Publicado em: 24/11/2017 às 17h10

Implantodontia personalizada: o potencial de cicatrização sob uma nova perspectiva

Os editores Paulo Rossetti e Antonio W. Sallum debatem a possibilidade de antecipar, com maior precisão, o resultado do implante dentário.

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A condição sistêmica do organismo humano pode ser descrita em uma ou duas páginas. Ao examinar um pouco do sangue retirado, é possível saber a quantidade de células vermelhas e brancas, de plaquetas e de algumas enzimas, conforme cada situação. Na Implantodontia, estes números são usados rotineiramente na cirurgia para indicar duas coisas: 1) se o paciente possui tempo de coagulação adequado; e 2) se o paciente possui “grande chance de permanecer com o implante dentário”. Mas, este conceito de “potencial de cicatrização” está com os dias contados.

Há muito tempo, a genética sabe que os “chefões da coisa” são as famosas chaves de liga/desliga escritas em nosso DNA, responsáveis pelo funcionamento celular. É de conhecimento público que, com o avanço da Ciência, agora podemos ler o código genético em poucas horas. E este serviço não está mais restrito ao laboratório de X ou Y ou a um poder aquisitivo estapafúrdio. Assim, os implantodontistas – que também são cirurgiões-dentistas – encontram-se em uma época mágica: a da Medicina personalizada.

Mas, como isso pode impactar o seu dia a dia? Simples: antes de colocar o implante dentário, você saberá com uma precisão bem maior se o paciente realmente terá ou não grande chance de “ficar” com ele durante muito tempo. Ou seja, você terá o risco mais próximo do real do procedimento dar “certo ou errado”. É óbvio que esta é apenas uma parte do quebra-cabeça da interface osso/implante.

O exemplo mais recente desta tecnologia está ilustrado nos procedimentos de enxertia alveolar em crianças com fissura palatina, havendo possibilidade de infecção e contaminação pós-operatória (doi:10.1371/journal.pone.0155683). Neste estudo, antes e após as cirurgias, o perfil do DNA bacteriano contido na saliva (microbioma) foi analisado. Como era esperado, após a cirurgia, alguns pacientes desenvolveram inflamação, enquanto outros não. Porém, os resultados mostraram que a composição microbiana entre afetados e não afetados antes da cirurgia já diferia significativamente.

Agora, imagine as possibilidades de prognóstico que isto abre. Será possível antecipar com maior precisão o que pode ocorrer, será possível dizer se a cirurgia realmente “pode ser a melhor saída” caso a caso, ou se o paciente A ou B possui um gene que “não funciona” no processo de osseointegração (o que precisaríamos fazer antes?) etc. E, finalmente, com a chegada do teranóstico (terapia + diagnóstico), milhões serão efetivamente direcionados à Medicina preventiva em tempo hábil – basta acessar o site do projeto Precision FDA (precision.fda.gov) para ter uma pequena ideia do quanto isso é importante.

Enquanto o futuro não chega, agradecemos de coração a todos que fazem a ImplantNewsPerio ser a líder brasileira em comunicação científica e clínica na Perioimplantologia: seus leitores, seus produtores e seus revisores. Que este “potencial de cicatrização” se mantenha ativo por muitos e muitos anos. E fique de olho: teremos “surpresas” para você aprender mais rápido e melhor.

Um excelente 2018 para todos!

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico de Periodontia da ImplantNewsPerio

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