Publicado em: 22/05/2018 às 17h53

Eles, elas e os bifosfonatos: algo novo no horizonte?

Os editores científicos Paulo Rossetti e Antonio Sallum ressaltam a necessidade de unir esforços na criação de uma grande campanha de prevenção à osteorradionecrose bucal medicamentosa.

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"Eles e elas” são os novos garotos e garotas do pedaço. Combinam seus cabelos brancos com as pranchas de surfe, ouvem os clássicos nos aplicativos de música, brincam de skate com seus netos e ainda por cima ensinam aos seus filhos que a vida agora recomeça ou começa (bem depois) dos 50.

Mas, “eles e elas” também vão ao dentista e querem fazer implantes (dentários ou não). Entretanto, “eles e elas” tomam, há muito tempo, medicamentos para reposição hormonal e osteoporose. Por fim, “eles e elas” estão assustados porque descobriram que fazer tratamento dentário poderá ser um “grande problema” nessas condições.

Esta edição da ImplantNewsPerio traz uma matéria especial sobre os bifosfonatos. Discutimos esse assunto há dez anos. A relação entre o medicamento e a lesão saiu do campo da controvérsia, já que as bulas desses fármacos agora trazem o aviso sobre a possibilidade da osteonecrose dos maxilares.

Felizmente, para os implantodontistas e periodontistas, depois de mais de 40 anos de história, novas classes de medicamentos estão disponíveis. Elas possuem meia-vida muito menor e os possíveis efeitos adversos (as lesões ósseas e fístulas que não cicatrizam depois de oito semanas) são aliviados rapidamente quando descontinuadas essas novas terapias.

O termo também mudou: saímos da BRONJ (osteonecrose dos maxilares relacionada aos bifosfonatos) para a MRONJ (osteonecrose dos maxilares relacionada aos medicamentos).  Sim, agora consideramos que essas lesões podem ser causadas por outros medicamentos. Os estudos controlados também mostram que eles podem ser alternados com os bifosfonatos em uma tentativa de manter a massa óssea e aliviar os problemas. Porém os dados são incipientes.

Esse é só o começo da história. Os leitores também irão perceber como é difícil tratar uma lesão com essa natureza, dada a variabilidade dos protocolos existentes. Como cirurgiões-dentistas, mesmo não sendo implantodontistas e/ ou periodontistas, continuamos em uma posição ímpar: com certeza, seremos os primeiros a identificar e diagnosticar essas lesões em pacientes sob tratamento antirressorptivo. Afinal, a mandíbula é um sítio de remodelação óssea muito ativo.

Como a osteoporose é um problema de saúde pública (leia-se o estudo brasileiro Brazos, publicado em 2010: https:// goo.gl/L8Vv1M) e esses medicamentos são uma possibilidade efetiva para controlar a massa óssea, é preciso refletir, porque teremos cada vez mais “eles e elas” nos próximos 50 anos.

E assim, mais do que nunca, é preciso unir esforços nas esferas públicas e particulares na criação de uma grande campanha de prevenção à osteorradionecrose bucal medicamentosa.

Obviamente, não será uma guerra contra o laboratório A ou B, mas uma necessidade fundamental, porque uma simples extração dentária poderá reduzir significativamente a chance de uma reabilitação bucal bem-sucedida. 

Boa leitura!

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico de Periodontia da ImplantNewsPerio

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