Publicado em: 27/03/2018 às 10h45

Leituras essenciais

Seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional.

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Seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional. Paulo Rossetti (editor científico da revista) e Rafaela Videiras (mestranda em Clínica Odontológica/Periodontia – FOP/Unicamp) fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.   

 

Cobertura radicular com enxerto de tecido conjuntivo associado com retalho posicionado coronalmente ou técnica do túnel: um estudo duplo-cego, monocêntrico, clínico randomizado

Azaripour A, Kissinger M, Farina VS, Van Noorden CJ, Gerhold-Ay A, Willershausen B, Cortellini P. Root coverage with connective tissue graft associated with coronally advanced flapor tunnel technique: a randomized, double-blind, mono-centre clinical trial. J Clin Periodontol 2016;43(12):1142-50.

Por que é interessante: ensaio clínico randomizado comparando a técnica do retalho posicionado coronalmente modificado (RPCm) com a técnica microcirúrgica do túnel modificada (TMTm) no tratamento de recessões classe I e II de Miller. Um aspecto importante está na tentativa de posicionamento de retalho pediculado sem incisões relaxantes verticais, como no RPCm e na TMTm. A previsibilidade das técnicas do RPCm e TMTm foi aumentada pela aplicação de um enxerto de tecido conjuntivo (ETC) subepitelial.

Desenho experimental: 40 pacientes com 71 recessões gengivais foram selecionados e aleatoriamente divididos nos grupos RPCm ou TMTm. Ambos os grupos receberam ETC. As avaliações clínicas foram realizadas após três, seis e 12 meses. Impressões foram tiradas e digitalizadas em três dimensões para avaliar as alterações quantitativas dos tecidos moles na região operatória. A satisfação do paciente foi medida com o escore estético de cobertura radicular (ESCR).

Os achados: após um período de 12 meses, não foram encontradas diferenças significativas entre os dois grupos. A cobertura radicular foi de 98,3% para o RPCm e 97,2% para a TMTm. A avaliação do resultado estético com ESCR mostrou bons resultados em ambos os grupos, sendo que a pontuação foi de acordo com a satisfação subjetiva do paciente.

Conclusão: o RPCm e a TMTm, com o uso adicional de ETC, são igualmente bem-sucedidos na cobertura de recessões gengivais de classe I e II de Miller, com resultados estéticos altamente satisfatórios.

Veja o artigo original em goo.gl/n58JPY

 

O envolvimento da furca é afetado pelo adjuvante sistêmico amoxicilina + metronidazol? Um ensaio clínico exploratório de subanálises

Eickholz P, Nickles K, Koch R, Harks I, Hoff mann T, Kim TS, Kocher T, Meyle J, Kaner D, Schlagenhauf U, Doering S, Gravemeier M, Ehmke B. Is furcation involvement affected by adjunctive systemic amoxicillin plus metronidazole? A clinical trials exploratory subanalysis. J Clin Periodontol 2016;43(10):839-48.

Por que é interessante: avaliou o efeito clínico da amoxicilina + metronidazol sistêmico adjunto ao debridamento mecânico em molares e pré-molares com envolvimento de furca.

Desenho experimental: trata-se de uma subanálise coletiva per-protocol exploratória de um estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e multicêntrico sobre o efeito do uso adjunto da amoxicilina 500 mg + metronidazol 400 mg (3x/dia, 7 dias) no envolvimento de furca em periodontite moderada a severa. A variável primária foi a mudança na frequência de classes de furca após 27,5 meses. A terapia compreendia o debridamento mecânico em conjunto com a administração de antibiótico ou placebo e terapia de manutenção, em intervalos de três meses.

Os achados: 345 pacientes (175 do grupo placebo e 170 do grupo antibiótico) com 6.576 sítios de furca (classe 0: 2.956; classe I: 2.370; classe II: 886; e classe III: 364) foram examinados (3.472 do grupo placebo e 3.104 do grupo antibiótico). A redução da bolsa periodontal/ganho de inserção nas regiões de furca foram visivelmente melhores após o uso dos antibióticos (1,2/0,6 mm) em relação ao pós-uso do placebo (0,7/0,2 mm), todos 27,5 meses após a terapia. No entanto, a maioria dos graus de furca foi mantida inalterada (placebo 61,5% e antibióticos 62,2%), sendo que mais sítios melhoraram do que pioraram (20,3% / 18,2%; 22,1% / 15,7%, respectivamente).

Conclusão: em comparação com o placebo, a prescrição de antibióticos adjuvantes sistêmicos não mostrou benefício clinicamente relevante em relação à da classe de envolvimento de furca.

