Publicado em: 27/03/2018 às 11h17

Recessão gengival e recobrimento radicular: bases biológicas e possibilidades terapêuticas

Julio Cesar Joly ressalta que existem diversas técnicas que podem ser empregadas para o recobrimento de recessões.

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Recessão gengival pode ser definida como a migração da margem gengival para apical em relação à junção cemento-esmalte, expondo a superfície radicular. Além do comprometimento estético, ela pode acarretar problemas funcionais, como a hipersensibilidade dentinária, o risco de desenvolvimento de lesões cervicais não cariosas e a cárie radicular.

A inflamação gengival, em resposta ao acúmulo do biofilme dental ou ao traumatismo mecânico por escovação, tem sido indicada como o fator etiológico primário das recessões. No entanto, seu desenvolvimento normalmente está associado à presença de tecido gengival final e de deiscência óssea, características típicas de biotipos delgados. Fatores secundários, como posicionamento dental, presença de inserções musculares próximas à margem gengival e trauma de oclusão podem interferir na progressão das recessões.

Figura 1 – Insatisfação estética com a desarmonia do sorriso em função das recessões gengivais (dentes 21 e 22). Notar a restauração radicular no dente 21.

 

Figura 2 – Insatisfação estética com a desarmonia do sorriso em função das recessões gengivais (dentes 21 e 22). Notar a restauração radicular no dente 21.

 

O prognóstico terapêutico está diretamente relacionado à integridade ou não do osso interproximal que, quando está intacto, antecipa-se à possibilidade de recobrimento total das superfícies radiculares. Sempre que há perda óssea proximal, o resultado torna-se limitado. Diante disso, é fundamental que o planejamento contemple a avaliação clínica, bem como a sondagem das faces livres e interdentais, e as radiografias periapicais.

Figura 3 – Recobrimento radicular por meio da técnica minimamente invasiva do envelope modificado (túnel), associado ao enxerto de conjuntivo.

 

Figura 4 – Posicionamento e estabilização do enxerto e do retalho com suturas.

 

Existem diversas técnicas que podem ser empregadas para o recobrimento de recessões, com diferentes desenhos de incisões e tipos de retalhos. A escolha da técnica é sempre dependente da interpretação de uma série de características anatômicas: recessões unitárias versus múltiplas; áreas maxilares versus mandibulares; sítios anteriores versus posteriores; recessões rasas versus moderadas versus profundas; quantidade de tecido queratinizado; volume das papilas; e presença ou não de lesões cervicais. Independentemente da técnica utilizada, o sucesso clínico fundamenta-se no recobrimento total e também no mimetismo tecidual (coloração e volume) compatível com as áreas adjacentes, de tal forma que a região tratada seja indistinguível de outras regiões sem recessões.

 

Figura 5 – Avaliação clínica após quatro meses, mostrando recobrimento radicular total e aumento do volume tecidual. Notar o mimetismo com as áreas adjacentes.

 

Figura 6 – Acompanhamento clínico após cinco anos, evidenciando a estabilidade dos resultados. Notar o equilíbrio estético alcançado. Caso publicado no livro Perio-Implantodontia Estética (2015): Joly JC, de Carvalho PFM, da Silva RC. Editora Quintessence.

 

Todas as técnicas cirúrgicas podem ser efetivas em prover bons resultados funcionais e estéticos, desde que sejam criteriosamente indicadas e obedeçam a um rígido protocolo cirúrgico – sempre que possível, minimamente invasivo. A decisão de utilizar ou não o enxerto de tecido conjuntivo é fundamentada na interpretação de uma série de fatores. No entanto, em nosso protocolo, quase sempre o indicamos, admitindo sua importância para garantir a estabilidade dos resultados em longo prazo.

 

Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

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