Publicado em: 27/03/2018 às 11h38

Uma nova definição para a Osseointegração

Os editores científicos Paulo Rossetti e Antonio Sallum trazem questionamentos que motivam a acreditar que a Osseointegração é um sem fim de oportunidades.

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Na Ciência, é comum fazer descobertas por acaso. Mais comum ainda, se a descoberta causar impacto mundial, é colocá-la em prática antes mesmo de elucidar os possíveis mecanismos. Foi o que aconteceu com a Osseointegração. Mas se você, leitor, quer uma resposta mais precisa, hoje os “pais da matéria”1 irão fornecer.

Todo estudante em fase de vestibular sabe o que é uma reação de corpo estranho. Normalmente, o organismo rejeita aquilo que não conhece; é uma defesa. Bem, você já pode substituir o tão conhecido contato direto e funcional por algo que realmente conta mais a história, descrevendo melhor o que ocorre no organismo. Então, em tradução literal, ficaria assim: “A osseointegração é uma reação de corpo estranho, em que o osso interfacial é formado como reação de defesa para (selar ou proteger) o implante dos tecidos vizinhos”.

Essa nova definição é incrível e fantástica por dois motivos:

1. Podemos dizer que ela chega ao ponto de abrilhantar a definição que o Prof. David Williams usa para a palavra “biomaterial” (a melhor resposta do hospedeiro). Se isso é a melhor resposta do hospedeiro, o titânio realmente é algo muito perto de um super-herói dos quadrinhos.

2. Quando poderíamos imaginar que a defesa do nosso organismo frente ao implante de titânio seria criar “uma camada de osso” para “isolar” (shield off , em inglês) o compartimento medular nativo e o implante de titânio? Esse fenômeno é visto em dentes naturais quando há anquilose. A maior parte da nossa defesa frente a qualquer material é uma camada incomodativa de tecido conjuntivo. 

Mas, agora é que vem a melhor parte: a perda asséptica do implante, sem inflamação, sem sangue, sem nada mais, certamente seria um “momento na história do sistema imunológico do paciente”, no qual as coisas não estão bem, conforme a redefinição do conceito?

1. Isso vai fazer com que conversemos de modo diferente com nossos pacientes?

2. Isso vai aumentar o número de testes laboratoriais para entendermos como o sistema imunológico do paciente realmente funciona?

3. Isso vai nos ajudar a conscientizar mais o paciente para fazer check-ups regulares de saúde?

4. Como isso se mistura (ou se sobrepõe) aos outros fatores de risco que conhecemos na Implantodontia?


São questionamentos excelentes que nos motivam cada vez mais a acreditar que a ciência da Osseointegração é um sem fim de oportunidades.

Abençoado o dia em que a tal câmara de titânio não saiu tão facilmente.

Boa leitura! 

 

REFERÊNCIA

1. Albrektsson T, Chrcanovic B, Jacobsson M, Wennerberg A. Osseointegration of implants – a biological and clinical overview. JSM Dent Surg 2017;2(3):1022.

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico de Periodontia da ImplantNewsPerio

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