Publicado em: 22/05/2018 às 17h46

Piezocirurgia: boas vibrações e resultados promissores

Tecnologia oferece maior precisão ao cirurgião-dentista e mais conforto ao paciente, tanto em procedimentos simples quanto nos mais complexos.

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Apesar de ganhar notoriedade apenas nos últimos anos em consultórios odontológicos, as primeiras cirurgias ósseas com uso de vibrações ultrassônicas foram descritas entre 1951 e 1974. Logo depois, Horton e colaboradores descreveram o uso em cirurgia bucomaxilofacial.

Mas, o grande incentivo à técnica teve início em 1997, quando o cirurgião italiano Prof. Tomaso Vercellotti, em parceria com a Mectron S.p.a, modificou a tecnologia ultrassônica e descreveu as diversas aplicações clínicas em procedimentos odontológicos. Nesse estudo, foi relatada a vasta aplicação em Periodontia, Endodontia, Ortodontia, Cirurgia Bucomaxilofacial e Implantodontia. “Apenas em 1999, o Prof. Vercellotti introduziu o termo piezosurgery (em português, piezocirurgia) para esse novo método de tratamento com aparelhos piezoelétricos. E, em 2001, começaram a ser publicados os primeiros casos documentados com a técnica”, explica Angelo Menuci, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e mestre em Odontologia.  

Desde o primeiro aparelho piezoelétrico criado pela Mectron, introduzido em 2001, diferentes gerações foram desenvolvidas, agregando novas funções, aprimorando o controle da micromovimentação, criando novos insertos e, inclusive, aperfeiçoando o design, com modelos que possuem controle digital. “A parte mais importante do equipamento é o hand piece (peça de mão), que contém placas de cerâmica internamente, as quais, quando submetidas à carga elétrica, produzem microvibrações transmitidas aos insertos. O controle da descarga elétrica aumenta ou diminui a potência do aparelho”, descreve Robert Carvalho da Silva, doutor em Clínica Odontológica.

Hoje, esse é um dos procedimentos de maior ascensão entre os cirurgiões-dentistas. Segundo Menuci, a cirurgia piezoelétrica utiliza ondas de radiofrequências variáveis que permitem a oscilação dos insertos, resultando em osteotomias precisas e seguras, por agir apenas em tecidos mineralizados. “Dessa forma, são preservadas estruturas anatômicas, como vasos e nervos, reduzindo riscos operatórios, como sangramento e alterações neurossensoriais. Também são minimizadas possíveis complicações cirúrgicas, por exemplo, rompimento da membrana de Schneider durante a cirurgia de elevação do assoalho do seio maxilar”, reforça.

De maneira geral, esse procedimento substitui técnicas convencionais com fresas e cinzéis. Fabiano Capato Brito, especialista e mestre em Implantodontia, lembra que vários estudos demonstraram resultados promissores, incluindo uma superfície de corte mais suave, geometrias de corte precisas e rápida regeneração óssea em comparação aos métodos convencionais. “Além disso, os dispositivos piezoelétricos não cortam os tecidos moles devido aos movimentos de alta frequência, que ocorrem na faixa micrométrica”, ressalta.

 

Insertos Mectron.

 

Indicações clínicas

Vercellotti, em parceria com a empresa Mectron, descreveu a piezocirurgia como indicação em diversos tratamentos, dentre eles, amputação radicular, raspagens radiculares, cirurgias periodontais, cirurgia paraendodôntica, limpeza extrarradicular apical, tratamento  intracanal, corticotomia para aceleração do tratamento ortodôntico, osteotomias em cirurgias ortognáticas, remoção de dentes inclusos, osteotomias em lesões e tumores, preparo do leito de implantes, coleta de enxerto autógeno raspado, elevação de seio maxilar e split crest.

Para Silva, essa técnica, basicamente, permite substituir as brocas, serras e cinzéis pelos insertos. Em outras palavras, sempre que qualquer osteotomia ou osteoplastia for indicada na Periodontia ou Implantodontia, pode-se optar pela piezocirurgia. “Esse é um instrumento muito gentil para produzir cortes no osso e não há contraindicações específicas. No passado, discutia-se uma eventual infl uência do aparelho no funcionamento de marcapassos, o que nunca foi comprovado”, avalia. 

