Publicado em: 14/08/2017 às 16h22

O uso dos bifosfonatos e os ossos de porcelana

Na Odontologia, os bifosfonatos são apontados como os principais fatores nos processos de necrose óssea dos maxilares.

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Por Paulo Henrique Orlato Rossetti


Todo ser humano passa por mudanças estruturais na medida em que envelhece, e uma delas é a perda da densidade óssea. Na Medicina, esse fator tem sido combatido pelo uso dos bifosfonatos, sobretudo em mulheres na menopausa. Na Odontologia, os bifosfonatos são apontados como os principais fatores nos processos de necrose óssea dos maxilares. Conforme as últimas recomendações da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS), pacientes que estão há muito tempo sob essa terapia só devem sofrer intervenção odontológica invasiva (extração, implantes dentários etc.) quando for realmente necessário.

Voltando à Medicina, não é a quantidade de tapetes na casa dos seus avós que vai aumentar o número de quedas. Existe uma coisa chamada fratura atípica do fêmur, que, por muito tempo, os mecanismos que a geravam eram desconhecidos. Bem, isso foi até agora. Um estudo recente publicado na revista norte-americana PNAS mostra que a fratura atípica do fêmur é causada pela redução na sua tenacidade – em outras palavras, a capacidade que todo material tem de resistir à propagação da fratura, ou seja, abertura de uma trinca. Este fenômeno é o grande responsável pelas falhas nas porcelanas odontológicas.

Através de biopsias, microtomografia computadorizada e exames de nanoindentação em pacientes do sexo feminino com 6-8 anos de terapia medicamentosa, os pesquisadores de Nova York e da Califórnia propõem uma solução ao problema: o osso destes pacientes tem maior dureza e mineralização em seus córtices (produto do bifosfonato), mas a intensidade do estresse aplicado para propagar a trinca é muito menor (ela “anda mais rápido” com uma força leve). Isto significa fratura por fadiga. Ainda, a tortuosidade desta trinca também é menor (a intensidade do estresse não é reduzida por mecanismos externos), e na radiografia do quadril a fratura realmente tem um aspecto transverso-plano, indicativo também de falha por fadiga.

Resumindo, em algum ponto da vida, todos nós teremos nossos “ossos de porcelana”. O ponto principal: continua sendo mais fácil (e muito menos incomodativo) trocar o que está na cavidade bucal.

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