Publicado em: 22/05/2018 às 16h45

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti e Rafaela Videiras fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Eficácia dos antimicrobianos locais e sistêmicos na terapia não cirúrgica no tratamento de fumantes com periodontite crônica

 Chambrone L, Vargas L, Arboleda S, Serna M, Guerrero M, de Sousa J et al. Efficacy of local and systemic antimicrobials in the non-surgical treatment of smokers with chronic periodontitis: a systematic review. J Periodontol 2016;87(11):1320-32. Epub 2016 Aug 6.

 

Por que é interessante: avalia se a associação da raspagem e alisamento radicular (RAR) e diferentes antimicrobianos locais ou sistêmicos em fumantes com periodontite crônica (PC) poderia promover resultados clínicos superiores [como redução da profundidade de sondagem (PS) ou ganho no nível clínico de inserção (NIC)], se comparada com a RAR sozinha.

Desenho experimental: foram incluídos estudos clínicos randomizados (ECR) relacionados ao tratamento de fumantes (≥ 10 cigarros/dia, por pelo menos um ano) com PC, pela associação da terapia mecânica a antimicrobianos, com duração de no mínimo seis meses. Foram realizadas metanálises de efeitos aleatórios para avaliar diferenças significativas na PS e no NIC.

Os achados: dos 108 artigos potencialmente elegíveis, sete foram incluídos. A maioria dos estudos individuais (75%) testando antibióticos de liberação local relatou que os fumantes se beneficiaram desse tratamento. As estimativas agrupadas encontraram redução adicional na PS de 0,81 mm (P = 0,01) e ganho de NIC de 0,91 mm (P = 0,01) em sítios com PS inicial ≥ 5 mm. Por outro lado, a metanálise sobre o uso sistêmico de antimicrobianos não detectou diferenças significativas a partir do baseline, e apenas um ensaio reportou benefícios com seu uso.

Conclusão: em fumantes com periodontite crônica, o uso adjunto de antimicrobianos locais melhorou a eficácia da terapia não cirúrgica, pela redução da PS e ganho de NIC nos sítios com PS inicial ≥ 5 mm. A evidência atual não demonstra ganhos similares com a associação da terapia mecânica não cirúrgica e antibióticos sistêmicos.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2J8fZac    

 

Vidro bioativo versus fibrina rica em plaquetas autóloga para o tratamento de defeitos infraósseos periodontais

Yajamanya SR, Chatterjee A, Hussain A, Coutinho A, Das S, Subbaiah S. Bioactive glass versus autologous platelet-rich fibrin for treating periodontal intrabony defects: a comparative clinical study. J Indian Soc Periodontol 2017;21(1):32-6.

 

Por que é interessante: visa comparar clínica e radiograficamente as três modalidades de tratamento para defeitos infraósseos (DIO): acesso cirúrgico para raspagem (ACR) sozinho – grupo I; ACR + terapias utilizando vidro bioativo (VBA) – grupo II; e ACR + fibrina rica em plaquetas (PRF) – grupo III.

Desenho experimental: 38 pacientes com 90 DIO com periodontite moderada a severa foram selecionados e atribuídos aos grupos I, II e III. Em cada paciente, um número mínimo de dois sextantes estava presente, com profundidades de sondagem (PS) ≥ 5 mm em pelo menos três dentes.

Os achados: após nove meses de pós-operatório, a média de redução de PS para o grupo I foi 3,68 ± 0,72 mm; para o grupo II foi 5,57 ± 1,10 mm; e para o grupo III foi 6,11 ± 0,92 mm. A média do ganho de nível de inserção para o grupo I foi 4,14 ± 0,76 mm; para o grupo II foi 6,57 ± 1,45 mm; e para o grupo III foi 6,74 ± 1,55 mm. A média de preenchimento do defeito radiograficamente foi 69,29% ± 7,73 para o grupo I; 74,44% ± 8,57 para o grupo II; e 75,01% ± 7,85 para o grupo III.

Conclusão: notadamente, a associação de ACR com VBA ou PRF obteve melhores resultados quando comparada ao ACR sozinho. Embora diferenças estatisticamente significantes tenham sido observadas entre ACR + VBA e ACR + PRF, os resultados clínicos e radiográficos foram melhores no grupo ACR + PRF para o tratamento de DIO.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2HRfxxT    

 

Avaliação do gel de doxiciclina de liberação controlada versus implante de doxiciclina de liberação local controlada no tratamento da periodontite

Chadha VS, Bhat KM. Th e evaluation of doxycycline controlled release gel versus doxycycline controlled release implant in the management of periodontitis. J Indian Soc Periodontol 2012;16(2):200-6.

 

Por que é interessante: vários sistemas de liberação local de antimicrobianos estão sendo desenvolvidos como terapia coadjuvante no tratamento da periodontite. Dois diferentes sistemas de liberação local de doxiciclina (gel e implante) foram utilizados nesse estudo, que comparou ambos com base na liberação farmacológica (concentração da doxiciclina no fluido crevicular gengival e saliva) e eficácia clínica (melhoras no índice gengival, ganho de nível de inserção e redução da profundidade de sondagem).

Desenho experimental: 30 pacientes com bolsas periodontais localizadas ≥ 5 mm foram randomizados e divididos em três grupos: aplicação do gel de doxiciclina (grupo I), aplicação do implante de doxiciclina (grupo II) e apenas debridamento mecânico (grupo III). Os parâmetros clínicos foram obtidos no baseline e 90 dias após os tratamentos. As amostras do fluido crevicular gengival e de saliva foram coletadas uma hora antes dos tratamentos e após dez, 30 e 60 dias.

Os achados: houve uma diferença estatisticamente significante na liberação da doxiciclina em gel comparada com os implantes no FCG aos dez e 30 dias. Os três grupos apresentaram uma melhora dos parâmetros clínicos nos tempos avaliados. A melhora foi maior nos grupos com doxiciclina comparados ao grupo sem doxiciclina, sem diferença estatisticamente significante entre o gel e os implantes.

Conclusão: o uso da liberação local de doxiciclina através de gel ou implante pode influenciar positivamente os resultados obtidos após a terapia mecânica convencional. A liberação da doxiciclina em gel ou em implante foi semelhante.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2J9Q5mm     

 

 

Uso de osso poroso mineral osteocondutor (Bio-Oss) em defeitos periodontais infraósseos

Gokhale ST, Dwarakanath CD. The use of a natural osteoconductive porous bone mineral (Bio-Oss) in infrabony periodontal defects. J Indian Soc Periodontol 2012;16(2):247-52.

 

Por que é interessante: avalia o uso de enxerto ósseo xenógeno de origem bovina (Bio-Oss) no reparo de defeitos verticais infraósseos em pacientes com periodontite crônica moderada a severa e compara seu uso com a cirurgia de acesso para raspagem. Busca também determinar a redução do defeito e preenchimento ósseo subsequente ao enxerto, além de quanto o uso desse enxerto pode melhorar o prognóstico do elemento dentário acometido.

Desenho experimental: 20 pacientes com periodontite crônica moderada a severa que apresentassem dois ou mais defeitos infraósseos com profundidade de sondagem (PS) ≥ 5 mm após terapia não cirúrgica, incluindo um total de 24 defeitos. Os defeitos foram atribuídos aleatoriamente para um dos dois tratamentos: enxerto com Bio-Oss (sítios experimentais) e cirurgia de acesso para raspagem (sítios controles). Os parâmetros clínicos para os tecidos moles e duros foram coletados no dia da cirurgia e após seis meses.

Os achados: as medidas de tecido mole nos sítios experimentais incluíram redução da PS de 2,92 ± 0,669 mm e um ganho de inserção clínico de 0,583 ± 0,515 mm. As medidas ósseas mostraram um preenchimento ósseo de 1,936 ± 1,046 mm (54,065 ± 12,642%) para os sítios experimentais e 0,02 ± 0,01 mm (0,534 ± 0,384%) para os sítios controles. O preenchimento completo do defeito foi de 50,75% nos sítios experimentais e 5,45% nos sítios controle.

Conclusão: o uso de Bio-Oss em defeitos infraósseos em pacientes com periodontite crônica moderada a severa parece ser eficaz. Porém, mais estudos com acompanhamentos em longo prazo e com análises histológicas precisam ser realizados.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2HOCKkg    

 

Uso de implantes curtos comparado ao aumento de seio maxilar para reabilitação de maxila posterior edêntula: resultados de três anos de estudos clínicos randomizados

 Taschieri S, Lolato A, Testori T, Francetti L, Del Fabbro M. Short dental implants as compared to maxillary sinus augmentation procedure for the rehabilitation of edentulous posterior maxilla: three-year results of a randomized clinical study. Clin Implant Dent Relat Res 2018;20(1):9-20.

 

Por que é interessante: o estudo compara o aumento no seio maxilar usando implantes convencionais e implantes de comprimento reduzido em osso residual.

Desenho experimental: foram selecionados 25 pacientes para o grupo-controle (implante convencional + aumento com ABB) e 27 pacientes para o grupo-teste (implante 6,5 mm a 8,5 mm de comprimento). Ambos os grupos receberam PRP.

