Publicado em: 14/04/2014 às 14h33

Bifosfonatos e os cuidados na colocação de implantes

Os doutores José Flavio Ribeiro Torezan e Ana Paula Zanchenko Fonseca falam sobre o assunto.

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Nos últimos dez anos, uma preocupação tem tirado o sono de alguns implantodontistas que trataram pacientes que fizeram uso dos medicamentos bifosfonatos. Esses medicamentos são indicados por médicos que os prescrevem para osteoporose ou doenças do metabolismo ósseo (doença de Paget e osteogênese imperfeita). Ainda, alguns oncologistas os prescrevem na terapia de mieloma múltiplo, alguns tumores de próstata e de mama, associados a outras drogas antineoplásicas e antimitóticas, o que pode causar efeitos ainda mais nocivos aos ossos maxilares do que só o uso dos bifosfonatos isoladamente.

Um dos efeitos colaterais da terapia com bifosfonatos é que afetam consideravelmente e particularmente a fisiologia óssea dos processos alveolares da maxila e mandíbula. Eles tornam-se, em alguns pacientes, muito mais corticalizados e, por consequência,  muito menos vascularizados. Assim, em circunstâncias espontâneas ou induzidas por traumatismos cirúrgicos (como por exemplo, a exodontia ou instalação de implantes), podem expor áreas de necrose óssea.

Essa patologia adquirida foi nominada de necrose óssea associada aos bifosfonatos, em inglês Bionj (Bisphosphonate Induced Osteonecrosis of the Jaws) ou Bronj (Bisphosphonate Related Osteonecrosis of the Jaws).

Existem várias formulações, como o alendronato, o pamidronato, o zolendronato, o risedronato e o etidronato. Têm mecanismos de ação semelhantes, porém, indicações e efeitos diferentes. Assumem nomes comerciais, como Aredia, Zometa, Actonel, Fosamax, ou Didronel.

A osteonecrose associada ao uso dos bifosfonatos caracteriza-se como uma exposição de osso necrótico através da mucosa, podendo estar ou não associada à infecção.

Essa exposição geralmente não se repara, mesmo após semanas ou meses de sua detecção. Entre os sinais e sintomas, pode-se citar dor, inchaço, parestesia, anormalidades inespecíficas e supuração.

A Associação Americana de Cirurgia Bucomaxilofacial classificou essa patologia em três graus:

I: Exposição de osso necrótico assintomática, sem evidências de infecção.

II: Exposição de osso necrótico com infecção, dor ou eritema, com ou sem supuração.

III: Exposição de osso necrótico com dor, infecção e fratura patológica e/ou fistula orocutânea se estendendo pela borda inferior da mandíbula.

Visto ser um problema tão importante, alguns cuidados devem ser tomados ao tratar esses pacientes:

Anamnese sempre deve ser rigorosa, sobretudo em relação aos medicamentos em uso e tratamentos de saúde relevantes na vida do paciente.

Uma vez que o paciente faça uso desses medicamentos, fica imprescindível o diálogo entre o médico e o cirurgião-dentista.

O efeito dos bifosfonatos nos ossos maxilares pode durar anos; portanto, cabe o bom senso do profissional em realizar ou não os procedimentos invasivos, em especial, na mandíbula. Para isso, o termo de consentimento informado deve ser sempre preenchido e assinado pelo paciente, sabendo esse dos riscos de ocorrer a osteonecrose e seus efeitos deletérios nos maxilares.

O profissional deve também se aprimorar em conhecer e tratar complicações das cirurgias de implantes. Não basta saber realizar os procedimentos cirúrgicos, mas também saber tratar, com maestria, suas complicações.

A regra é estudar sempre!

 

Referências

• Rodrigues F, Carrion SJ, Mármora BC, Silva MBF. Um levantamento feito com questionários sobre o uso, as indicações e o grau de osteonecrose associada aos bifosfonatos na cidade de Porto Alegre – Brasil. ImplantNews 2014;11(1):69-76.

• American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons position paper on bisphosphonate-related osteonecrosis of the jaws. J Oral Maxillofac Surg 2007;65(3):369-76.

• Assael LA. Oral bisphosphonates as a cause of bisphosphonate- related osteonecrosis of the jaws: clinical fi ndings, assessment of risks, and preventive strategies. J Oral Maxillofac Surg 2009;67(5 Suppl):35-43.

• Marx RE. Oral and Intravenous Bisphosphonate – Induced Osteonecrosis of the Jaw: History, Etiology, Prevention, and Treatment, Second Edition. Quintessence, 2011.

 

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