Publicado em: 06/08/2018 às 10h50

Formação profissional: uma escolha cruel

Qual curso devo fazer? Em qual área? Qual o melhor formato? Julio Cesar Joly reflete sobre a questão.

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Diariamente somos seduzidos por anúncios oferecendo algum tipo de curso ou congresso. A quantidade de postagens em mídias sociais é assustadora, já os fôlderes impressos ou anúncios em revistas se tornaram artigos em extinção, visto que o binômio custo e tempo passou a ser preponderante na escolha dos veículos de divulgação.

Há centenas de cursos de todos os tipos, para todos os gostos e bolsos. Os títulos são sempre atrativos e as propostas variam do convencional ao extravagante, do clássico ao surreal. Existem versões de longa, média, curta e instantânea duração. Podem ser teóricos, laboratoriais, demonstrativos ou clínicos. Presenciais ou à distância. Oferecidos no Brasil ou no exterior. Enfim, diante de tantas opções, algumas dúvidas são inevitáveis: qual curso devo fazer? Em qual área? Qual o melhor formato? Será que valerá a pena? O grande problema é que nem sempre conseguimos responder a essas e outras questões antes da matrícula, pagamento da primeira parcela e início das atividades. Realmente, isso é preocupante, pois o planejamento de um curso envolve aspectos tangíveis, como o aporte financeiro, e outros intangíveis, como o tempo investido e a expectativa de êxito.

Frustrações são frequentes, e os motivos variam de professores despreparados e incapazes de formar e informar até objetivos propostos completamente desalinhados com o conteúdo apresentado. Quando se percebe rapidamente que o projeto não vai decolar, podemos até pensar em “abandonar o barco”, se houver tempo hábil, pois, muitas vezes, os cursos são curtos ou nossa percepção tardia, e isso gera a nítida impressão de que não há nada que se possa fazer, a não ser torcer para terminar logo. E esse marasmo enfadonho provoca a nítida impressão de que fomos lesados e enganados, limitando o aproveitamento dos aspectos positivos, caso existam.

Devemos admitir que não há um curso perfeito. Todos os modelos são passíveis de críticas relacionadas ao aconchego das instalações, à expertise do corpo docente, à disponibilidade de pacientes, equipamentos e materiais, e ao próprio perfil dos alunos que compõem o grupo. No entanto, se a essência for decente, se houver boa intenção e transparência das partes envolvidas, o balanço é sempre positivo. Claro que existem bons cursos, capazes de saciar pelo menos parcialmente nossas necessidades. Por outro lado, se o modelo adotado for o tradicional “faz de conta que eu ensino e você faz de conta que aprende”, o único pseudobenefício será mais um diploma empoeirado na gaveta ou pendurado na parede do consultório.

Pense muito bem antes de eleger um curso. Não se iluda com logomarcas universitárias, formações curriculares de Facebook, títulos extravagantes e propostas mirabolantes. Priorize a qualidade da informação transmitida e filtre os reais benefícios que serão agregados à sua atuação profissional. Há um abismo gigantesco separando os formadores de opinião que atuam fundamentados exclusivamente em suas impressões e experiências clínicas, e profissionais que atuam de forma crítica e reflexiva, interpretando todo conhecimento técnico e científico que é produzido.

Não devemos acreditar em tudo o que lemos, tampouco em tudo o que escutamos. Valorize a objetividade e a transparência das informações, sem rodeios. E, finalmente, entenda que caro ou barato é absolutamente relativo.

 

Julio Cesar Joly

Especialista, mestre e doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Coordenador dos cursos de mestrado em Implantodontia e Periodontia – SLMandic Campinas; Coordenador – Instituto ImplantePerio; Autor dos livros “Reconstrução Tecidual Estética” e “Perio-Implantodontia Estética”.

 
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