Publicado em: 24/11/2017 às 17h01

Diagnóstico e tratamento do sorriso gengival

Julio Cesar Joly explica sobre a importância de planejamento e execução corretos na reabilitação estética do sorriso.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo

A composição de um sorriso considerado belo, atraente e saudável envolve o equilíbrio entre a forma e a simetria dos dentes, lábios e gengiva, além da maneira com que esses elementos se relacionam e se harmonizam com a face do paciente. Assim, para o planejamento e execução corretos da reabilitação estética do sorriso, devemos partir da análise detalhada de todos esses elementos.

De acordo com a quantidade de exposição dos dentes superiores e do tecido gengival, podemos classificar o sorriso em baixo, médio e alto. É importante diferenciar os termos sorriso alto e sorriso gengival, pois todo sorriso que exibe a margem gengival e as papilas na região da pré-maxila deve ser considerado como alto, no entanto, apenas exposições acima de 3 mm caracterizam a presença do sorriso gengival. Vale lembrar que o sorriso natural e espontâneo, que expressa alegria e felicidade, caracterizado pelos olhos semicerrados e pela contração da musculatura periocular, permite maior exposição gengival quando comparado ao sorriso voluntário e social. O sorriso gengival pode causar constrangimento estético para alguns pacientes. Obviamente, existe um componente subjetivo envolvido nesta discussão, mas devemos admitir que a exposição excessiva não é considerada um padrão normal ou natural.

O sorriso gengival pode estar associado a diferentes fatores etiológicos, cujo reconhecimento é fundamental para o diagnóstico e a definição do plano de tratamento. Dentre eles, destacamos erupção passiva alterada, crescimento vertical da maxila, lábio superior curto e/ou hiperativo e a combinação de dois ou mais desses fatores. Nos casos de etiologia combinada, deve ser adotada uma abordagem interdisciplinar, pesando individualmente cada um dos fatores etiológicos presentes.

Nos casos típicos de erupção passiva alterada, a exposição gengival excessiva está relacionada à presença de coroas clínicas curtas e tecido gengival recobrindo parte das raízes dentais. Essas situações direcionam para a necessidade do aumento de coroa clínica, que deve ser compreendido como objetivo terapêutico e não como técnica cirúrgica.

A escolha da técnica cirúrgica depende de avaliação criteriosa do posicionamento da margem gengival, da junção cemento/esmalte e da crista óssea alveolar. Para tanto, devemos partir de um exame clínico minucioso fundamentado em fotografias, sondagem periodontal e, sempre que possível, tomografias com afastamento tecidual. Além disso, a quantidade de tecido queratinizado e o volume ósseo subjacente também influenciam na escolha da técnica. Dependendo das características anatômicas e da experiência do operador, as abordagens podem ser conduzidas com ou sem retalho.

Nos casos envolvendo reabilitação protética complementar, nossas referências deixam de ser anatômicas e passam a ser restauradoras, direcionando para a confecção de um guia cirúrgico preciso capaz de nortear a incisão e a osteotomia. Se não houver planejamento integrado, os resultados desses casos tornam-se imprevisíveis e, muitas vezes, frustrantes às expectativas dos pacientes.

Figura 1 – Sorriso gengival associado às coroas clínicas curtas (erupção passiva alterada).

 

Figura 2 – Incisão em bisel interno.

 

Figura 3 – Elevação de retalho misto (total-dividido) para a preservação parcial da faixa de tecido queratinizado.

 

Figura 4 – Realização da osteotomia e osteoplastia.

 

Figura 5 – Estabilização do retalho reposicionado apical, com suturas tipo suspensório no periósteo.

 

Figura 6 – Aspecto clínico após a finalização protética com laminados cerâmicos. 

 

(Caso publicado no livro Perio-Implantodontia Estética, em 2015. Reabilitação: protesista Leonardo Buso e TPD Murilo Calgaro).

 

 


Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

 

  • Imprimir
  • Indique a um amigo