Publicado em: 14/08/2017 às 16h34

Palavra-chave: preservação alveolar

O que acontece com o alvéolo após a exodontia? Devo preservar ou reconstruir um alvéolo? Elcio Marcantonio Junior e Fausto Frizzera respondem.

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O que acontece com o alvéolo após a exodontia?
O alvéolo passa por um processo de remodelação óssea, que resulta na sua cicatrização e perda parcial do seu volume. O resultado desses eventos biológicos é representado pela perda substancial da parede vestibular em altura e espessura1. Normalmente, o alvéolo íntegro apresenta uma redução aproximada de 50% de espessura, podendo ser superior a 4 mm e dificultar a reabilitação do paciente2.
 
Devo preservar ou reconstruir um alvéolo?
A preservação ou reconstrução do alvéolo pode ser interessante, dependendo da integridade e da espessura das paredes ósseas e/ou do remanescente ósseo presente. Um consenso estabelecido em 20073 relata que alvéolos íntegros com paredes espessas (> 2 mm) não demandam nenhum tipo de enxertia, e o coágulo por si só seria capaz de limitar a perda volumétrica do rebordo. Já alvéolos de dentes anteriores íntegros ou alvéolos comprometidos devem ser enxertados para evitar a reabsorção tecidual e aumentar a previsibilidade para instalação de um implante na posição adequada4.
 
Quanto tempo após a extração podemos instalar um implante no alvéolo?
Cronologicamente, a implantação do alvéolo pode ser realizada dessa maneira5:
 
1 – Imediata: instalação do implante logo após a exodontia;
 
2 – Precoce: implantação após cobertura completa do alvéolo com tecido mole (1-2 meses);
 
3 – Mediata: implantação após cicatrização substancial do tecido ósseo (3-4 meses);
 
4 – Tardia: implante instalado após cicatrização completa do alvéolo (> 4 meses).
 
A literatura científica6 não determina qual tipo de tratamento é superior, considerando como possibilidades de tratamento que trarão resultados clínicos e biológicos equivalentes. A maioria dos estudos, entretanto, não avalia tempo de tratamento, custos, número de cirurgias e satisfação do paciente de acordo com cada tipo de implantação.
 
Figura 1 – Aspecto de um alvéolo dentário e de uma área remodelada. Imagem realizada no laboratório de Anatomia da Faesa Centro Universitário.

 

Quando instalar um implante imediato?
O implante pode ser instalado imediatamente após a exodontia, desde que o profissional possua treinamento e consiga instalá-lo na posição tridimensional ideal. O paciente deve se apresentar sistemicamente saudável (ou ao menos controlado) com remanescente ósseo suficiente, avaliado por uma tomografia computadorizada, para ancoragem do implante na parede palatina7. Falhas durante o procedimento cirúrgico podem gerar resultados catastróficos e dificultar a reabilitação do caso.
 
Como conseguir resultados de excelência na reabilitação imediata de alvéolos com implantes?
Além de realizar um adequado diagnóstico e planejamento, é necessário instalar o implante pelo menos 2 mm distante (em alvéolos íntegros) da parede óssea vestibular ou 3 mm da gengiva vestibular (em alvéolos comprometidos)8. O espaço ou gap entre implante e porção vestibular deve ser preenchido com biomaterial de reabsorção lenta, e precisa ser utilizado enxerto de tecido conjuntivo espesso (> 1,5 mm) em pacientes que apresentam biotipo fino ou defeito ósseo vestibular9. Para facilitar a manutenção da arquitetura tecidual, um provisório sem contatos oclusais pode ser instalado sobre o implante, se apresentar torque de inserção > 32 Ncm. Na região subgengival, o provisório deve apresentar um contorno côncavo para evitar a compressão dos enxertos e do tecido mole vestibular. Seguindo esse protocolo, é possível manter a posição da margem do tecido mole vestibular ou até promover a migração do tecido em direção coronal10.
 
 
Referências
 
1. Araújo MG, Lindhe J. Dimensional ridge alterations following tooth extraction. An experimental study in the dog. J Clin Periodontol 2005;32(2):212-8.
 
2. Tan WL, Wong TL, Wong MC, Lang NP. A systematic review of post-extractional alveolar hard and soft tissue dimensional changes in humans. Clin Oral Implants Res 2012;23(suppl.5):1-21.
 
3. Belser U, Martin W, Jung R, Hammerle CHF, Schmid B, Morton D et al. ITI Treatment Guide, vol. 1: implant therapy in the esthetic zone. Single-tooth replacements. Berlin: Quintessence Publishing Co. Ltd., 2007.
 
4. Roe P, Kan JY, Rungcharassaeng K, Caruso JM, Zimmerman G, Mesquida J. Horizontal and vertical dimensional changes of peri-implant facial bone following immediate placement and provisionalization of maxillary anterior single implants: a 1-year cone beam computed tomography study. Int J Oral Maxillofac Implants 2012;27(2):393-400.
 
5. Hammerle CH, Chen ST, Wilson Jr. TG. Consensus statements and recommended clinical procedures regarding the placement of implants in extraction sockets. Int J Oral Maxillofac Implants 2004;19(suppl.):26-8.
 
6. Esposito M, Grusovin MG, Polyzos IP, Felice P, Worthington HV. Interventions for replacing missing teeth: dental implants in fresh extraction sockets (immediate, immediate-delayed and delayed implants). Cochrane Database Syst Rev 2010;9:CD005968.
 
7. Chu SJ, Salama MA, Salama H, Garber DA, Saito H, Sarnachiaro GO et al. The dual-zone therapeutic concept of managing immediate implant placement and provisional restoration in anterior extraction sockets. Compend Contin Educ Dent 2012;33(7):524-34.
 
8. Rosa AC, da Rosa JC, Dias Pereira LA, Francischone CE, Sott o-Maior BS. Guidelines for selecting the implant diameter during immediate implant placement of a fresh extraction socket: a case series. Int J Periodontics Restorative Dent 2016;36(3):401-7 (doi: 10.11607/prd.2381).
 
9. Kan JY, Rungcharassaeng K, Lozada JL, Zimmerman G. Facial gingival tissue stability following immediate placement and provisionalization of maxillary anterior single implants: a 2- to 8-year follow-up. Int J Oral Maxillofac Implants 2011;26(1):179-87.
 
10. Frizzera F, Moreno R, Munoz-Chavez O, Cabral G, Shibli J. Impact of soft tissue grafts to reduce peri-implant alterations after immediate implant placement and provisionalization in compromised sockets. Int J Periodontics Restorative Dent (accepted for publication jan/2017).
 
 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 

Colaboração:

Fausto Frizzera

Especialista e mestre em Periodontia, e doutor em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor titular de Periodontia e Implantodontia da Faesa; Professor do aperfeiçoamento e da especialização em Implantodontia – ABO/ES.

 

 

 

 

 

 

 

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