecimento ao Prof. Sérgio Gehrke (Biotecnos), pela contribuição nesta entrevista.

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