Publicado em: 27/03/2018 às 11h10

L-PRF e osso bovino anorgânico em elevação de seio maxilar

Pesquisas vêm sendo desenvolvidas para melhorar a eficiência e acelerar a maturação do enxerto ósseo, por meio da associação com fatores de crescimento presentes no sangue.

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O processo de reabsorção alveolar pós-extração dentária, associado à pneumatização da cavidade do seio maxilar, pode impedir – ou ao menos dificultar – a instalação de implantes nas regiões posteriores da maxila1.

A literatura mostra que técnicas de enxertia óssea que utilizam osso bovino particulado anorgânico no preenchimento da cavidade sinusal apresentam eficácia no restabelecimento em altura de rebordos atrésicos, de forma semelhante ao osso autógeno. Entretanto, pesquisas vêm sendo desenvolvidas para melhorar a eficiência e acelerar a maturação do enxerto ósseo, por meio da associação com fatores de crescimento presentes no sangue.

A fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PRF) é uma matriz de fibrina autóloga rica em fatores de crescimento, plaquetas e leucócitos3, que tem sido amplamente utilizada nos procedimentos de regeneração óssea. No entanto, seu comportamento e seus benefícios ainda vêm sendo esclarecidos cientificamente.

Um estudo clínico randomizado recente4 avaliou a regeneração óssea e a alteração volumétrica do enxerto ósseo após a utilização do osso bovino desproteinizado associado à L-PRF, em cirurgias de elevação do assoalho do seio maxilar. Doze pacientes receberam osso bovino anorgânico bilateralmente, sendo que de um lado foi feita associação com a L-PRF. Após oito meses, todos os pacientes tiveram implantes instalados nas áreas enxertadas e a estabilidade inicial dos implantes foi mensurada por análise de frequência de ressonância (ISQ), que demonstrou valores semelhantes para os grupos experimentais. Foram realizados exames tomográficos logo após o procedimento de enxertia e antes da instalação de implantes (oito meses depois). As comparações volumétricas tridimensionais dos enxertos ósseos mostraram uma redução significativa do volume ósseo quando o osso bovino desmineralizado foi utilizado em associação com a L-PRF. Também foram colhidas biópsias antes da instalação dos implantes e, por meio de análise histomorfométrica, observou-se uma diferença significativa em favor do grupo com L-PRF na quantidade total de osso recém-formado. O aumento da quantidade de osso recém-formado, quando a L-PRF é associada ao material de enxerto de origem bovina, foi evidente neste trabalho, assim como a ação dos fatores de intensificação de crescimento sobre o enxerto. A redução tridimensional do enxerto ao longo do tempo poderia ser explicada pelo fato de a L-PRF ocupar espaços entre as partículas do enxerto ósseo e, após ser degradada, o volume sofre maior redução.

Os autores concluíram que as regiões posteriores atrésicas de maxila podem ser regeneradas com a associação de enxerto ósseo bovino desproteinizado + L-PRF, com a finalidade de melhorar a qualidade e quantidade óssea disponível para a instalação de implantes. Entretanto, deve ser considerada a maior perda de volume ósseo pós-cicatrização com a utilização desta associação. 

 

REFERÊNCIAS

1. Pjetursson BE, Tan WC, Zwahlen M, Lang NP. A systematic review of the success of sinus floor elevation and survival of implants inserted in combination with sinus floor elevation. Part I: Lateral approach. J Clin Periodontol 2008;35 (8 Suppl):216-40.

2. Jensen SS, Terheyden H. Bone augmentation procedures in localized defects in the alveolar ridge: clinical results with diff erent bone graft s and bone- -substitute materials. Int J Oral Maxillofac Implants 2009;24(Suppl):218-36.

3. Dohan DM, Choukroun J, Diss A, Dohan SL, Dohan AJ, Mouhyi J, Gogly B. Platelet-rich fibrin (PRF): A second-generation platelet concentrate. PartI: technological concepts and evolution. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology Oral Radiology and Endodontology, 2006;101(3):e37-44.

4. Pichotano EC. Influência da fibrina rica em plaquetas e leucócitos na regeneração óssea após cirurgia de elevação do assoalho do seio maxilar com enxerto ósseo bovino desproteinizado: estudo clínico randomizado [tese]. São Paulo: Universidade Estadual Paulista/Unesp,2018.

 

 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 


Colaboração:

Daniela Leal Zandim-Barcelos 

Professora assistente doutora da disciplina de Periodontia – Faculdade de Odontologia de Araraquara (Unesp).

 

 

 

 


 

Elton Carlos Pichotano

Doutor em Implantodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara (Unesp).

 

 

 

 

 

 

 

 
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