Publicado em: 27/03/2018 às 11h05

Cinco perguntas para Sidney Kina

A cada edição, um grande nome da Odontologia é convidado para falar sobre temas que envolvem o setor e a profissão.

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Sidney Kina é um dos principais nomes da Odontologia Restauradora do País. (Foto: Lucíola Okamoto)


Por João de Andrade Neto


Um dos principais nomes da Odontologia Restauradora do País, Sidney Kina, divide seu tempo entre os atendimentos clínicos em seu consultório particular, situado na cidade de Maringá (PR), e cursos e palestras que realiza em todo o Brasil, assim como na América Latina e em países europeus, como Espanha e Portugal.
 

1- Por que você escolheu a Odontologia Restauradora como principal área de atuação?
Muito antes de ter me voltado à Odontologia, em minha infância e adolescência, eu passava bastante tempo desenhando, esculpindo e criando algum tipo de arte, o que claramente se mescla a algum conceito de estética. Na época, porém, era apenas um hobby, sem pretensão maior. A estética, antes de mais nada, é um conceito voltado para a reflexão a respeito da beleza sensível e do fenômeno artístico que envolve qualquer atividade humana ligada ao estudo do belo, seja nas manifestações artísticas ou naturais. Portanto, foi natural migrar para a Odontologia Restauradora, e focar na forma, nas cores e, em especial, nas sensações que a estética suscita.


2- Você vivenciou o período de maior avanço tecnológico em todas as áreas da Odontologia. Como você vê essa evolução na prática clínica diária?
Com extremo entusiasmo. Quando comparo a Odontologia que praticava nos anos 1990 com a atual, observo um salto incrível na qualidade dos materiais restauradores, na tecnologia, nos conceitos, no conhecimento e na aplicabilidade do todo. Entretanto, essa evolução tecnológica constante tanto fascina quanto oprime. Por isso, todos nós precisamos viajar no círculo virtuoso do eterno aprender, desaprender e reaprender. Parar não é uma opção. Portanto, relaxe e divirta-se. 


3- Como foi o processo de criação e produção de seus livros? De que forma eles podem auxiliar o dia a dia dos cirurgiões-dentistas?
Na medida em que desenvolvia meus protocolos de trabalho e colhia resultados, a vontade de descrevê-los começou a ser imperativa por intuição. Em verdade, a necessidade de escrever um livro é ideológica. Assim, em meu primeiro livro (Invisível – Restaurações Cerâmicas Estéticas, Dental Press, 2007), levei sete anos para escrever e diagramar. Totalmente conceitual, tinha por objetivo demonstrar e explicar meus protocolos de trabalho. Com essência clínica, realmente o escrevi para ajudar, com uma preocupação de transcrever conceitos e técnicas de tal maneira que pudessem ser facilmente replicados. Creio que toda literatura tem que ser voltada para ajudar, esclarecer, apoiar e determinar horizontes ao clínico. Tentei fazê-lo, e isso valeu a experiência.


4- Como você vê a crescente participação dos profissionais brasileiros no cenário da Odontologia internacional?
Com muito orgulho. Sabemos que a Odontologia brasileira sempre foi de excelência, apesar da carência de recursos. Nossa capacidade de nos adaptarmos e superarmos dificuldades com criatividade – e humor – criou uma identidade única na Odontologia brasileira, que agora finalmente é reconhecida mundialmente. Não só a nossa clínica é reconhecida, como também cada vez mais pesquisadores brasileiros têm suas publicações citadas. Passamos de replicadores para criadores de ideias e tendências – super cool. Afinal, clínica, pesquisa e ensino, na vida de um dentista ou professor, misturam- -se em simbiose. E também não acredito que possa separar o sucesso profissional do sucesso pessoal. Somos uma mistura de tudo o que fazemos e vivemos, portanto, viver pleno e viver feliz.


5- Quais são os planos para sua carreira? Existe algo que ainda pensa em realizar?
Assim como no começo da minha carreira, a vontade de compreender e decifrar cada meandro da Odontologia Restauradora me mantém motivado e apaixonado. Minha carreira e minha vida seguem pautadas pelo círculo virtuoso do aprender, desaprender e reaprender. Agora, um sonho a realizar é poder trabalhar com jovens dentistas, incentivando, apoiando e financiando (na medida do possível) ideias e projetos inovadores na forma de startups ou projetos acadêmicos.

 

 

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