Publicado em: 06/08/2018 às 09h06

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti, Rafaela Videiras e Ana Lívia Fileto Mazzonetto fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Efeito da fototerapia diária coadjuvante na periodontite crônica: estudo cego, randomizado e controlado

Jung GU, Kim JW, Kim SJ, Pang EK. Effects of adjunctive daily phototherapy on chronic periodontitis: a randomized single-blind controlled trial. J Periodontal Implant Sci 2014;44(6):280-7.

Por que é interessante: elucida os efeitos clínicos e microbiológicos da terapia fotodinâmica (TF) diária como coadjuvante à raspagem e alisamento radicular (RAR) em pacientes com periodontite crônica. Este estudo avalia a efetividade da aplicação contínua da TF com a utilização de uma escova dentária elétrica com diodo emissor de luz LED embutido.

Desenho experimental: 41 pacientes com periodontite crônica de moderada à severa foram aleatoriamente divididos em dois grupos terapêuticos: TF+RAR ou apenas RAR. Todos receberam RAR de boca toda. A TF foi realizada três vezes durante um mês, através da utilização de uma escova de dente elétrica com diodo emissor de luz LED embutido.

Os achados: os parâmetros clínicos melhoraram em ambos os grupos. A profundidade a sondagem (PS) reduzir significativamente no grupo TF+RAR (p=0). A PS e o nível de inserção clínico (NIC) mostraram diferenças estatisticamente significantes maiores no grupo TF+RAR, quando comparado ao grupo RAR (p=0,03 para OS; 0,04 para NIC). Houve redução nos níveis de P. gingivalis e T. forsythia, porém, sem diferenças significantes entre os grupos.

Conclusão: o uso adjunto da TF parece ter benefícios clínicos adicionais, mas a evidência de seu efeito antimicrobiano é insuficiente.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2tr5FUp

 

Prevalência e indicadores de risco de peri-implantite em pacientes coreanos com história de doença periodontal: um estudo transversal

Goh MS, Hong EJ, Chang M. Prevalence and risk indicators of peri-implantitis in Korean patients with a history of periodontal disease: a cross-sectional study. J Periodontal Implant Sci 2017;47(4):240-50.

Por que é interessante: analisa a prevalência e os indicadores de risco de peri-implantite em pacientes coreanos com histórico de doença periodontal.

Desenho experimental: foram criados dois grupos – um com histórico de peri-implantite (HP), formado por 370 pacientes com 1.189 implantes; e outro com peri-implantite (PI), formado por 318 pacientes com 1.004 implantes. A prevalência da doença foi calculada no nível do paciente e do implante.

Os achados: a prevalência da doença nos grupos HP e PI variou de 6,7% a 19,7%. A taxa cumulativa de peri-implantite no grupo HP foi maior do que no grupo PI. Em relação ao paciente, a terapia periodontal de suporte (TPS) foi o único indicador de risco significativo para a ocorrência de peri-implantite em ambos os grupos. Já os implantes que suportam prótese dentária fixa e implantes com desconforto subjetivo foram associados a uma maior prevalência de peri-implantite, quando comparados a implantes únicos e sem desconforto subjetivo no grupo HP. A presença de desconforto subjetivo foi a única variável significativa relacionada ao implante, que prediz a peri-implantite no grupo PI.

Conclusão: a prevalência de peri-implantite em pacientes coreanos com histórico de doença periodontal foi semelhante à relatada em outras amostras populacionais. A TPS regular foi importante para prevenir a peri-implantite. Os implantes únicos foram menos suscetíveis à peri-implantite do que os que suportavam próteses fixas. Desconforto subjetivo dos pacientes é um forte indicador de risco para peri-implantite.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2lm1CoK.

 

 

A influência dos fatores de risco sobre a gravidade da peri-implantite

Saaby M, Karring E, Schou S, Isidor F. Factors influencing severity of peri-implantitis. Clin Oral Implants Res 2016;27(1):7-12.

