Publicado em: 06/10/2017 às 09h58

Exposição da membrana de PTFE-D durante regeneração óssea guiada

Jamil Shibli mostra que a introdução das membranas reduziu significativamente a incidência de infecções.

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Os aumentos ósseos verticais e horizontais utilizando barreiras ou membranas não reabsorvíveis sempre causam preocupação, principalmente devido às possíveis exposições ao meio bucal antes do tempo necessário para a completa maturação tecidual. Nesta coluna, já discutimos a exposição das telas de titânio (ImplantNewsPerio volume 1, número 2) e as dificuldades dos aumentos verticais (ImplantNewsPerio volume 2, número 4). Recentemente, com a reintrodução das membranas de PTFE no mercado nacional, uma confusão foi levantada devido ao seu uso de maneira intencional, ou seja, elas ficam expostas para proteger a entrada do alvéolo ou do defeito e são removidas após 21 dias. Entretanto, a exposição da membrana de PTFE em aumento vertical é uma das causas mais comuns de insucesso da regeneração óssea guiada (ROG).

Contudo, com a introdução das membranas de politetrafluoroetileno denso (PTFE-d), reduziu-se significativamente a incidência das infecções em comparação às membranas de PTFE expandido, uma vez que o tamanho dos seus poros pode evitar a penetração bacteriana. Também, devido à exposição da barreira, pode haver contaminação do material do enxerto, acarretando perda do procedimento.

A deiscência do tecido mole – e consequente exposição da membrana – pode ser causada pela tensão do retalho, escolha equivocada do fio de sutura, existência de arestas e “cantos” vivos da membrana, e compressão da prótese provisória. A remoção da membrana ou pelo menos da parte exposta, bem como do enxerto localizado logo abaixo da exposição, deve ser realizada o quanto antes. Caso a membrana não seja removida, a situação clínica resultante pode ser pior do que a inicial.

A seguir, será apresentado um caso clínico para exemplificar o procedimento de aumento vertical em maxila anterior (Figuras 1 a 3). Parafusos de fixação estabilizaram a membrana PTFE-d (Figura 4) com reforço de titânio, recobrindo o material de enxerto autógeno misturado com enxerto heterógeno bovino na proporção de 1:1. Realizou-se a liberação do retalho e o tecido foi suturado sem tensão com fio de sutura de teflon (Figura 5). As suturas foram removidas após 15 dias e a exposição da membrana ocorreu após 12 semanas (Figura 6). A paciente foi instruída a limpar suavemente e fazer bochecho com clorexidina 0,12% a cada oito horas.
 

Figura 1 – Tomografia inicial.

 

Figura 2 – Situação clínica inicial.

 

Figura 3 – Exposição do defeito ósseo.

 

Figura 4 – Membrana de PTFE-d fixada. 

 

Figura 5 – Sutura com fio de PTFE-d.

 

Figura 6 – Exposição da membrana após 12 semanas.

 

Uma tomografia foi obtida para avaliar a formação óssea (Figura 7) e para controle do material de enxerto. Como a exposição ocorreu próxima da extremidade distal da membrana e havia um grande risco de infecção, a remoção da membrana foi realizada em 72 horas. Toda a membrana, os parafusos de fixação e uma parte do enxerto, localizado logo abaixo da porção exposta, foram removidos (Figura 8).

 

Figura 7 – Tomografia de controle.

 

Figura 8 – Formação óssea após 12 semanas.


O enxerto remanescente foi lavado com clorexidina e o retalho palatino foi dividido e girado para vestibular, a fim de fechar a região da exposição (Figura 9).

Figura 9 – Sutura com fio de poliglactina.

 

A rápida remoção da membrana PTFE-d após a exposição permitiu uma regeneração óssea vertical quase completa e a reparação da mucosa sem intercorrências (Figura 10). O pouco volume de osso removido na área distal não influenciou sobremaneira o procedimento regenerativo, e a abordagem por etapas ajudou na manipulação tecidual.

 

Figura 10 – Após quatro semanas da remoção da membrana.

 

 

 

Jamil A. Shibli

Professor titular do Programa de pós-graduação em Odontologia, áreas de Implantodontia e Periodontia – Universidade Guarulhos (UnG); Livre-docente do Depto. de Cirurgia e Traumatologia BMF e Periodontia – Forp/USP; Doutor, mestre e especialista em Periodontia – FOAr-Unesp.

 

 


Colaboração:

Ulisses Dayube

Doutorando em Implantodontia – Universidade Guarulhos (UnG); Mestre em Implantodontia – SLMandic Campinas; Especialista em Implantodontia e professor da especialização e atualização em Implantodontia – ABO/Barra Mansa; Especialização em Prótese Dentária – Unigranrio; Coordenador da especialização em Implantodontia – Gapo/Funorte.

 

 

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