Publicado em: 01/06/2017 às 17h37

Biomateriais, uma discussão responsável

Julio Cesar Joly ressalta a evolução no debate sobre materiais odontológicos causadas pelos biomateriais.

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Há poucos anos, a discussão sobre materiais odontológicos limitava-se exclusivamente ao entendimento das propriedades e características dos principais materiais restauradores, entretanto, o cenário atual é bem mais abrangente, diante de um capítulo absolutamente fascinante relacionado aos biomateriais.

Os avanços a passos largos da Engenharia Tecidual direcionam para grandes investimentos em pesquisas científicas nesta área. O número de publicações (básicas e aplicadas) em diferentes modelos experimentais chega a impressionar. Certamente, estamos diante da “ponta de um novelo” que está mudando – e mudará muito mais – os rumos de todas as ciências biológicas.

Se considerarmos a importância dos biomateriais no cenário odontológico dos anos vindouros, devemos refletir sobre o melhor modelo curricular para discussão desse tema. Tratá-lo de forma superficial em disciplinas clínicas limitará o entendimento crítico das bases biológicas, mas, por outro lado, centralizar a discussão em uma disciplina básica talvez dificulte a compreensão das aplicações clínicas. O ponto de equilíbrio representa sempre o melhor caminho.

Há uma gama infindável de biomateriais disponíveis no mercado odontológico (substitutos ósseos e de tecidos moles, barreiras biológicas, implantes, moduladores biológicos, fatores de crescimento etc.) capazes de proporcionar benefícios clínicos inestimáveis. Indicá-los apropriadamente representa um desafio, dependente da individualização das características anatômicas dos defeitos teciduais. No entanto, o grande dilema é selecioná-los com segurança a partir de sólidas evidências científicas.

Se por um lado existem companhias consolidadas que investem responsavelmente no desenvolvimento e na experimentação de seus produtos, por outro nos defrontamos com dezenas de “fabriquetas de fundo de quintal” que se aventuram a distribuir produtos biológicos sem testá-los com a devida seriedade. Pior: induzem, através de propagandas enganosas, à inadvertida utilização.

Será que vale a pena correr riscos desnecessários? Será que temos o direito de expor os pacientes a experiências que podem ser frustrantes? Não parece razoável pautarmos nossas escolhas em catálogos comercias ou na economia ilusória de alguns centavos. Sejamos críticos e éticos, fundamentando nossas decisões sempre em evidências científicas e na segurança clínica. Se valorizarmos o bem-estar dos pacientes, garantiremos a tranquilidade do nosso sono – e isso realmente não tem preço.
 

Figuras 1 e 2 – Aspecto clínico e tomográfi co inicial. Observar o extenso defeito vestibular do 21.

 

Figuras 3 e 4 – Tratamento reconstrutivo com implante e biomateriais (barreira de colágeno e matriz mineral bovina).

 

Figuras 5 e 6 – Aspecto clínico e tomográfico após quatro anos, mostrando a completa reconstrução alveolar e estabilidade de resultados.

 

Caso publicado no livro Perio-Implantodontia Estética (2015). Reabilitação realizada pelo protesista Victor Clavijo. TPDs: Leonardo Bocabella e Cristiano Soares.

 


Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

 

 

 

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