Em procedimentos que envolvam preparo ósseo e cujo objetivo seja a diminuição do trauma ao paciente, a primeira escolha de Capato é a piezocirurgia. “Utilizo em exodontia de terceiros molares, instalação de implantes imediatamente após extrações e enxertos ósseos – tanto em cirurgias de levantamento de seios maxilares ou remoção óssea autógena para regenerações ósseas guiadas verticais e horizontais”, enumera.
 

As inserções para a preparação do sítio do implante resguardam a qualidade óssea da maxila. (Fotos: divulgação)

 

Pontos positivos

 Em termos técnicos, a piezocirurgia é extremamente precisa, pois promove cortes milimétricos e delgados em tecido ósseo com maior segurança e previsibilidade para os procedimentos cirúrgicos. A técnica é extremamente segura, pois protege os tecidos moles e assegura um campo operatório limpo. Mais um benefício relatado por Silva diz respeito à reparação do osso cortado/preparado, além do efeito antimicrobiano, já que a parede bacteriana literalmente explode frente ao efeito cavitacional imposto pela vibração da ponta piezoelétrica.

Outra questão é o menor risco cirúrgico. Devido à seletividade do instrumento, é possível encostar em tecidos moles – como gengiva, artérias e nervos – sem que ocorra a ruptura dos mesmos. “Quanto aos aspectos histológicos, diversos trabalhos na literatura comprovam que a piezocirurgia acelera o processo de cicatrização, diminui as reações inflamatórias (quando comparadas às fresas convencionais) e, consequentemente, gera melhor neoformação óssea em volta de implantes ou em regiões de enxertias ósseas”, comenta Capato.

Essa tecnologia se mostrou especialmente indicada em situações complexas, nas quais precisão e menor trauma fazem toda a diferença no resultado do tratamento. Conforme Menuci lembra, isso também se converte em vantagem biológica, porque favorece o reparo da ferida operatória, com recuperação mais rápida do paciente. “Nossa rotina cirúrgica mudou marcadamente, transformando sua aplicação numa situação corriqueira e testemunhando os benefícios do uso do equipamento piezoelétrico nos resultados clínicos”, destaca.

Como o aparelho piezoelétrico não aquece o osso – porque a ponta deve sempre estar em movimento e sob intensa irrigação, de preferência pré-refrigerada –, o risco de necrose óssea é muito reduzido. “Outro aspecto extremamente importante é o efeito estimulatório da vibração piezoelétrica nos osteoblastos, o que explica a rápida reparação óssea. Por todas essas razões, o clínico que utiliza essa tecnologia observa um pós-operatório muito favorável em seus pacientes, que por sua vez têm uma percepção mais favorável da cirurgia, com menos edema, dor e morbidade em relação aos procedimentos realizados com métodos tradicionais de osteotomia/ osteoplastia”, diz Silva. 


 

Peça de mão do Piezosurgery®. Piezosurgery® Touch.

 

Pioneirismo

Além de ser o primeiro aparelho desenvolvido no mundo, o Piezosurgery®, da Mectron S.p.a., distribuído no Brasil pela Implantec Health Care Technology, é líder mundial em tecnologia e considerado o único do mercado. A qualidade técnica do equipamento e os resultados obtidos estão comprovados em mais de 200 publicações em periódicos científicos de alto impacto – uma consequência da colaboração de universidades em vários países e educação continuada.

Com as parcerias e os estudos ao longo dos anos, a Mectron chegou ao patamar tecnológico atual, muito importante em trabalhos de caráter científico e em experiências clínicas. “Em minhas aulas, costumo falar que temos que investir na nossa profissão, perseverando para obter resultados  positivos através de estudo, treinamento e tecnologia, mas sempre pensando no melhor que podemos oferecer aos nossos pacientes”, adiciona Capato.

Silva, que também utiliza os equipamentos de piezocirurgia da Mectron em todos os procedimentos de manipulação óssea, afirma que, nos últimos anos, seus resultados têm melhorado bastante, não só pelo maior domínio das técnicas, mas pelo benefício dessa tecnologia. “A Odontologia tem se tornado menos puramente tecnicista, e mais biologicamente conduzida. A tecnologia deve ser empregada em benefício dos pacientes, para obter resultados de excelência. Creio que hoje o equipamento piezoelétrico é uma ferramenta indispensável para o perio-implantodontista moderno”, finaliza.

 

Matéria sob demanda desenvolvida pela VM Branded.  
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