Publicado em: 22/05/2018 às 17h23

Osteoporose e perda óssea vertical peri-implantar

Avaliar e obter resultados sobre a sobrevivência e o sucesso de implantes dentários na população mais idosa é um grande desafio para a pesquisa científica.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo

Com a maior longevidade da população, doenças sistêmicas – entre elas a osteoporose – deverão se tornar cada vez mais frequentes, assim como a necessidade de instalação de implantes dentários em pacientes cada vez mais idosos. Avaliar e obter resultados sobre a sobrevivência e o sucesso de implantes dentários nessa população é um grande desafio para a pesquisa científica, para transferir segurança do tratamento com implantes dentários ao paciente e ao cirurgião-dentista.

Em uma recente revisão sistemática e metanálise1, reunindo 80 pacientes com osteoporose e 49 pacientes sem osteoporose – oriundos de três publicações diferentes2-4 –, foi mostrado que a perda óssea vertical peri-implantar foi de 0,01 mm a 0,5 mm para o grupo de pacientes sem osteoporose, de 0,17 mm a 0,69 mm para o grupo de pacientes com osteoporose e de até 0,86 mm para o grupo de pacientes com osteoporose severa, em um período de acompanhamento dos pacientes que variou de um a cinco anos. A diferença entre os grupos sem osteoporose e com osteoporose ou osteoporose severa foi estatisticamente significativa1. Entretanto, a perda óssea vertical peri-implantar encontrada em todos os grupos está dentro do esperado e dentro dos critérios de sucesso, o que significa que a osteoporose não interfere de maneira negativa na sobrevivência e no sucesso dos implantes. Portanto, pacientes com e sem osteoporose alcançam os mesmos índices de sucesso de implantes dentários.

Habitualmente, a avaliação da perda óssea vertical peri-implantar tem sido realizada com radiografias periapicais padronizadas (em relação a todos os parâmetros de aquisição da imagem, incluindo a relação da fonte geradora e receptora de raios X) e imagens calibradas, para permitir a aferição do nível ósseo nas margens mesial e distal do implante dentário5

Nas publicações citadas, os pacientes não estavam em uso de medicamento para tratamento da osteoporose no momento da instalação dos implantes, e assim permaneceram, no mínimo, até a instalação da prótese. Após a instalação da prótese, uma parcela dos pacientes diagnosticados com osteoporose passou a fazer uso de bifosfonatos para o tratamento da doença.

Reunindo os dados apresentados acima com aqueles discutidos previamente6, pôde-se concluir que não há uma forte correlação entre baixa densidade mineral óssea na coluna e fêmur proximal, e entre sítios maxilares e mandibulares de instalação dos implantes dentários. Além disso, os dados também mostram que a osteoporose não é uma contraindicação para a colocação de implantes, sobrevivência ou sucesso deles. Esses resultados clínicos sugerem que a instalação e o carregamento dos implantes dentários têm efeito positivo na manutenção do tecido ósseo bucal, o que minimiza – e em alguns casos até contraria – os efeitos do avanço da idade e da osteoporose na biologia óssea.  

 

REFERÊNCIAS

1. de Medeiros FCFL, Kudo GAH, Leme BG, Saraiva PP, Verri FR, Honório HM et al. Dental implants in patients with osteoporosis: a systematic review with meta-analysis. Int J Oral Maxillofac Surg 2018;47(4):480-91.

2. Chow L, Chow TW, Chai J, Matt heos N. Bone stability around implants in elderly patients with reduced bone mineral density – a prospective study on mandibular overdentures. Clin Oral Implants Res 2017;28(8):966-73.

3. Temmerman A, Rasmusson L, Kübler A, Th or A, Quirynen M. An open, prospective, non-randomized, controlled, multicentre study to evaluate the clinical outcome of implant treatment in women over 60 years of age with osteoporosis/ osteopenia: 1-year results. Clin Oral Implants Res 2017;28(1):95-102.

4. von Wowern N, Gotf redsen K. Implant-supported overdentures, a prevention of bone loss in edentulous mandibles? A 5-year follow-up study. Clin Oral Implants Res 2001;12(1):19-25.

5. Schropp L, Stavropoulos A, Spin-Neto R, Wenzel A. Evaluation of the RB-RB/ LB-LB mnemonic rule for recording optimally projected intraoral images of dental implants: an in vitro study. Dentomaxillofacial Radiol 2012;41(4):298-304.

6. Pereira LAVD, Costa CFP, Spin-Neto R. A osteoporose interfere na sobrevivência dos implantes? ImplantNewsPerio 2018;3(2):356-8.

 

 

Luis Antonio Violin Pereira

 

Professor titular do Depto. de Bioquímica e Biologia Tecidual (DBBT) da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Carolina Frandsen Pereira da Costa

Ilustradora; Doutoranda no programa de pós-graduação em Biologia Celular e Estrutural do Instituto de Biologia (Unicamp-IB).

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Rubens Spin-Neto

Professor associado do Departamento de Odontologia e Saúde Oral da Universidade de Aarhus, Dinamarca.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo