Publicado em: 23/01/2018 às 09h42

Podemos falar de rejuvenescimento facial sem falar em remodelação óssea?

A remodelação ocorre nas superfícies ósseas (periósteo e endósteo), graças à ação conjunta dos osteoclastos e osteoblastos.

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A remodelação óssea é o processo fisiológico de constante reabsorção e neoformação do tecido ósseo, com o objetivo de corrigir as microfraturas que ocorrem espontaneamente e reorientar a massa óssea corporal (de acordo com o aumento ou a redução da carga funcional), além de disponibilizar cálcio e fósforo para a circulação sanguínea sistêmica. A remodelação ocorre nas superfícies ósseas (periósteo e endósteo), graças à ação conjunta dos osteoclastos e osteoblastos – que se arranjam em diferentes topologias anatômicas em estruturas denominadas unidades multicelulares básicas de remodelação óssea (basic multicellular units ou BMUs), as quais criam um compartimento de remodelação óssea.

As BMUs surgem separadamente umas das outras, de forma independente, sugerindo que a remodelação seja também controlada pelo microambiente local. Visualizar as BMUs dentro do processo de remodelação óssea pode não ser uma tarefa fácil. O texto a seguir e a figura ilustram o processo de remodelação no endósteo Harvesiano (osso cortical). Algo semelhante ocorre nas demais superfícies ósseas.

A remodelação ocorre em fases distintas:

1. Ativação: o gatilho para o início da remodelação não é completamente esclarecido. Sabe-se que osteoblastos respondem a sinais gerados pelos osteócitos e recrutam os precursores dos osteoclastos.

2. Reabsorção: os monócitos (células sanguíneas), ao atravessarem a parede do capilar (diapedese), fundem-se uns com os outros e se diferenciam em osteoclastos multinucleados, os quais iniciam a atividade reabsortiva da matriz óssea.

3. Formação: fatores liberados da matriz óssea ou secretados pelos osteoclastos recrutam células do periósteo e endósteo (bone linning cells) para se diferenciar em osteoblastos e iniciar a neoformação da matriz óssea.

4. Mineralização/Latência: a remodelação cessa quando igual quantidade de matriz óssea reabsorvida é reposta e atinge o mesmo grau prévio de mineralização.
 


Conforme descrito na edição anterior desta coluna (ImplantNewsPerio v.2 n.6), após os 30 anos de idade – mesmo com a remodelação fisiológica – há uma perda óssea sistêmica com o envelhecimento, também presente nos ossos da face. Determinadas áreas do esqueleto facial sofrem perda óssea mais significativa com o envelhecimento. Áreas com forte predisposição à reabsorção incluem o terço médio da face, em particular a parede anterior da maxila, a abertura piriforme e o rebordo orbitário. Os procedimentos de tentativa de rejuvenescimento facial mais recentes têm focado em manipulação (preenchimento, elevação e enxertos) de tecidos moles. Mas, a falta de atenção à perda óssea pode limitar o benefício de qualquer procedimento de rejuvenescimento facial. As novas fronteiras para a harmonização facial passam pelo melhor entendimento da morfofisiologia da remodelação óssea e a correção da estrutura esquelética facial.


REFERÊNCIAS

1. Pereira LADV, Costa CFP. O que você deve saber sobre remodelação óssea? InPerio 2017;2(6):1158-9.

2. Karunanayake M, To F, Efanov JI, Doumit G. Analysis of Craniofacial Remodeling in the Aging Midface Using Reconstructed Three-Dimensional Models in Paired Individuals. Plast Reconstr Surg 2017;140(3):448e-454e.

3. Raggatt LJ, Partridge NC. Cellular and molecular mechanisms of bone remodeling. J Biol Chem 2010 Aug 13;285(33):25103-8.

4. Mendelson B, Wong CH. Changes in the facial skeleton with aging: implications and clinical applications in facial rejuvenation. Aesthetic Plast Surg 2012;36(4):753-60.

 

Luis Antonio Violin Pereira

 

Professor associado do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Carolina Frandsen Pereira da CostaI

Ilustradora; Doutoranda no programa de pós-graduação em Biologia Celular e Estrutural do Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

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