Publicado em: 30/01/2017 às 10h18

Reconstrução óssea e estética minimamente invasiva

Guaracilei Vidigal Júnior compara técnicas de enxertos (ósseos e gengivais), considerando também os resultados estéticos.

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A comparação de resultados de diferentes técnicas de enxertos (ósseos e gengivais) não deve se basear somente na avaliação da quantidade de tecido neoformado, pois é preciso considerar também os resultados estéticos. Diversas variáveis podem influenciar a estética final, incluindo: morfologia da área, técnica cirúrgica e biomateriais usados.

Em 2005, Fürhauser et al propuseram um índice para analisar o resultado estético do tratamento cirúrgico com implante, ou seja, o índice de estética rosa (PES), que avalia sete parâmetros dos tecidos moles:

1) papila mesial; 
2) papila distal; 
3) altura da margem gengival; 
4) contorno da margem gengival; 
5) convexidade do processo alveolar; 
6) cor; e 
7) textura da gengiva (Figura 1). 

Todos eles são avaliados através da comparação direta com o dente homólogo contralateral, sendo que um valor (0, 1 ou 2) é assinalado para cada parâmetro. O valor 0 (o pior) é dado quando se observa uma grande discrepância na avaliação; o valor 1 é dado quando se observa uma pequena discrepância; e o valor 2 é dado quando existe uma grande semelhança ao dente contralateral.

O PES tem sido utilizado na avaliação de implantes instalados na região anterior da maxila e também em Periodontia, na análise de procedimentos cirúrgicos na região estética.

Pieri et al (2013) estabeleceram um valor de PES ≥ 8 como clinicamente aceitável. Cosyn et al (2011) sugeriram os seguintes valores para avaliação clínica: PES < 8: desfavorável; PES entre 8-12: favorável; e PES ≥ 12: (quase) perfeito.

A técnica da reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG) – (Dantas et al, 2013) – é um procedimento de regeneração do osso alveolar e preservação do complexo mucogengival minimamente invasiva (Vidigal Jr. et al, 2016). Em uma análise preliminar, a estética final do tratamento da regeneração óssea alveolar apresentou resultados amplamente favoráveis à RAPG (Figuras 6 a 9), quando comparados ao resultado da regeneração óssea guiada (ROG) convencional (Figuras 2 a 5), apesar da excelente formação óssea observada na ROG (Figura 4). Isto ocorreu porque em quatro parâmetros do PES (papila mesial, papila distal, altura e contorno da margem gengival) a RAPG obteve o escore 2 (Figura 9), enquanto a ROG obteve o escore 0 (Figura 5).
 

Figura 1 – Os sete parâmetros de avaliação do PES.

 

Figura 2 – Caso clínico tratado com ROG. Imagem oblíquo-sagital do 22. Figura 3 – Aspecto clínico pré-cirúrgico. Figura 4 – Osso regenerado após seis meses.

 

Figura 5 – Aspecto clínico final após ROG.

Figura 6 – Imagem oblíquo-sagital do 11. Figura 7 – Aspecto clínico pré-cirúrgico.

 

Figura 8 – Osso regenerado após o tratamento com a RAPG. Figura 9 – Aspecto clínico final após a RAPG.

 

REFERÊNCIAS

1. Fürhauser R, Florescu D, Benesch T, Mailath G, Watzek G. Evaluation of soft tissue around single-tooth implant crowns: The Pink Esthetic Score. Clin Oral Implants Res 2005;16:639-44.

2. Pieri F, Aldini NN, Marchetti C, Corinaldesi G. Esthetic outcome and tissue stability of maxillary anterior single-tooth implants following reconstruction with mandibular block grafts: a 5-year prospective study. Int J Oral Maxillofac Implants 2013;28:270-80.

3. Cosyn J, Eghbali A, de Bruym H, Collys K, Cleymaet R, de Rouck T. Immediate single-tooth implants in the anterior maxila: 3-year results of a case series on hard and soft tissue response and aesthetics. J Clin Periodontol 2011;38:746-53.

4. Dantas LRF, Groisman M, Vidigal Jr. GM. Prosthetically-driven alveolar reconstructions – the next step. In complex situations on implant dentistry: specialized clinical solutions. São Paulo: VM Cultural Editora, 2013. p.17-31.

5. Vidigal Jr. GM, Dantas LRF, Groisman M, Silva Jr. LCM. Instalação de implantes imediatamente após a exodontia em áreas estéticas. São Paulo, VM Cultural Editora, 2016. p.39.

6. Vidigal Jr. GM. Regeneração óssea sem enxerto e sem retalho. INPerio 2016;1(7):1432-3.

 


*Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 

 

 

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