Publicado em: 27/03/2018 às 11h33

Plaquetas x sistema imunológico

Antes ligadas à coagulação e cicatrização, as plaquetas se mostram essenciais na defesa do sistema imunológico.

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A descoberta ganha ainda mais importância por abrir as portas para novos tratamentos. (Imagem: Shutterstock)

 

A coagulação do sangue e a cicatrização dos ferimentos eram as tradicionais funções das plaquetas. Isso até a realização dos estudos do professor Eric Boilard, da Universidade Laval, do Canadá. A equipe canadense descobriu que as plaquetas têm mais uma importante tarefa: atuam como “auxiliares” de primeira linha do sistema imunológico em casos de entrada de vírus, bactéria ou alérgeno na corrente sanguínea. 

 

Diferentemente do que se pensava antes, elas desempenham um papel que até agora se acreditava ser dos glóbulos brancos. Em uma analogia, é possível dizer que as plaquetas agem como a equipe de emergência que chega mais rapidamente ao local de um acidente e faz os primeiros socorros.

“Quando um corpo estranho entra no sangue pela primeira vez, a formação de anticorpos é induzida. Na próxima vez que formos novamente atacados pelo mesmo corpo estranho, esses anticorpos rapidamente aglomeram-se na superfície do invasor, formando complexos antígeno-anticorpo que desencadeiam uma resposta inflamatória de defesa”, explica Boilard.

Para chegar a essa conclusão, Boilard e sua equipe levaram em conta que as plaquetas têm receptores que reconhecem esses complexos e, por isso, poderiam estar envolvidas no processo inflamatório. Dessa forma, criaram complexos antígeno-anticorpo no sangue de camundongos, com a utilização de vírus, toxina bacteriana e proteína alergênica. Os animais reagiram de forma similar nos três casos, apresentando sintomas de choque séptico ou anafilático, como perda de consciência, insuficiência cardíaca, vasodilatação, tremores e queda de temperatura corporal.

“Nós repetimos os testes em camundongos com quase todas as plaquetas removidas e em camundongos sem receptores complexos de antígeno-anticorpo em suas plaquetas. Esses animais não apresentaram respostas fisiológicas, o que demonstra claramente o papel-chave das plaquetas no processo. Elas – e não os glóbulos brancos – são as primeiras a chegar à cena durante uma resposta imune”, conclui Boilard.

A descoberta ganha ainda mais importância pelo fato de abrir as portas para novas formas de tratar pacientes em situações diversas, como em choques sépticos, causados por infecções virais ou bacterianas, e pessoas com doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus.

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