Publicado em: 14/08/2017 às 16h37

Como ganhar altura e espessura de mucosa peri-implantar em cirurgia minimamente invasiva

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior lembra que a mucosa peri-implantar influencia diretamente o resultado estético do tratamento.

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Assim como a gengiva nos dentes, a mucosa peri-implantar é um fator determinante para a longevidade e o sucesso do tratamento com implantes. Porém, em grande parte dos casos, ela não recebe a mesma atenção que o tecido ósseo nas etapas pré, trans e pós-cirúrgicas. Como ela influencia diretamente o resultado estético do tratamento, principalmente nas regiões anteriores das arcadas1, deve ter a merecida atenção.

A literatura frequentemente aborda o efeito das dimensões da mucosa peri-implantar de forma dicotômica: alguns autores avaliaram a espessura vestibulopalatina (VL) e outros avaliaram a altura cérvico-oclusal (CO), isto tem limitado o desenvolvimento de técnicas holísticas de manipulação tecidual. Os estudos que avaliaram o efeito da espessura (VL) da mucosa sobre o desenvolvimento da retração em implantes2-3 e em dentes4 mostraram que áreas com espessura fina de mucosa, menor do que 1 mm, sofrem maior retração da margem da mucosa do que áreas espessas. Outros estudos avaliaram a relação da altura da mucosa (CO) com a retração. Dentre eles, destaca-se um5 que mostrou maior retração após a cirurgia de reentrada em áreas que possuíam uma altura CO menor, em torno de 2 mm, devido à necessidade de remodelação (perda) da crista óssea para acomodar a formação de um novo espaço biológico de 3,5 mm.

Figura 1 – Vista oclusal mostrando perda da convexidade da maxila, revelando perda de espessura vestibular na região do 22.

 

Figura 2 – Duas incisões parapapilares unidas por uma incisão localizada na altura dos ângulos mesiopalatino e distopalatino dos dentes vizinhos.


Com o objetivo de obter condições ideais de mucosa peri-implantar, em áreas unitárias com defi ciências dimensionais do tecido mucoso (Figura 1), sugiro a técnica do Retalho Mucoso Holístico. Nela, são feitas duas incisões parapapilares afastadas 2 mm dos dentes vizinhos, iniciando nos ângulos mesiovestibular e distovestibular, e estendendo-se até a linha imaginária que une os ângulos mesiopalatino e distopalatino dos dentes vizinhos (Figura 2).

Figura 3 – Após o deslocamento do retalho mucoperiosteal, um envelope submucoso é criado usando-se uma lâmina de bisturi no 15C.

 

Figura 4 – Uma suave incisão é feita na parte interna do pedículo, na altura da futura margem da mucosa, que foi previamente determinada. Esta incisão permitirá dobrar o retalho para dentro do envelope e estabelecer a altura da futura margem gengival.


Em seguida, o retalho mucoperiosteal é deslocado da palatina para a vestibular e é criado um espaço (envelope submucoso) dividindo a mucosa no aspecto vestibular do rebordo (Figura 3), por meio de uma lâmina de bisturi no 15C, bisturi oftalmológico ou lâminas do kit de tunelização. Na parte interna do pedículo (Figura 4), uma leve incisão é feita na altura da futura margem da mucosa, previamente estabelecida.

Figura 5 – Retalho dobrado é suturado com fio de nylon 6-0.

 

Figura 6 – O cicatrizador foi instalado e é possível observar o ganho em espessura (VL).

 

A altura desta incisão, na parte interna do pedículo, nunca deverá se situar acima da linha imaginária que une o pico das papilas gengivais dos dentes vizinhos. Então, o retalho é dobrado e uma sutura em colchoeiro horizontal é feita com fio de sutura de nylon 6-0 (Figura 5). Após a sutura, poderá ser instalada uma coroa provisória ou um cicatrizador (Figura 6). Desta forma, pode-se estabelecer a altura da margem da mucosa peri-implantar e, ainda, obter uma espessura da mucosa peri-implantar igual ou maior do que 4 mm, sem a necessidade de técnicas com maior morbidade ou envolvendo uma segunda área cirúrgica, como o enxerto de tecido conjuntivo do palato ou da tuberosidade.

 


REFERÊNCIAS

1. Vidigal Jr. GM, Groisman M, Clavijo VGR, Santos IGBP, Fischer RG. Evaluation of pink and white esthetic scores for immediately placed and provisionally restored implants in the anterior maxilla. Int J Oral Maxillofac Implants 2017;32:625-32.

2. Kan JYK, Rungcharassaeng K, Morimoto T, Lozada J. Facial gingival tissue stability after connective tissue graft with single immediate tooth replacement in the esthetic zone: consecutive case report. J Oral Maxillofac Surg 2009;67:40-8.

3. Kan JYK, Morimoto T, Rungcharassaeng K, Roe P, Smith DH. Gingival biotype assessment in the esthetic zone: visual versus direct measurement. Int J Period Rest Dent 2010;30:237-43.

4. Novaes AB, Novaes Jr. AB, Goldman HM, Ruben MP. The development of the periodontal cleft . J Periodontal 1975;46:701-9.

5. Berglundh T, Lindhe J. Dimensions of the peri-implant mucosa. Biological width revisited. J Clin periodontol 1996;23:971-3.

 


Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

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