Os achados: após três anos, não houve perda de implantes. A perda óssea marginal foi similar nos dois grupos. A dor pós-operatória e a tumefação foram menores no grupo com implantes curtos. A satisfação após um ano foi similar em ambos os grupos.

Conclusão: quando a altura do rebordo residual for suficiente, é preferível colocar implantes mais curtos.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2qJHbFu 

   

 

Osseointegração e reação de corpo estranho: implantes de titânio ativam o sistema imune e suprimem a reabsorção óssea durante as quatro primeiras semanas após a sua instalação

Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Osseointegration and foreign body reaction: titanium implants activate the immune system and suppress bone resorption during the first 4 weeks aft er implantation. Clin Implant Dent Relat Res 2018;20(1):82-91.

 

Por que é interessante: demonstra o envolvimento do sistema imune no processo de osseointegração do implante de titânio.

Desenho experimental: 15 coelhos com osteotomia, sendo um sítio sem inserção e um sítio com um implante de titânio. Sacrifício e análise da expressão gênica com histologia qualitativa foram realizados após dez e 28 dias.

Os achados: aos dez dias, havia ativação de macrófagos perfil 2 ao redor do implante de titânio. Aos 28 dias, havia ativação do sistema imune, macrófagos perfil 1, perfil 2, células linfoides, neutrófilos e o sistema complemento. RANKL, OPG, catepsina K e TRAP estavam em quantidades reduzidas ao redor do titânio. Aos dez dias, foi identificada nova formação óssea ao redor do sítio vazio e do titânio, separando o compartimento medular da osteotomia; aos 28 dias, não há trabéculas no sítio sem implante, cicatrizando ao nível cortical, enquanto no implante o osso se torna mais maduro, formando uma camada entre o implante e a medula óssea.

Conclusão: o sistema imune identifica o titânio como corpo estranho, envia macrófagos M2 para resolver a inflamação e faz uma tentativa de isolar o corpo estranho do espaço medular, criando uma camada cortical.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2vqwmgp   

 

Colocação e provisionalização de implante imediato e sem abertura de retalho usando enxerto ósseo autógeno em área estética: cinco anos de resultados

Noelken R, Moergel M, Kunkel M, Wagner W. Immediate and flapless implant insertion and provisionalization using autogenous bone grafts in the esthetic zone: 5-year results. Clin Oral Implants Res 2018;29(3):320-7.

 

Por que é interessante: examina as mudanças nos tecidos moles e duros depois de cinco anos da colocação de implantes com provisionalização imediata na maxila.

Desenho experimental: 37 implantes com microrroscas foram colocados em 21 pacientes com alvéolos de extração, com ou sem deficiências vestibulares, e usando cirurgia sem retalho. Houve a verificação de nível ósseo interproximal, espessura da parede vestibular, PES e WES.

Os achados: 33 implantes ainda em função por 68 meses. Perda óssea marginal de 0,04 mm coronal ao ombro dos implantes. Os valores PES melhoraram de 10,7 para 11,7, com diferença estatisticamente significativa.

Conclusão: os níveis ósseos marginais diminuíram um pouco depois de cinco anos de acompanhamento, mas isso não afetou o PES.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2HdByJR    

 

 

Incidência de peri-implantite em implantes com ou sem colar microtexturizado: cinco anos de estudos retrospectivos realizados em pacientes de prática clínica privada

Guarnieri R, Grande M, Zuffetti F, Testori T. Incidence of peri-implant diseases on implants with and without laser-microgrooved collar: a 5-year retrospective study carried out in private practice patients. Int J Oral Maxillofac Implants 2018;33(2):457-65.

 

Por que é interessante: avaliar a incidência de mucosite e peri-implantite em implantes com o mesmo desenho de corpo e superfície, mas com colar microtexturizado.

Desenho experimental: clínico retrospectivo, com o mesmo paciente recebendo um implante com e outro sem colar microtexturizado. Quantidade de placa, profundidade de bolsa, sangramento, supuração e perda óssea marginal foram avaliadas depois de cinco anos. Também foram avaliados o biotipo periodontal, tipo de conexão protética e desenho da prótese.

Os achados: foram colocados 166 implantes em 74 pacientes. No final de cinco anos, foram identificados 38 implantes com mucosite (24 pacientes) e 13 implantes diagnosticados com peri-implantite. As diferenças foram significativas entre a peri-implantite nos implantes com e sem colar microtexturizado.

Conclusão: a incidência de peri-implantite foi menor nos implantes com colar microtexturizado a laser, considerando também que os implantes foram tratados em um consultório particular e mostraram excelente controle de higiene.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2HipyTG

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