Publicado em: 06/08/2018 às 10h25

Uso do laser na Implantodontia e Periodontia: mais de 20 anos de história

Por que não utilizar o laser como rotina no tratamento odontológico? Jamil Shibli aborda o tema.

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Com o avanço da tecnologia digital, surge a discussão sobre as possíveis inovações da utilização do laser na Odontologia e, principalmente, na Implantodontia e Periodontia. O tratamento com laser de baixa intensidade associado à biomodulação – para a melhora na cicatrização óssea após procedimentos cirúrgicos de enxerto e inserção de implantes – vem sendo utilizado com frequência2,5. A interação da energia emitida pelo laser com o tecido ósseo, mais especificamente pelos osteoblastos e algumas moléculas, produz melhores resultados clínicos tanto em modelos pré-clínicos quanto em estudos clínicos controlados e randomizados.

A terapia fotodinâmica é outra aplicação do laser de baixa intensidade associado a corantes, como o azul de metileno e o azul de toluidina, utilizada há algumas décadas tanto no tratamento de problemas oncológicos quanto na Periodontia e Implantodontia. No caso específico da doença peri-implantar e periodontal, a energia emitida pelo laser interage com o corante, gerando o oxigênio singlet (O-3), que atua na parede celular e nas organelas presentes no citoplasma bacteriano, agindo como terapia antimicrobiana3-4. Este tratamento é efetivo em patógenos periodontais como Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Porphyromonas gingivalis, Fusobacterium nucleatum e Prevotella intermedia, bactérias associadas às doenças periodontias e peri-implantares. Alguns estudos têm sugerido ainda a utilização da terapia fotodinâmica como coadjuvante à terapia mecânica associada ou não à regeneração óssea guiada (ROG). A terapia fotodinâmica auxiliaria na descontaminação microbiana da região a ser regenerada, além de prover melhora na reparação dos tecidos moles e duros.

Já os lasers de alta intensidade, como CO2, Er,Cr:YSGG (er bium-cromo dopado com ytt rium, gallium, garnet) e Er:YAG (erbium dopado com ytt rium aluminium garnet), são velhos conhecidos da Implantodontia e da Periodontia. Utilizados durante o procedimento de reabertura dos implantes no segundo estágio cirúrgico, preparo do leito cirúrgico para inserção dos implantes e na detoxificação da superfície de implantes no tratamento das peri-implantites (Figuras 1), são muito eficientes como instrumentos para o profissional que busca, além de um diferencial técnico, uma ferramenta altamente efetiva e produtiva. Além de não haver a necessidade do contato físico com a superfície do implante ou óssea, os lasers têm uma interação secundária interessante com os tecidos, oferecendo melhor reparação mesmo em cirurgias estéticas periodontais pouco invasivas, como gengivectomias e aumentos de coroas (Figuras 2). Uma recente revisão da literatura1 mostrou que os efeitos benéficos dos lasers seriam superiores às terapias mecânicas convencionais, como curetas, jatos de bicarbonatos e brocas.

Figuras 1 – A. Peri-implantite com sangramento a sondagem e profundidade de sondagem de 9 mm na mesial.
B. Debridamento com laser de Er:YAG (Lite-touch, Light Instruments – Israel).

 

Figuras 2 – A. Incisão utilizando laser Er:YAG (Lite-touch, Light Instruments – Israel) para aumento de coroa clínica associado à gengivectomia, com guia cirúrgico produzido com o arquivo Dicom da paciente. B. Osteotomia para remoção de tecido ósseo durante aumento de coroa clínica com ponta afilada. C. Aspecto clínico imediato após remoção do tecido ósseo.

 

Essa discussão ou abordagem sobre a utilização do laser, principalmente o de alta intensidade, sempre foi motivo de “discórdia” entre alguns profissionais, seja pelo desconhecimento das vantagens desta tecnologia ou pelo alto investimento agregado ao equipamento e à aquisição do knowhow para utilização. No que tange a coluna desta edição da revista, a utilização de equipamentos denominados “novos”, “de ponta” ou “inovadores” sempre objetiva apresentar facilidades e novos e eficientes protocolos terapêuticos aos profissionais e, principalmente, aos pacientes.

Como o ponto focal do atendimento odontológico é sempre a perfeição pautada por uma técnica alicerçada em conhecimentos técnico-científicos, surge a dúvida: por que não utilizar o laser como rotina no tratamento odontológico? Vale a pena conhecer mais sobre as vantagens e, por que não, sobre as limitações deste equipamento? Sem dúvida nenhuma, sim.

 

REFERÊNCIAS
1. Aoki A, Mizutani K, Schwarz F, Sculean A, Yukna RA, Takasaki AA et al. Periodontal and peri-implant wound healing following laser therapy. Periodontol 2000 2015;68:217-9.
2. Blay A, Blay CC, Tunchel S, Gehrke SA, Shibli JA, Groth EB et al. Eff ects of a low-intensity laser on dental implant osseointegration: removal torque and resonance fr equency analysis in rabbits. J Oral Implantol 2016;42(4):316-20.
3. Shibli JA, Martins MC, Nociti Jr. FH, Garcia VG, Marcantonio Jr. E. Treatment of ligature-induced peri-implantitis by lethal photosensitization and guided bone regeneration: a preliminary histologic study in dogs. J Periodontol 2003;74(3):338-45.
4. Shibli JA, Martins MC, Th eodoro LH, Lotufo RF, Garcia VG, Marcantonio EJ. Lethal photosensitization in microbiological treatment of ligature-induced peri-implantitis: a preliminary study in dogs. J Oral Sci 2003;45(1):17-23.
5. Soares RD, Rodrigues JA, Cassoni A, Cruz A, Simões CO, Pasqua-Neto JD et al. In vitro behavior of osteoblasts on zirconia after different intensities of erbium, chromium-doped: ytt rium, scandium, gallium, and garnet-laser irradiation. J Craniofac Surg 2016;27(3):784-8.

 

Jamil A. Shibli

Professor titular do Programa de pós-graduação em Odontologia, áreas de Implantodontia e Periodontia – Universidade Guarulhos (UnG); Livre-docente do Depto. de Cirurgia e Traumatologia BMF e Periodontia – Forp/USP; Doutor, mestre e especialista em Periodontia – FOAr-Unesp.

 
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