Publicado em: 07/04/2017 às 10h15

Reconstrução alveolar proteticamente guiada

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior destaca as vantagens da técnica, incluindo ganho ósseo.

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A reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG)1-2 é uma técnica de regeneração óssea para alvéolos de extração frescos e apresenta uma série de vantagens, como: preservação do osso alveolar pré-existente, através do não deslocamento do retalho vestibular; regeneração do osso alveolar perdido sem o uso de enxertos ou de barreiras de membranas; e formação de novo osso no espaço deixado pela raiz dentária (Figuras 1 a 6), através de um procedimento minimamente invasivo.

A técnica da RAPG foi descrita nesta coluna, nas edições de novembro/dezembro de 2016 (vol. 1/n. 8) e janeiro/fevereiro de 2017 (vol. 2/n. 1). A prática mais comum logo após qualquer exodontia é a sutura do tecido gengival para a coaptação dos bordos da ferida cirúrgica, para obtenção da hemostasia e estabilização do coágulo. O coágulo sanguíneo age como uma matriz física que direciona os movimentos celulares e contém substâncias importantes para a continuação do processo de cicatrização, como por exemplo, fatores de crescimento que irão induzir e aumentar a migração de vários tipos de células, bem como a proliferação, diferenciação e atividade sintética dentro do coágulo3. Porém, clinicamente, é comum verificar, a ausência do coágulo nas regiões média e cervical do alvéolo, poucos dias após a extração. Provavelmente, o coágulo que deveria ser removido por fibrinólise e substituído pelo tecido de granulação foi removido mecanicamente durante a alimentação e/ou higiene pelo paciente.

Biologicamente, a técnica da RAPG permite a reorganização do periósteo na região do osso alveolar perdido e o crescimento do osso no espaço deixado pela raiz após a exodontia. Isto ocorre porque a exodontia resulta na eliminação da causa da infecção/inflamação, e a técnica da RAPG preserva o espaço deixado pela raiz, prevenindo o colabamento das paredes de tecido mole do alvéolo e fornecendo estabilidade mecânica ao coágulo. O osso neoformado origina-se a partir do periósteo e do osso alveolar residual, uma vez que este tecido apresenta um elevado potencial regenerativo. Provavelmente, a regeneração do periósteo, por meio da eliminação da causa da inflamação, e sua preservação através da não realização do deslocamento do retalho e das incisões relaxantes também são determinantes na regeneração de todo o complexo mucoalveolar.

Além das vantagens descritas no início desta coluna, a técnica de RAPG também promove: preservação da morfologia e estética do complexo dentoalveolar, devido à ausência de incisões relaxantes e cicatrizes, e pelo não tracionamento do retalho vestibular, que muda a linha mucogengival de posição e diminui a profundidade do vestíbulo; criação de mucosa queratinizada na crista de rebordo alveolar; diminuição do tempo de cirurgia e trauma cirúrgico, resultando em menor morbidade, por ser um procedimento tecnicamente mais simples do que as cirurgias de reconstrução óssea; eliminação do uso de barreiras de membrana e de biomateriais para enxertia, com consequente diminuição dos custos.

Somados a isto, os casos apresentados a seguir resultaram em um ganho ósseo vertical de 7,41 mm e horizontal de 5,27 mm, no topo da crista óssea. No IN 2017, apresentarei a técnica com mais detalhes, e poderemos conversar sobre os desenvolvimentos já realizados e esclarecer dúvidas.
 

Figuras 1 – Caso clínico 1. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 7,84 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 3,81 mm na crista óssea, calculadas as diferenças entre os exames de tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) inicial e final, após a RAPG.

 

Figuras 2 – Caso clínico 2. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 8,65 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 6,5 mm na crista óssea.

 

Figuras 3 – Caso clínico 3. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 8,63 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 3,03 mm na crista óssea.

 

Figuras 4 – Caso clínico 4. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 4,07 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 4,5 mm na crista óssea.

 

Figuras 5 – Caso clínico 5. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 5,27 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 6,27 mm na crista óssea.

 

Figuras 6 – Caso clínico 6, cedido pelo Dr. Luiz Roberto F. Dantas. A. Pré-extração. B. Após RAPG. Ganho ósseo vertical de 10 mm na tábua óssea bucal, e horizontal de 7,5 mm na crista óssea.

 

Referências

1. Dantas LRF, Groisman M, Vidigal Jr. GM. Prosthetically-driven alveolar reconstructions – the next step. In Complex situations on Implant Dentistry: specialized clinical solutions, eds. Rossetti PHO, Bonachela WC. São Paulo: VM Cultural Editora, 2013. p.17-31.

2. Vidigal Junior GM, Dantas LRF, Groisman M, Silva Junior LCM. Instalação de implantes imediatamente após a exodontia em áreas estéticas. São Paulo: VM Cultural Editora, 2016. Disponível em <http:www.inpn.com.br/pcp/Ebook/Livro?id=5>.

3. Araújo M, Lindhe J. O rebordo alveolar edêntulo. Em: Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan AS, 2008. p.55-60.

 


Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 

 

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