Publicado em: 06/08/2018 às 09h40

Tratamento odontológico para portadores de HIV

Pesquisa realizada na USP desmistifica o atendimento odontológico a pacientes portadores do vírus HIV.

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Pacientes portadores do vírus HIV estão apresentando menos doenças bucais oportunistas. (Imagem: Shutterstock)


Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) contribuiu para desmistificar o atendimento odontológico a pacientes portadores do vírus HIV. Hoje, além de estarem mais longevos, eles estão apresentando menos doenças bucais oportunistas, que se aproveitam da baixa na imunidade causada pelo vírus. A pesquisa foi feita no Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia da USP e irá auxiliar cirurgiões-dentistas na realização de procedimentos adequados e na avaliação de comorbidades que podem afetar o manejo clínico odontológico.

Orientado pela professora Marina Gallottini, coordenadora do Cape, o trabalho de Maria Fernanda Bartholo Silva foi feito com base em exame e entrevista de 101 pacientes com HIV do centro de atendimento durante os anos de 2016 e 2017. O levantamento também objetivava atualizar informações e compará-las com as obtidas em outra pesquisa semelhante que havia sido feita pelo Cape em 2006.

Dos entrevistados (a maioria homens), muitos apresentaram lipoatrofi a facial ou perda de gordura subcutânea do rosto (32%), seguida por xerostomia, ou boca seca (29%), e aumento de glândulas salivares (11%), mas sem incidência de doenças bucais oportunistas graves. Em relação ao estudo de 2006, houve aumento do número de pacientes com doenças metabólicas – pressão alta, alterações de colesterol, triglicérides e glicemia.

O uso de medicamentos antirretrovirais tem se mostrado eficaz porque as drogas preservam a imunidade do paciente, melhoram a qualidade de vida e reduzem as chances de transmissão do vírus HIV. Já em relação às manifestações de lesões oportunistas bucais, foi possível observar a menor incidência de candidíase oral e leucoplasia pilosa. “A boca pode ser a sede de uma série de alterações relacionadas direta ou indiretamente com a infecção pelo HIV”, afirma Marina.

A consideração de comorbidades é importante na prestação de cuidados odontológicos porque os indivíduos infectados podem apresentar condições de saúde mais complexas.

Segundo Marina, as alterações sistêmicas encontradas pela pesquisa não limitam o atendimento odontológico, embora a pesquisadora recomende que sejam solicitados exames, como hemograma, CV (carga viral) e o CD4 (que determina a quantidade de linfócitos no sangue), antes de iniciar o tratamento para avaliar a saúde do paciente.
 

Fonte: Agência de notícias da USP.

 

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