Publicado em: 07/04/2017 às 12h50

Decifra-me ou devoro-te! Mesmo?

Em editorial, Paulo Rossetti e Antonio W. Sallum destacam a importância do bom questionamento.

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Para que servem as perguntas? Para crescer? Sim. Mas, o ponto fundamental está em como se pergunta. Afirmações não são perguntas, e ideias pré-concebidas também não. Na Medicina baseada em evidências, existe até uma forma estruturada de se perguntar.

Grandes perguntas já ganharam o prêmio Nobel. É claro, não se formula uma pergunta em cinco minutos. No máximo, se faz um comentário. Uma boa pergunta é fruto de uma introspecção/reflexão equilibrada sobre os fatos disponíveis e a suposição de um provável cenário. É um grande exercício, reconhecidamente difícil.

Todo ser humano tem a capacidade de perguntar. Para isso, bons exemplos são fundamentais. Professores que conseguem despertar a curiosidade nos seus alunos geram bons perguntadores. O perguntador não treinado de hoje poderá ser um bom perguntador amanhã. Entretanto, o inverso também é possível quando não se tem clareza no raciocínio. Em 99% das vezes, a falta de nitidez nas perguntas provoca “faíscas”. Passa-se do campo objetivo para o campo emocional. “Ataca-se” a pessoa, e não o motivo. Em outras ocasiões, o recebedor se coloca em modo automático de defesa, tendo a impressão de que o zumbido de uma abelha se compara ao rugido de um felino. Daí, a chance de estabelecer um diálogo e realmente crescer é jogada embaixo do tapete. Perdem os dois lados.

Todo “bom” perguntador é um “grande” respondedor? Depende da circunstância. Também, bons respondedores necessitam de treinamento. Um estudante/clínico também deve ser tão bom perguntador quanto um pesquisador? Sim, e por ofício.

Nos últimos meses, fizemos muitas perguntas e fomos surpreendidos por centenas (sem resposta) dos nossos pacientes. Normal? Sim. Nosso “dicionário de resposta” é concebido ao longo do tempo. Garanto que se você olhar com sinceridade nos olhos do seu paciente e disser “não sei” ele vai acreditar. Mas, esforce-se para obter a resposta em um futuro próximo.

Em 2017, e nos próximos anos, não será diferente. Novas terapias, novos materiais e, portanto, novas (e mais) perguntas.

Vamos nos preparar. Boa leitura!
 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico de Periodontia da ImplantNewsPerio

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