Por que é interessante: avalia retrospectivamente a influência de potenciais fatores de risco, principalmente tabagismo e história prévia de periodontite, sobre a gravidade da peri-implantite.

Desenho experimental: 34 pacientes com um ou vários implantes com perda óssea marginal peri-implantar ≥ 2 mm concomitante a sangramento e/ou secreção purulenta à sondagem. Foram colhidas informações sobre o estado de saúde, tabagismo, razão da perda dentária e tratamento de implante.

Os achados: o tabagismo e a história prévia de periodontite foram fatores de risco significativos para a gravidade da peri-implantite. A presença de tabagismo e de história prévia de periodontite não aumentou a gravidade da peri-implantite, em comparação com esses dois fatores isolados. Desadaptação marginal da supraestrutura e extensas mimetizações gengivais nas próteses fixas implantossuportadas também podem ser fatores de risco.

Conclusão: o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da peri-implantite são importantes em pacientes com história prévia de periodontite e em fumantes, para minimizar o risco de peri-implantite avançada, em conjunto com um meticuloso controle de infecção antes do tratamento com implantes e um programa de manutenção sistemática.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2lyQncK.

 

Resultados clínicos do uso de lasers para a descontaminação de superfícies com peri-implantite: uma revisão sistemática e metanálise

Mailoa J, Lin GH, Chan HL, MacEachern M, Wang HL. Clinical outcomes of using lasers for peri-implantitis surface detoxification: a systematic review and meta-analysis. J Periodontol 2014;85(9):1194-202.

Por que é interessante: compara os resultados clínicos utilizando terapias com lasers e outros tipos de descontaminação de superfície comumente aplicados.

Desenho experimental: busca eletrônica em quatro bases de dados e uma busca manual em periódicos por artigos relevantes, englobando ensaios clínicos comparativos e séries de casos com pelo menos seis anos de acompanhamento, e dez pacientes com peri-implantite tratados com lasers. Também foram incluídos estudos em modelo animal aplicando lasers para o tratamento de peri-implantite. Obrigatoriamente, os estudos selecionados tiveram que relatar a redução de profundidade a sondagem (PS) após a terapia.

Os achados: sete ensaios clínicos prospectivos e dois estudos em animais foram incluídos. As metanálises mostraram uma diferença média ponderada global de 0 mm (95% de intervalo de confianca = -0,18 a 0,19 mm) de redução da PS, entre os grupos laser e tratamento convencional (p=0,98), para intervenção não cirúrgica.

Conclusão: os lasers podem ser um complemento no tratamento de peri-implantite, no entanto os montantes de redução de PS, ganho de inserção clínica e preenchimento ósseo radiográfico pareceram idênticos a outros métodos de descontaminação de superfície comumente utilizados.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2K9jeTR.

 

 

Alterações de volume tridimensional em cavidades alveolares severamente reabsorvidas após aumento de crista com enxerto de origem bovina e barreira reabsorvível: um estudo preliminar com imagens de TCFC

Manavella V, Romano F, Corano L Bignardi C, Aimett i M. Three-dimensional volumetric changes in severely resorbed alveolar sockets after ridge augmentation with bovine-derived xenograft and resorbable barrier: a preliminary study on CBCT imaging. Int J Oral Maxillofac Implants 2018;33(2):373-82.

Por que é interessante: avalia as mudanças volumétricas após o aumento do rebordo em alvéolos severamente reabsorvidos, utilizando um material de reabsorção lenta coberto com membrana de colágeno.

Desenho experimental: 11 pacientes (seis homens e cinco mulheres, com 52,7 ± 8,3 anos) tiveram seus dentes extraídos por problemas periodontais na região anterior da maxila e sofreram aumento do rebordo com osso mineral bovino desproteinizado (DBBM) e membrana de colágeno. As mudanças foram avaliadas pela superposição das tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC) iniciais e 12 meses depois.

