Publicado em: 05/01/2018 às 15h00

Quando o dentista deve tirar férias?

Os meses de dezembro e janeiro trazem essa pergunta com mais frequência aos consultórios.

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Dezembro e janeiro são os meses em que sempre nos perguntamos: quando vou entrar em férias? Geralmente, fazemos esse planejamento no início ou no meio do ano, e a grande maioria acaba juntando os feriados de Natal e Ano Novo, parando por volta de 10 a 14 dias. Isso para os privilegiados, pois muitos não param, ficam de plantão ou com o celular disponível para emergências. Outros têm que conciliar as férias da família. E por aí vai, cada um com os seus problemas e individualidades. Eu, particularmente, decido logo no início do ano quando serão as minhas férias. Porém, em 2017, quando começou o mês de dezembro, além de pensar nas férias, fiquei pensando: “Até quando vou trabalhar como dentista? Quando irei me aposentar?”.

Na verdade, acho que estou vivendo a síndrome dos 50 anos de idade, pois completo essa idade em fevereiro de 2018. Assim, como em dezembro reduzo bastante as minhas cirurgias e me dedico mais às manutenções, terapias de suporte periodontal e profilaxias, acabei relaxando, e a cabeça foi pensando e pensando e pensando. São tantos os pensamentos durante essas manutenções periodontais que, por vezes, até esqueço qual sextante já raspei, e tenho que confirmar com a secretária. O ritmo de um consultório focado em uma ou duas especialidades às vezes nos faz isso. É tudo tão mecânico e repetitivo que a gente já vai fazendo tudo automaticamente. Isso cria espaço para divagar nos pensamentos e, geralmente, eles nos levam para aquela vontade imensa de parar de trabalhar.

Aqui em Florianópolis, o mês de dezembro nos provoca intensamente. A primavera aviva as flores das árvores, que vão ficando cada vez mais lindas. O calor vai chegando, fazendo um convite irrecusável para curtir o mar, que fica esplendoroso. Dessa forma, o consultório não é lá o lugar que gostaríamos de estar. E aí vem aquela agonia, olhando no calendário e contando os dias para as férias chegarem. Só que, neste final de ano, o sentimento foi mais longe. Além de pensar na férias, comecei a pensar na aposentadoria. Talvez pelo fato de estarmos discutindo tanto a reforma da Previdência ou, quem sabe, é a idade chegando.

 

Não sei se isso acontece com a maioria dos dentistas nos meses de dezembro e janeiro, e também com aqueles que regulam a minha faixa etária. Só sei que comigo aconteceu. Tive que fazer um esforço enorme para me concentrar nas consultas. Especialmente as consultas iniciais, com planejamentos de implantes envolvidos. Parecia que eu estava longe. Graças a Deus pude controlar esses devaneios e voltar ao foco, sem gerar nenhum prejuízo aos meus clientes e nem a mim. Mesmo assim, quando chegava em casa, continuava a refletir sobre esse tema. Daí, resolvi compartilhar aqui na coluna, pois acredito que não deva ser o único a ter esse tipo de sentimento.

A vida de um profissional liberal, sem dúvida nenhuma, é bastante estressante. Ainda mais em uma profissão física como a nossa, pois temos que intervir especificamente na boca de nossos pacientes. Assim, é bastante razoável que ao final do ano estejamos cansados e clamando por uma pausa. Além disso, existe todo o clima que envolve o Brasil e muitos outros países do mundo nesta época. Natal, presentes, confraternizações, décimo terceiro salário, férias, Ano Novo, verão. Uma conspiração mortal que pode nos engolir, caso não estejamos preparados. Trabalhar nunca pode ser considerado um fardo, porém precisa ser dosado, e isso depende de cada um de nós. Cair nas artimanhas do consumismo exagerado pode não ser o melhor caminho.

Sempre tive como meta trabalhar bastante, sem idade para parar. Se a saúde for permitindo, pretendo continuar na ativa. Considero perfeitamente normal esse tipo de sentimento pelo qual passei, desde que não vire uma rotina nas nossas cabeças. Se eventualmente temos esses sentimentos, estamos dentro da normalidade. Agora, se todos os dias pensamos em parar de trabalhar e nos aposentar, algo está errado e precisa ser corrigido. Graças a Deus essa vontade de parar que tive já passou. Quero mesmo curtir as férias, mas depois voltar a todo o vapor! E, se Deus permitir, que isso aconteça ainda por muitas décadas! Me espelho muito no Dr. Nilton de Bortoli, que ao longo dos seus 86 anos continua trabalhando, num ritmo menor, mas focado nas suas atividades. É esse o caminho que quero seguir e recomendo a todos.

No mais, é isso. Mais um ano se encerra e outro se inicia, com as esperanças que se renovam naquele que deu a sua vida por todos nós e que no último dia 25 celebramos o seu nascimento. Desejo um Ano Novo cheio de graças a todos os amigos que nos prestigiam aqui neste espaço. Jesus viveu apenas 33 anos, mas mudou o curso da história com a sua passagem pela terra. O Natal celebra o seu nascimento, fato que sacudiu o mundo há mais de dois mil anos e continua sacudindo até os dias de hoje. Imaginem quando ele voltar.

 

"Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim." (Lucas 1, 30-33)
 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 


 

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