Publicado em: 24/11/2017 às 17h00

O que você deve saber sobre remodelação óssea?

A modelação é a formação inicial e o crescimento ósseo, e a remodelação é a manutenção da estrutura óssea.

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A modelação óssea é o processo de formação inicial e de crescimento ósseo. No embrião e no crescimento pós-natal – durante o processo de ossificação –, uma quantidade de matriz óssea é depositada de maneira irregular pelo osteoblasto, e a forma definitiva dos ossos é esculpida pela ação reabsortiva do osteoclasto.

Já a remodelação óssea é um processo que também envolve a ação formadora da matriz óssea (osteoblastos) e a ação reabsortiva da matriz óssea (osteoclastos). No entanto, a remodelação ocorre para corrigir as microfraturas que acontecem espontaneamente, reorientar a massa óssea corporal de acordo com o aumento ou a redução da carga funcional, além de disponibilizar cálcio e fósforo para a circulação sanguínea sistêmica.

Em outras palavras, a modelação é a formação inicial e o crescimento ósseo, e a remodelação é a manutenção da estrutura óssea. Portanto, a modelação acontece somente durante o crescimento, e a remodelação acontece durante toda a vida do indivíduo.

Indivíduo em crescimento  Indivíduo adulto que não está em crescimento
A velocidade de remodelação óssea varia de 30% a 100% ao ano  A velocidade da remodelação óssea varia de 5% ao ano para o osso cortical a 20% ao ano para o osso medular*

*Portanto, um adulto troca todo o esqueleto de osso cortical a cada 20 anos e o esqueleto de osso medular a cada cinco anos.


A remodelação óssea acontece somente na superfície óssea externa (periósteo) e nas superfícies ósseas internas (endósteos), e mantém o balanço ósseo igual a zero. O balanço ósseo é a diferença entre a quantidade de osso reabsorvido e a quantidade de osso neoformado. Entretanto, após 30 ou 40 anos, a redução da massa óssea é normal, e ocorre de forma mais acentuada no osso medular. A remodelação óssea é controlada por fatores locais e sistêmicos (Figura 1).

Um fato é certo: estímulos mecânicos com intensidade adequada retardam a perda óssea. O perioimplantodontista deve saber que no esqueleto craniofacial a oclusão com dentes naturais ou a oclusão suportada por implantes e próteses são fundamentais para a manutenção de um balanço ósseo mais próximo de zero com o progredir da idade. Portanto, mais do que estética, fonética e mastigação, os dentes e/ou implantes dentários são fundamentais para reduzir a perda óssea no esqueleto craniofacial – assim como a atividade física reduz a perda óssea no esqueleto axial e apendicular.

 

Fatores de influência na remodelação óssea


 

Referências

1. Arrotéia KF, Pereira LADV. Osteoblastos. In: Carvalho HF. Células – uma abordagem multidisciplinar. Manole: Barueri, 2005. p.34-49.

2. Jee WSS. The skeletal tissue. In: Weiss L. Cell and tissue biology. 6th ed. Baltimore: Urban & Schwarzenberg, 1988. p.21-54.

3. Nanci A. Ten cate histologia oral. 8a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p.9 5-122.

 

 
 
 
 

Luis Antonio Violin Pereira

 

Professor associado do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Carolina Frandsen Pereira da Costa
Doutoranda no programa de pós-graduação em Biologia Celular e Estrutural do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

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