Os achados: depois de 12 meses, as mudanças mais significativas ocorreram 1 mm apical à crista óssea.

Conclusão: esta nova técnica regenerativa foi capaz de melhorar o contorno do rebordo em alvéolos comprometidos.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2tncEyB.

 

Carga imediata de implantes inclinados e axiais na região posterior de maxilas edêntulas: uma comparação retrospectiva de cinco anos de resultados

Toljanic JA, Ekstrand K, Baer RA, Thor A. Immediate loading of tilted and axial posterior implants in the edentulous maxillary arch: a retrospective comparison of 5-year outcomes. Int J Oral Maxillofac Implants 2018;33(2):433-8.

Por que é interessante: compara implantes axiais e inclinados na região posterior da maxila.

Desenho experimental: 51 indivíduos com 64 implantes inclinados e 38 axiais sob carga imediata. A sobrevivência dos implantes e as alterações do nível ósseo marginal foram comparadas.

Os achados: após cinco anos, 40 pacientes com 53 implantes inclinados e 38 axiais foram avaliados. Foram observadas cinco falhas nos implantes inclinados e sete nos axiais. Constatou-se que as diferenças nas perdas ósseas não foram significativas.

Conclusão: na maxila edêntula, é possível obter reabilitações previsíveis com implantes inclinados aliados aos axiais no carregamento imediato.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2MfhoNF.

 

Perda óssea marginal em implantes com diferentes características de superfície – 20 anos de acompanhamento de um ensaio clínico randomizado controlado

Donati M, Ekestubbe A, Lindhe J, Wennström JL. Marginal bone loss at implants with different surface characteristics – a 20-year follow-up of a randomized controlled clinical trial. Clin Oral Implants Res 2018;29:480-7.

Por que é interessante: relata o acompanhamento de 20 anos relacionado à perda óssea peri-implantar.

Desenho experimental: estudo randomizado controlado feito em implantes com superfície lisa e implantes com superfície asperizada (TiOBlast), realizado em 51 pacientes recebendo próteses fixas parciais.

Os achados: depois de 20 anos, 25 pacientes com 64 implantes foram avaliados. No total, 47% dos implantes lisos e 34% dos implantes rugosos não mostraram perda óssea. Os valores médios foram 0,41 mm para o implante liso e 0,83 mm para o rugoso, sem diferenças significativas.

Conclusão: sugere-se que um aumento moderado na rugosidade superficial do implante não tem efeito benéfico em longo prazo na preservação do nível ósseo marginal peri-implantar.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2IhvtI6.

 

Reúso de implantes dentários? Um estudo experimental para detectar a taxa de sucesso de reosseointegração

Ulu M, Kiliç E, Soylu E, Kürkçü M, Alkan A. Reusing dental implants? An experimental study for detecting the success rates of re-osseointegration. Int J Implant Dent 2018;4:22.

Por que é interessante: faz uma comparação histomorfométrica entre implantes removidos e implantes novos com superfície SLA.

Desenho experimental: dez cães Beagles foram divididos em quatro grupos, com a inserção de 36 implantes. A peri-implantite foi induzida nos grupos 1 e 2, cerca de dois meses antes da colocação dos implantes. No grupo 1, as superfícies dos implantes foram descontaminadas com jato de ar e ácido cítrico, enquanto que no grupo 2 foram esterilizadas e desinfetadas com jato e ácido. Em ambos os grupos, os implantes foram reinseridos nos mesmos cães. No grupo 3, os implantes foram removidos após a peri-implantite, limpos, esterilizados e reinseridos. O grupo 4 serviu como controle.

Os achados: o contato osso-implante e a frequência de ressonância foram similares em todos os grupos, depois de três meses de osseointegração.

Conclusão: não há diferença entre implantes novos e reusados, com relação à osseointegração, neste modelo em animais.

Veja o artigo original em https://bit.ly/2yzjoyB.

 

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