Publicado em: 06/10/2017 às 09h49

A L-PRF é eficiente para potencializar a regeneração óssea?

Luis Antonio Violin Pereira detalha as características da fibrina leucoplaquetária.

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aplicação de fatores de crescimento, células e fibrina (obtidos a partir do sangue do próprio paciente), combinados a biomateriais, tem sido descrita na literatura como um dos procedimentos para potencializar o aumento ósseo. Historicamente, o procedimento mais estudado foi o plasma rico em plaquetas (PRP) que, após anos de investigação, não apresentou um benefício significativo para a regeneração óssea. Foi com essa justificativa que o Conselho Federal de Medicina, em 2015, resolveu considerar o PRP como um “procedimento experimental, só podendo ser utilizado em experimentação clínica dentro dos protocolos do sistema CEP/Conep” (resolução CFM no 2.128/2015).
 
Já a fibrina leucoplaquetária – fibrina rica em leucócitos e plaquetas (L-PRF) ou simplesmente PRF (fibrina rica em plaquetas) – foi descrita como uma segunda geração de obtenção autógena de elementos do sangue para aumento ósseo. Trata-se de um procedimento simplificado de manipulação sanguínea e de centrifugação, sem a necessidade de introdução de um ativador de plaquetas.
 
O uso de L-PRF para aumento ósseo se justifica pela atuação da fibrina como um osseocondutor para migração celular e angiogênese, bem como pela alta concentração de leucócitos que modelam o processo inflamatório e previnem infecções. Porém, há poucas investigações in vivo com experimentos controlados que consigam demonstrar o efeito positivo do L-PRF na regeneração óssea. Muitos estudos clínicos descrevem seu uso para aumento ósseo no assoalho do seio maxilar e em alvéolo pós-extração – defeitos que já têm uma regeneração favorável em razão da presença das paredes ósseas. Devido à ausência de grupos-controle e defeitos mais desafiadores ou de análises histológicas nos diversos estágios do processo de cicatrização, essas séries de casos clínicos não são plenamente convincentes quanto à real eficiência do L-PRF como um coadjuvante para aumento ósseo.
 
Além disso, falta padronização das investigações publicadas. As referências abaixo foram selecionadas dentre artigos científicos que demonstram ou negam a eficiência do L-PRF em diversos procedimentos.
 
 
E AGORA?
 
A possível comprovação da eficiência clínica do L-PRF na Implantodontia, baseada em critérios científicos, somente poderá ser alcançada em médio e longo prazo. A pesquisa clínica e básica seguirá seu curso tradicional nos anos subsequentes, sempre fundamentada no método científico, em experimentos bem controlados e testes clínicos minuciosamente planejados, com o objetivo de documentar de maneira segura as possíveis aplicações dessa tecnologia à prática odontológica. Por enquanto, estamos em uma área cinza com relação ao L-PRF.
 
 
 
 

Luis Antonio Violin Pereira

 

Professor associado do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Carolina Frandsen Pereira da Costa
Doutoranda no programa de pós-graduação em Biologia Celular e Estrutural do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

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