Publicado em: 27/03/2018 às 10h41

Professores do Abross 2018 discutem regeneração tecidual

Elcio Marcantonio Jr., Jamil Shibli, Mario Groisman e Sergio Jayme debatem um dos temas que fazem parte da programação científica do evento.

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Elcio Marcantonio Jr., Jamil Shibli, Mario Groisman e Sergio J. Jayme fazem um debate de aquecimento para o Abross 2018. (Fotos: Jaime Oide)

Por Adilson Fuzo
e Flavius Deliberalli 


As técnicas de regeneração tecidual estão sob os holofotes dos especialistas em Reabilitação Oral. Não por acaso, tornou-se o assunto central de uma mesa-redonda, moderada por Jamil Shibli, e que contou com a participação de Mario Groisman, Elcio Marcantonio Jr. e Sergio J. Jayme – professores que se apresentarão durante o Abross 2018. Nesse encontro, eles fazem uma análise sobre a escolha e o uso de biomateriais, além de falar sobre a relação entre o substituto ósseo e o sucesso do tratamento com implante. A seguir, acompanhe um trecho de como foi essa conversa. 

 

Jamil Shibli – Mario, em relação às regenerações teciduais guiadas, você acha que devemos usar osso autógeno?
Mario Groisman – O osso autógeno tem seu espaço garantido. A única preocupação é a questão da morbidade, já que o osso autógeno precisará sempre ser derivado de uma área doadora. Mesmo assim, ainda o considero padrão-ouro. 
 

Jamil Shibli – Elcio, o que você pensa a respeito? Acrescento à pergunta a questão do contato osso e implante: a ancoragem mecânica e a osseointegração dependem de quantidades diferentes de contato. Vale a pena utilizar osso autógeno sabendo que uma parte do enxerto será reabsorvida?
Elcio Marcantonio Jr. – Eu concordo com o Mario. O osso autógeno tem grande potencial e é padrão-ouro. Em relação ao contato osso e implante, precisamos entender que, quando preenchemos uma cavidade, usaremos menos osso e mais biomaterial, principalmente biomaterial não absorvível. Por outro lado, quando fazemos uma fresagem, o espaço formado entre o osso e o implante vai ser sempre preenchido por mais osso (e não por biomaterial), por isso a questão da ancoragem não me preocupa.

Jamil Shibli – Considerando aqueles trabalhos do princípio, quando a equipe do Lars Sennerby e do Stefan Lundgren utilizava 80% de osso autógeno e 20% de biomaterial, vejo que hoje nós invertemos essa proporção. Isso me preocupa porque alguns desses materiais foram desenhados para  não serem absorvidos. Essa é a questão que me chama a atenção: alguns clínicos dão preferência ao material que lhe dará melhor estabilidade primária e isso normalmente acaba levando à escolha de um material não reabsorvível.


Jamil Shibli – Sérgio, se tivesse que escolher um biomaterial, qual seria: um totalmente reabsorvível e que ofereça formação óssea ou um que não é substituído e serve para ancorar o implante?
Sérgio J. Jayme – Primeiramente, depende da região e da quantidade de tecido que você quer regenerar. Se for um alvéolo, que é um defeito pequeno, pode-se usar um material totalmente absorvível que não haverá problema. Terá o coágulo sanguíneo junto com o biomaterial ou pedaços do osso autógeno (particulado) e vai funcionar muito bem, dependendo do número de paredes. Por outro lado, se for uma maxila totalmente reabsorvida, cujo osso medular foi totalmente absorvido, ficando somente osso basal, será necessário que a regeneração seja feita com parte do osso autógeno, para melhorar a qualidade do enxerto – e também será preciso um biomaterial que demore mais para ser absorvido. Então, é possível lançar mão de um osso autógeno, em blocos, fixado por parafusos. Além disso, temos a metodologia mais atual, que seria o uso de membranas, com reforço de telas de titânio, criando aquele efeito tenda. Nós temos uma gama grande de biomateriais, que nos proporcionará o tempo necessário para haver a remodelação óssea. 


Jamil Shibli – Hoje não existe aula de Implantodontia em que não se aplique biomaterial. Embora estejamos discutindo técnicas de regeneração, a primeira pergunta que sempre nos fazem é: qual o melhor biomaterial? Vocês acham que existe um único biomaterial para recomendar?
Mario Groisman – Acho que não, porque os biomateriais possuem diferentes funções. A questão que o clínico considera diariamente é: aonde eu quero chegar e aonde esse biomaterial pode me levar. De qualquer forma, essas diferentes funções de cada biomaterial ainda não são plenamente compreendidas e, muitas vezes, um determinado biomaterial é indicado de forma errônea.

Elcio Marcantonio Jr. – Há uma questão interessante: às vezes, esquecemos que tudo o que colocamos em um alvéolo atrasa a reparação – e isso é discutido desde os anos 1960. Precisamos colocar o biomaterial para manter o espaço e o volume, e até hoje estamos na luta para conseguir algo que não atrapalhe a reparação óssea. O que precisamos é de uma nova geração de biomateriais, que seja capaz de preservar o espaço e propicie que o próprio organismo forme o tecido ósseo.

Sérgio J. Jayme – Para este momento, acho que o importante é conscientizar os clínicos de que, quando vão extrair um dente, precisam fazer algo para preservar aquele espaço. Não pode deixar o alvéolo aberto, sem nenhuma proteção. Se não for para colocar um implante imediatamente, que é a melhor opção, alguma coisa ele tem que fazer – senão, vai reabsorver. É preciso deixar aquele osso preparado para receber o implante. 

Regeneração tecidual foi um dos temas da mesa-redonda.


Esse e outros temas serão foco de abordagens aprofundadas durante o Abross 2018, que acontecerá de 4 a 6 de outubro, no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo.

Mestres reconhecidos internacionalmente, como Joseph Kan (Estados Unidos), Markus Blatz (Estados Unidos), Howard Gluckman (África do Sul) e Mauro Fradeani (Itália), se juntarão aos professores brasileiros para ministrar cursos de imersão. Também fazem parte da programação científica três módulos temáticos (compostos por dez apresentações) e 20 atividades no formato Corporate Session. O Abross 2018 será complementado ainda com a exposição de 120 painéis científicos digitais e com a ExpoAbross 2018, que reunirá 50 empresas do setor.

Esse bate-papo entre Jamil Shibli, Mario Groisman, Elcio Marcantonio Jr. e Sergio J. Jayme é só uma amostra do alto nível das discussões durante o evento.

Você pode assistir ao vídeo completo desse bate-papo em goo.gl/hAKYP2.

 

 

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