Publicado em: 02/06/2017 às 11h06

Comprometimento estético por implantes vestibularizados: como tratar?

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior apresenta casos clínicos para indicar as três opções de tratamento.

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Uma das principais causas do resultado estético inadequado é o posicionamento incorreto do implante instalado na região anterior da maxila, no sentido vestibulopalatino. Quando lidamos com situações como esta, existem três opções de tratamento: remover o implante (caso clínico 1); planejar um enxerto de tecido conjuntivo (ETC), caso clínico 2; ou instalar o implante corretamente, evitando o erro de posicionamento (caso clínico 3).

Entretanto, às vezes, há dúvidas sobre quando aplicar as formas de tratamento. Um dos fatores determinantes da escolha terapêutica é a distância que a borda vestibular do implante está da linha imaginária traçada das faces vestibulares dos dentes vizinhos, sempre observando com vista oclusal. Para explicar de forma mais clara, acompanhe os casos clínicos a seguir.
 

Caso clínico 1

Observar o comprimento cérvicooclusal aumentado devido ao posicionamento vestibulopalatino inadequado (Figura 1A). Consequentemente, o pilar protético ficou projetado para vestibular (Figura 1B). A Figura 1C mostra o topo do implante posicionado vestibularmente à linha imaginária que une o ângulo distovestibular do elemento 12 até o ângulo mesiovestibular do elemento 14. A imagem transaxial da tomografia evidencia o posicionamento vestibulopalatino inadequado (Figura 1D). Em casos como este, sempre que o implante invade esta linha imaginária, para a estética, a melhor forma de tratamento é a sua remoção. Esta poderá ser feita sem incisões relaxantes ou retalhos, utilizando simplesmente o implant retriever e uma chave de torque manual (Figura 1E). Após a remoção, a cavidade foi preenchida com biomaterial substituto ósseo e o alvéolo foi fechado com ETC (Figura 1F). Após nove meses, é possível observar o resultado clínico (Figura 1G) e a formação óssea (Figura 1H).

Figuras 1

 

Caso clínico 2

Presença de um pequeno orifício, próximo à margem gengival, causado pela pouca espessura da mucosa (Figura 2A). A vista oclusal mostra o topo do implante “tocando” a linha imaginária que une o ângulo distovestibular do elemento 11 até o ângulo mesiovestibular do elemento 13 (Figura 2B). Nestes casos, o ETC é uma boa possibilidade terapêutica, antes de pensar na remoção do implante. Uma incisão intrasulcular é feita com o objetivo de criar um envelope submucoso (Figura 2C) para receber o ETC, que foi removido do palato (Figura 2D). Após posicionar o ETC, são realizadas as suturas (Figura 2E). Na Figura 2F, é possível observar a cicatrização após quatro meses. As Figuras 3 mostram o posicionamento vestibulopalatino ideal em áreas estéticas. 3A. Cirurgia de reentrada, na qual a borda vestibular do implante está 2 mm aquém da linha imaginária que une os ângulos mesiovestibulares dos dentes 11 e 22. 3B. Observar 2 mm de osso vestibularmente ao implante.

Figuras 2
Figuras 3

 

Caso clínico 3

Aspecto clínico inicial (Figura 4A) do elemento 11 com trinca radicular vertical. Remoção do elemento 11 (Figura 4B) e perfuração do osso palatino para instalação do implante, com o auxílio do guia cirúrgico (Figura 4C). A Figura 4D mostra o implante instalado 3 mm abaixo da margem gengival (posição cérvico-apical ideal). Vista oclusal do implante na posição vestibulopalatina ideal, a 2 mm dos dentes vizinhos (Figura 4E). Após a instalação do implante com torque de 35 Ncm, foi colocado o pilar de zircônia (Figura 4F) e a coroa provisória cimentada (Figura 4G). A Figura 4H mostra a coroa definitiva.

 

Figuras 4                                                           
Evitar o erro de posicionamento vestibulopalatino é a melhor opção de tratamento. Para isso, é fundamental entender a importância da relação sagital da raiz com o osso alveolar, conforme a abordagem feita nesta coluna na edição 1 (jan/fev de 2016). Na relação mais favorável (com prevalência em torno de 85% dos casos), o implante deve ser instalado na parede palatina do alvéolo, evitando a perfuração no fundo do alvéolo (Figura 5), que leva ao posicionamento mais vestibular e torna difícil a obtenção de 2 mm de osso vestibularmente ao implante. Além disto, é necessário ter muito cuidado nos 15% com anatomia óssea desfavorável. Nesta imagem oclusal, a perfuração correta é a mais palatina; a do fundo do alvéolo é incorreta.
                                               Figura 5



REFERÊNCIA

• Saadoun AP, LeGall M, Touati B. Selection and ideal tridimensional implant position for soft tissue aesthetics. Pract Periodont Aesthet Dent 1999;11:1063-72.

 


Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 

 

 

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