Publicado em: 06/10/2017 às 09h53

Enxertos de tecido mole nas reconstruções periodontais e peri-implantares

Julio Cesar Joly ressalta que é preciso conhecer vantagens, desvantagens e limitações de cada técnica.

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O planejamento de cirurgias plásticas periodontais e peri-implantares envolve, na maioria das vezes, o uso de enxertos de tecido mole obtidos em diferentes áreas doadoras do próprio paciente. A escolha da área doadora deve ser individualizada para cada caso, pois uma série de fatores interfere na decisão: disponibilidade e qualidade teciduais, facilidade de acesso, experiência do operador, risco cirúrgico e conforto pós-operatório. Não há uma técnica que atenda a todas as situações, portanto, é importante o entendimento das vantagens, desvantagens e limitações de cada uma delas para que possamos optar pela melhor alternativa.
 
A área doadora mais utilizada, normalmente, é a mucosa palatina devido à frequente disponibilidade, mas nem sempre ela representa a melhor alternativa, principalmente quando consideramos a limitação de espessura e a densidade tecidual. Além disso, devemos considerar a grande variabilidade anatômica dessa região, que muitas vezes restringe sua abordagem, como em palatos rasos e/ou com mucosa palatina delgada. Portanto, é importante ter uma visão abrangente que contemple o possível uso de outras áreas, como a tuberosidade maxilar e as regiões edêntulas. O objetivo terapêutico também interfere na escolha da área, visto que os enxertos se distinguem quanto à extensão e à qualidade, dependendo da região de eleição: enxertos da tuberosidade são mais espessos e densos, enquanto enxertos palatinos são mais extensos e gordurosos.
 
As complicações são mais frequentes em abordagens palatinas e podem ser divididas em trans e pós-operatórias precoces e tardias. As complicações trans e pós-operatórias precoces mais frequentes estão relacionadas ao sangramento decorrente do rompimento de pequenas arteríolas. A necrose palatina, indiscutivelmente, representa a complicação tardia mais frequente. Sua ocorrência está associada a retalho fino, deiscência de sutura e/ou traumatismo pós-operatório.
 
A frequência de necrose palatina está diretamente relacionada à curva de aprendizado, deixando de representar um problema na rotina clínica de profissionais mais experientes. Complicações hemorrágicas tardias são mais raras e podem estar relacionadas às discrasias sanguíneas não identificadas ou a traumatismos locais no pós-operatório. Refutar-se à realização dos enxertos por receio de acidentes e complicações representa um grande erro interpretativo, visto que, se as relações anatômicas e os protocolos técnicos descritos forem respeitados, os problemas são raros e passíveis de controle.
 
Em algumas situações específicas, podemos indicar os substitutos teciduais (matriz dérmica acelular ou matriz colágena). No entanto, devemos admitir que os resultados com o uso de substitutos ficam aquém dos obtidos com o uso de enxertos de tecido mole que, indiscutivelmente, são mais eficientes para a resolução de inúmeras condições clínicas no universo da Perio-Implantodontia estética.
 
Figuras 1 – Sequência de remoção do enxerto de tecido mole da região palatina pela técnica linear. Notar a remoção somente do tecido conjuntivo e a completa coaptação de bordos da ferida.

 

 

Figuras 2 – Sequência de remoção do enxerto de tecido mole da região da tuberosidade pela técnica de incisões paralelas. Notar a remoção de um enxerto misto (com banda epitelial e conjuntivo) e a coaptação de bordos da ferida. Casos publicados no livro Perio-Implantodontia Estética (2015).

 

 

 


Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

 

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