Veja o artigo original em goo.gl/jTPEzX   

 

Avaliação da saúde periodontal em pacientes com artrite reumatoide

Moghaddam FA, Dehghan A, Ghasemi B, Maybodi FR. Evaluation of periodontal health among rheumatoid arthritis patients. J Periodontal Implant Dent 2015;7(2):39-43.

Por que é interessante: há uma hipótese de que as pessoas com artrite reumatoide (AR) possuem um risco aumentado para o desenvolvimento e progressão da doença periodontal. Este estudo teve como objetivo avaliar a saúde periodontal em pacientes com e sem AR. Muitos micro-organismos envolvidos na indução de AR em pacientes geneticamente suscetíveis possuem características comuns com os micro-organismos observados na periodontite. Há também relatos que os níveis séricos dos anticorpos IgG associados a micro-organismos da periodontite, como P. gingivalis e P. intermedia, estão em níveis elevados em pacientes com AR.

Desenho experimental: foram incluídos 30 pacientes com AR e 30 indivíduos saudáveis sem AR. Informações quanto às características demográficas e aos parâmetros periodontais (profundidade de sondagem, perda de inserção, índice de placa, índice simplificado de higiene bucal e índice gengival modificado) foram analisadas.

Os achados: não houve diferença significativa nos parâmetros periodontais entre os participantes com e sem AR.

Conclusão: de acordo com o padrão transversal do presente estudo, são necessárias avaliações futuras mais criteriosas para determinar o possível papel da AR no status periodontal dos pacientes.

Veja o artigo original em goo.gl/P9dxP4 

 

Abordagem sinérgica usando fibrina rica em plaquetas e alendronato 1% no tratamento de defeitos infraósseos em periodontite crônica: um ensaio clínico randomizado

Kanoriya D, Pradeep AR, Singhal S, Garg V, Guruprasad CN. Synergistic approach using platelet-rich fibrin and 1% alendronate for intrabony defect treatment in chronic periodontitis: a randomized clinical trial. J Periodontol 2016;87(12):1427-35.

Por que é interessante: avaliou a eficácia combinada de fibrina rica em plaquetas (PRF) e alendronato (ALN) 1% com a terapia de acesso em defeitos infraósseos (DIO) em pacientes com periodontite crônica (PC).

Desenho experimental: DIOs unitários em 90 pacientes foram categorizados em três grupos: 1) somente terapia de acesso; 2) terapia de acesso + PRF; e 3) terapia de acesso + PRF + ALN 1%. O índice de placa, o índice de sangramento do sulco modificado, a profundidade de sondagem (PS), o nível de inserção clínico (NIC) e o nível gengival marginal constituíram os parâmetros para a avaliação clínica, sendo que foram avaliados antes da cirurgia, no baseline, e nove meses pós-operatório. A porcentagem da redução da profundidade do DIO foi avaliada por radiografias no início e no pós-operatório.

Os achados: comparado aos grupos 1 e 2, o grupo 3 exibiu uma redução significativamente maior na PS e ganho na NIC pós-operatória. Foi demonstrada uma redução significativa da PS do DOI no grupo 3 (54,05% - 2,88%) em comparação com o grupo 2 (46% - 1,89%) e do grupo 1 (7,33% - 4,86%) no pós-operatório.

Conclusão: a terapia de abordagem combinada de PRF + ALN 1% para o tratamento de DIO em pacientes com PC apresentou melhores resultados clínicos, com maior redução da profundidade do DIO em comparação com a PRF e a terapia de acesso sozinha.

Veja o artigo original em goo.gl/xM6Pfk 

 

Análise tridimensional da remodelação óssea após o aumento de rebordo, em alvéolos de extração comprometidos em pacientes com periodontite: estudo randomizado e controlado

Aimetti M, Manavella V, Corano L, Ercoli E, Bignardi C, Romano F. Three-dimensional analysis of bone remodeling following ridge augmentation of compromised extraction sockets in periodontitis patients: A randomized controlled study. Clin Oral Implants Res 2018;29(2):202-14.

Por que é interessante: usando a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), avalia as mudanças lineares e volumétricas nos tecidos duros de alvéolos severamente reabsorvidos após o aumento ósseo.

Desenho experimental: 30 pacientes com indicação de extração dentária devido à periodontite avançada foram alocados aleatoriamente para grupos teste e controle. O grupo-teste recebeu enxerto ósseo bovino colagenotizado (DBBM) + membrana colágena, enquanto o grupo controle apresentava cicatrização espontânea. Foram feitas imagens TCFC um ano depois.

Os achados: se comparado ao grupo-teste (2,60 ± 1,24 mm), no grupo-controle (4,92 ± 2,45 mm) foi observada maior contração horizontal perto da crista. Em ambos os grupos, as áreas não enxertadas perderam 35% em volume.

