Publicado em: 14/08/2017 às 16h31

Cinco perguntas para Adriano Forghieri

A cada edição, um grande nome da Odontologia é convidado para responder cinco perguntas sobre temas que envolvem o setor e a profissão.

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Implantodontista que durante sete anos presidiu a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) e estava à frente do maior evento do setor do Brasil, o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp). Recentemente, ele assumiu um novo desafio: é diretor geral da Faculdade de Odontologia da APCD, que está em seu primeiro ano de funcionamento.
 
1. Como você conciliou suas atividades de implantodontista e a condução de projetos enormes que afetam toda a Odontologia, como a organização do Ciosp, o lançamento da Faoa e inúmeras outras iniciativas da APCD?
Adriano Forghieri – Uma das primeiras grandes decisões na vida é a escolha da carreira, que normalmente é baseada em vocação, inclinação e expectativa. Como cirurgião-dentista, busquei me especializar e, posteriormente, busquei a satisfação da vida acadêmica, que permite multiplicar o conhecimento. Foi a partir de uma visão global da Odontologia que aceitei o desafio de colaborar com a APCD, a qual presidi por sete anos (até junho de 2017) e sempre busquei oferecer o melhor possível a todos os associados e à classe odontológica em geral. Somado a isso, um dos maiores segredos da APCD é o capital humano. Em minha gestão, tive o apoio e a dedicação da diretoria e dos conselhos da entidade. De modo mais abrangente, a associação sempre contou com cirurgiões-dentistas e colaboradores de outras áreas engajados com o fortalecimento da classe, que zelam pelo aprimoramento e cuidam de cada detalhe para que se trabalhe da melhor maneira possível. É por isso que hoje em dia temos um dos principais congressos de Odontologia do mundo todo, uma instituição de ensino superior e ainda tanto a fazer pelos cirurgiões-dentistas e, consequentemente, pela população que se beneficia com profissionais mais bem preparados e valorizados no mercado.
 
2. O Ciosp vem obtendo bons resultados nos últimos dez anos. Considerando o tamanho do mercado brasileiro, você considera que o evento teria atingido o seu patamar limite ou ainda existe potencial para crescimentos expressivos?
AF – Não existem limites quando o mercado está sempre em transformação. Se hoje somos quase 285 mil cirurgiões-dentistas, quantos seremos no ano que vem, depois de tantos jovens ingressarem neste mercado de trabalho? De outra parte, com a indústria se aperfeiçoando cada vez mais, propondo novas técnicas, equipamentos e produtos, é preciso estar atento às mudanças, sempre buscando atualização e pioneirismo. Sendo assim, não existe um limite para o Ciosp. O que existe é uma situação político-econômica que castigou muito o povo brasileiro em anos recentes e que, apesar de acenar com melhoras, ainda é muito incerta. Como categoria, os cirurgiões-dentistas têm até mesmo superado nossas expectativas diante da crise nacional, já que continuam investindo em conhecimento e tecnologia – tanto que o temário do próximo Ciosp (Ciência e clínica: combinação perfeita) é focado no futuro e no potencial de crescimento da Odontologia. O evento acontecerá entre os dias 31 de janeiro e 3 de fevereiro de 2018, com muitas novidades para a categoria, afinal as pesquisas são constantes e existe sempre uma melhor técnica ou uma nova tecnologia que facilita a rotina do profissional e aperfeiçoa sua atividade.
 
3. A criação da Faoa coloca a APCD em uma posição muito privilegiada em relação à nova legislação para cursos de pós-graduação. Você acredita que outras entidades da Odontologia conseguirão criar suas próprias faculdades?
AF – A APCD sempre teve como missão contribuir para que toda aclasse odontológica, principalmente seus associados, tivesse acesso ao conhecimento de ponta. Durante mais de 60 anos, nossas EAPs (Escolas de Aperfeiçoamento Profissional) atuaram incessantemente na capacitação e na formação de cirurgiões-dentistas especialistas. Para atender às necessidades e exigências da legislação em vigor, que determina que somente instituições de ensino superior estão habilitadas a ofertar os cursos de pós-graduação credenciados junto ao MEC, a APCD criou a Instituição de Ensino Superior e Pesquisas (Iesp), inaugurando a Faoa com nota máxima do MEC (conceito 5). Não se trata, então, de oportunidade, mas de vocação. A APCD sempre teve vocação ao ensino e transmissão de conhecimento.
 
4. Qual é o futuro dos cursos de especialização, na sua avaliação?
AF – Assim como em qualquer outra profissão que representa uma categoria de classe forte e coesa, em que o sucesso profissional está intrinsecamente relacionado ao conhecimento adquirido e constantemente renovado, os cursos de especialização são fundamentais, principalmente do ponto de vista da população, que tem acesso a uma Odontologia de ponta, uma das melhores do mundo, aqui no Brasil.
 
5. Quais são seus planos pessoais para os próximos dez anos? Você gostaria de ser lembrado como um grande implantodontista, um grande professor ou como um grande dirigente?
AF – Depositei meu amor pela profissão e meu empenho pessoal em tudo o que me propus a fazer até hoje. Se no começo da carreira meu foco era minha própria formação, logo depois meu foco foi ampliado com a necessidade de transmitir todo o conhecimento adquirido. Uma vez professor, sempre professor. Em anos mais recentes, na linha de frente da APCD, consegui ampliar ainda mais meu foco, contribuindo direta e indiretamente para a formação e capacitação de centenas de cirurgiões-dentistas, bem como para o relacionamento entre a indústria e a categoria. Mas, como ainda sou jovem, é cedo demais para definir como quero ser lembrado. Talvez, como um profissional que ama o que faz e que se preocupa com seus pares, para que alcancem também o mesmo grau de satisfação que tenho hoje.
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