Publicado em: 14/08/2017 às 16h33

Desastres estéticos em reabilitações implantossuportadas

Julio Cesar Joly explica que o sucesso em Implantodontia estética vai além da sobrevivência de implantes osseointegrados.

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O crescente número de casos envolvendo complicações funcionais, biológicas e, principalmente, estéticas representa atualmente uma das grandes preocupações relacionadas às reabilitações implantossuportadas em áreas anteriores. Infelizmente, devemos entender que esse promissor e sombrio capítulo da Implantodontia fará parte da nossa prática clínica diária. Ainda necessitamos de mais evidências para uma discussão cientificamente sustentada, no entanto, o acúmulo de experiências clínicas não deixa dúvidas deque devemos nos preparar para enfrentar esses desafios. Pode parecer pessimismo, mas acredite: os próximos anos serão dedicados aos retratamentos de casos sequelados por implantes. Tal cenário é reflexo da banalização da Implantodontia diante da pobre formação técnico-científica de milhares de profissionais.
 
Os maiores desastres estéticos são decorrentes da falta de planejamento reverso, capaz de visualizar a finalização protética como o objetivo maior das reabilitações implantossuportadas. As limitações restauradoras, ou até mesmo a impossibilidade de conduzi-las, são simplesmente consequências de fracassos pregressos, comumente associados a erros no posicionamento tridimensional dos implantes, àpresença de deficiências teciduais (óssea e/ou de tecido mole) não corrigidas e ao manejo protético incorreto (nas fases clínica e/ou laboratorial). Esses três pilares da Implantodontia estética podem se apresentar isolados ou sobrepostos na mesma condição clínica, potencializando a magnitude das catástrofes. Sem dúvida, dentre esses aspectos, o posicionamento tridimensional é o mais crítico, pois, além de exercer forte influência nos demais, é o fator decisivo para a definição da melhor opção terapêutica para cada caso. Nossas decisões devem partir de uma avaliação minuciosa, utilizando recursos clínicos (análise visual e sondagem) e de imagens (radiografia e tomografia). Algumas vezes devemos considerar que a remoção da prótese pré-existente (provisória ou definitiva) é decisiva para a confirmação do posicionamento do implante.
 
Os problemas biológicos decorrentes da contaminação bacteriana são discutidos há muito tempo, diante de inúmeras publicações que focam o entendimento das características microbiológicas das doenças peri-implantares e os possíveis protocolos terapêuticos. No entanto, nessas situações tardias, as dificuldades se sobrepõem, pois, além da própria descontaminação, que por si só já representa um enorme desafio, precisamos interpretar as possibilidades de manejo das sequelas teciduais. Implantes com posicionamento adequado podem ser mantidos desde que não apresentem peri-implantite e que seu aproveitamento seja proteticamente viável. Já os implantes com posicionamento inadequado (demasiadamente vestibularizados ou superficiais) devem ser removidos. Em um primeiro momento, esse caminho da explantação pode parecer radical e invasivo, mas, na maioria das vezes, é o melhor para uma resolução qualificada.
 
Além da interpretação desses fatores anatômicos e biológicos, é importante entender o perfil e as expectativas de cada paciente para estabelecer um plano de tratamento individualizado ou até mesmo para contraindicar possíveis tratamentos, pois quase sempre são pacientes frustrados com as experiências pregressas e ansiosos por uma resolução rápida e efetiva. Frequentemente, são tratamentos longos e que devem ser conduzidos em várias etapas. Jamais prometa o que não pode cumprir e, acima de tudo, entenda os limites técnicos e biológicos de cada caso.
 
Devemos admitir que atualmente o sucesso em Implantodontia estética vai muito além da sobrevivência de implantes osseointegrados.
 
Desastres estéticos em reabilitações implantossuportadas estéticas. Imagens publicadas no livro Perio-Implantodontia Estética (2015).

 

 


Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

 

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