Conclusão: o uso do DBBM + membrana colágena em alvéolos com extensa perda vestibular é efetivo, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais no momento da colocação do implante.

Veja o artigo original em goo.gl/g3PgTi 

 

Um estudo prospectivo controlado comparando xenoenxerto/ autógeno e xenoenxerto estabilizado com colágeno para aumento do seio maxilar – complicações, resultados relatados pelo paciente e análise volumétrica

Alayan J, Ivanovski S. A prospective controlled trial comparing xenograft /autogenous bone and collagen-stabilized xenograft for maxillary sinus augmentation-complications, patient-reported outcomes and volumetric analysis. Clin Oral Implants Res 2018;29(2):248-62.

Por que é interessante: compara o aumento do seio maxilar usando dois materiais diferentes: o osso bovino mineralizado (ABBM) + osso autógeno (AB) no grupo-controle versus colágeno ABBM no grupo-teste. Considerou as complicações, a satisfação do paciente e a análise volumétrica.

Desenho experimental: 60 pacientes foram submetidos ao aumento de seio maxilar, sendo metade no grupo-controle e a outra metade no grupo-teste. Foram feitas verificação do volume do enxerto, altura do rebordo, seleção do material e grau de contato com as paredes do seio maxilar.

Os achados: entre as pequenas complicações identificadas, a perfuração da membrana foi a mais encontrada. Os dois grupos reportaram também moderação limitada de abertura bucal nas primeiras 48 horas, além de dor leve a moderada nos primeiros três dias. O impacto no trabalho melhorou depois do 20o dia. Um volume médio de enxerto de 1,46 cm3 (± 0,77) foi calculado no grupo-controle e 1,27 cm3 (± 0,65) no grupo-teste. Os implantes curtos foram utilizados mais frequentemente no grupo-teste.

Conclusão: a morbidade é maior no grupo com osso autógeno. O incômodo persiste por 48-72 horas. Não há necessidade de aumento vertical nos casos com colágeno ABBM.

Veja o artigo original em goo.gl/ckZ9P4 

 

Um novo sistema de prognóstico para implantes dentários

NajafiB, Kheirieh P, Torabi A, Cappetta EG, NajafiA, Singh SM. A new prognostication system for dental implants. Int J Periodontics Restorative Dent 2018;38(1):e17-e24.

Por que é interessante: faz uma revisão dos fatores prognósticos com base em evidências e fornece um novo sistema de classificação.

Desenho experimental: levantamento com 67 protesistas, periodontistas e cirurgiões-orais de três faculdades distintas.

Os achados: os fatores menos importantes foram a característica do implante (58%) e o tipo de conexão (49%), implantes inclinados, sítios enxertados e protocolo de carga (todos com 41%). Os cinco fatores mais importantes foram a mobilidade do implante (92%), higiene oral inadequada (76%), profundidade e sondagem/sangramento (67%), extensão e topografia da perda óssea (65%), e o excesso de cimento (64%).

Conclusão: o prognóstico pode ser dividido em: 1) bom = fatores cirúrgicos, peri-implantares e protéticos podem ser controlados com tratamento abrangente ou manutenção regular; 2) questionável = fatores cirúrgicos, peri-implantares e protéticos podem ou não ser controlados com tratamento abrangente ou manutenção regular; 3) pobre = fatores cirúrgicos, peri-implantares e protéticos não podem ser controlados com tratamento abrangente ou manutenção regular; e 4) comprometido = a remoção do implante é necessária devido à perda da osseointegração.

Veja o artigo original em goo.gl/wMNtdu 

 

Falhas tardias do implante dentário associadas a fragmentos radiculares retidos: relatos de casos com análise histológica

Nevins ML, Langer L, Schupbach P. Late dental implant failures associated with retained root fragments: case reports with histologic and sem analysis. Int J Periodontics Restorative Dent 2018;38(1):9-15.

Por que é interessante: relata duas falhas em longo prazo, nas quais os implantes foram colocados trespassando raízes dentárias não extraídas.

Desenho experimental: extração dos implantes com falha, histologia e microscopia eletrônica de varredura.

Os achados: no primeiro caso (dez anos de uso), a histologia mostrou haver osso entre o fragmento radicular e o biomaterial, mas o implante estava infiltrado por depósitos bacterianos de placa e cálculo. No segundo caso (quatro anos), não havia só osso, mas também depósito bacteriano.

Conclusão: há riscos em longo prazo na terapia quando implantes dentários são colocados em sítios com fragmentos radiculares retidos.

Veja o artigo original em goo.gl/8YxKkA

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