Publicado em: 06/08/2018 às 11h05

Evidências, ora as evidências

Os editores científicos Paulo Rossetti e Antonio Sallum destacam que muitos estudos clínicos e laboratoriais devem estar comparando HE e MT neste momento.

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Existem diversas formas de investigar um produto médico ou odontológico. Por exemplo, se desejamos investigar o desempenho de dois sistemas de implantes, podemos selecionar dois grupos de pacientes e colocarmos o implante A em um grupo e o implante B no outro grupo. Chamamos isto de coorte.

Também, podemos colocar os implantes A e B no mesmo grupo de pacientes: um implante vai para um dos lados da arcada e o outro fi ca no outro lado da arcada. Chamamos isso de split mouth ou, em tradução literal, boca dividida. A opção de colocar A ou B na maxila ou mandíbula, lado direito ou lado esquerdo, idealmente, deveria ser decidida pela randomização.

Ambos os casos são desenhos válidos e publicáveis, mas darão respostas diferentes, principalmente quando trabalharmos com pacientes. Isso porque cada paciente tem seu próprio perfil farmacogenético para enfrentar as infecções/inflamações e até a quantidade de força que ele pode colocar, por exemplo, em uma coroa sobre o incisivo central ou segundo molar. Essa característica é do paciente e não podemos mudar – só se ele nascer novamente. Então, faz muito sentido testar duas conexões diferentes no mesmo paciente, pois elas ficariam sujeitas, teoricamente, aos mesmos níveis de força e problemas biomecânicos.

A matéria de capa desta ImplantNewsPerio traz uma comparação entre as conexões hexagonais externas e o sistema morse. Mas, cuidado: nós, os editores científicos da revista, recomendamos que os achados sejam interpretados com cautela. De cara, você perceberá que intencionalmente queremos saber o que ocorre nas situações unitárias. E por quê? Simples: primeiro, a esplintagem, como todos nós sabemos, mesmo sendo uma bênção sem autorização espiritual, garante a sobrevida até daquilo que nem colocávamos tanta fé. Segundo, porque a diferença entre os desenhos das conexões é grande – se você não fica com a sensação de estar comparando laranja com banana, nós ficamos. Terceiro, porque conexões morse já possuem um sistema built-in de redução de plataforma. Quarto, porque remodelação óssea é algo “pessoal e intransferível” – em um português bem claro. Quinto, seu paciente pode não perceber que o “parafuso está solto”.

Ainda, pedimos que vocês, leitores, não se assustem com a quantidade de evidências disponíveis comparando hexágono externo (HE) e morse taper (MT) no mesmo artigo para coroas unitárias. No primeiro artigo clínico selecionado, o efeito da extração e colocação imediata dos implantes conseguiu estatisticamente eliminar as diferenças nas perdas ósseas entre HE e MT. No segundo artigo, com HE e MT sendo do mesmo fabricante, a conexão interna foi favorecida, estando os implantes colocados na região posterior.

Estas são as melhores evidências até agora. Obviamente, no momento que escrevemos este editorial, muitos estudos clínicos e laboratoriais devem estar comparando HE e MT – assim esperamos. Ou não?

Bem, que a evidência aumente e nos traga melhorias clínicas sustentáveis.

Boa leitura!

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

Antonio W. Sallum

Editor científico de Periodontia da ImplantNewsPerio

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