Publicado em: 26/09/2018 às 14h01

Leituras essenciais: seleção de artigos científicos de destaque publicados em periódicos de circulação internacional

Paulo Rossetti e Ana Lívia Fileto Mazzonetto fizeram uma leitura crítica e comentada como proposta para ampliar nossos conhecimentos.

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Efeito da adesão durante a terapia de manutenção periodontal em níveis de bactérias associadas à periodontite – um estudo prospectivo de seis anos

Costa FO, Vieira TR, Cortelli SC, Cota LOM, Costa JE, Aguiar MCF et al. Effect of compliance during periodontal maintenance therapy on levels of bacteria associated with periodontitis: a 6-year prospective study. J Periodontol 2018;89(5):519-30.

Por que é interessante: acompanhou indivíduos em terapia periodontal de suporte (TPS) durante seis anos, realizando uma avaliação longitudinal dos efeitos da assiduidade e colaboração do paciente nos níveis de patógenos periodontais e sua relação com a condição periodontal.

Desenho experimental: estudo com 212 indivíduos em TPS, sendo que 91 foram determinados como elegíveis. Deste total, 28 com colaboração regular (CR) foram selecionados e pareados por idade e sexo com 28 colaboradores irregulares (CI). Foram obtidos exame periodontal completo e amostras microbiológicas em cinco tempos: antes da terapia periodontal ativa (TPA), após a TPA, dois anos, quatro anos e seis anos.

Os achados: o grupo de CR teve menos perda dentária e melhores condições clínicas e microbiológicas quando comparado com CI, que apresentou maior contagem bacteriana total e níveis de Treponema denticola mais elevados. Além disso, em CI as contagens bacterianas totais foram associadas positivamente com índice de placa e sangramento a sondagem, enquanto os níveis de Actinomyces naeslundii, Tannerella forsythia e Treponema denticola se associaram negativamente à perda de inserção clínica (4 a 5 mm) no grupo RC.

Conclusão: a adesão dos pacientes influenciou positivamente a microbiota subgengival e contribuiu para a estabilidade do estado clínico periodontal. Visitas regulares durante a TPS mantiveram os benefícios microbiológicos alcançados durante a TPA por um período de seis anos.

 

Impacto de um dentifrício contendo triclosan durante a progressão experimental da mucosite peri-implantar: padrão de parâmetros clínicos e locais de medidores osteoimunoinflamatórios em fluido peri-implantar

Ribeiro FV, Casati MZ, Casarin RC, Corrêa MG, Cirano FR, Negri BM et al. Impact of a triclosan-containing toothpaste during the progression of experimental peri-implant mucositis: clinical parameters and local patt ern of osteo-immunoinfl ammatory mediators in peri-implant fluid. J Periodontol 2018;89(2):203-12.

Por que é interessante: avalia a influência de um creme dental contendo triclosan no perfil de mediadores osteoimunoinfl amatórios, no fluido crevicular peri-implantar (FCPI) e nos parâmetros clínicos durante a progressão da mucosite peri-implantar.

Desenho experimental: 22 pacientes com coroa implantossuportada foram incluídos no estudo. Durante três semanas de indução de mucosite peri-implantar, eles usaram três vezes ao dia: triclosan (n=11), creme dental com triclosan/copolímero/fluoreto; ou placebo (n=11), creme dental com flúor. Após profilaxia profissional, foi estabelecido um intervalo de 30 dias entre as diferentes terapias. Parâmetros clínicos e 15 mediadores osteoimunoinflamatórios no FCPI foram avaliados no início e aos três, sete, 14 e 21 dias.

Os achados: ambos os grupos apresentaram aumento no índice de placa do terceiro ao 21o dia (p < 0,05). Apenas o tratamento com triclosan evitou o aumento do sangramento a sondagem (SS), com p > 0,05, enquanto a intensificação do SS foi observada a partir do 14o dia nos sítios placebos (p < 0,05). Baixas concentrações de interleucina (IL)-10 foram detectadas no grupo placebo no 21o dia, quando comparado com o grupo tratado com triclosan (p < 0,05). Os níveis de IL-10 foram reduzidos e as concentrações de IL-1𝛽 aumentaram aos 21 dias, em comparação com o inicial tratado com placebo (p < 0,05). Os níveis de osteoprotegerina aumentaram significativamente a partir do 14o até o 21o dia, apenas nos sítios tratados com triclosan (p < 0,05).

Conclusão: o creme dental contendo triclosan controla a inflamação clínica e interfere positivamente no perfil dos mediadores osteoimunoinflamatórios durante a progressão da mucosite peri-implantar experimental.

 

Combinação de debridamento ultrassônico, curetagem de tecido mole e polimento da submucosa com jato de ar usando aplicações de iodopovidona para terapias não cirúrgicas de peri-implantite: 12 meses de resultados clínicos

Stein JM, Hammächer C, Michael SS. Com bination of ultrasonic decontamination, soft tissue curettage, and submucosalair polishing with povidone-iodine application for non-surgical therapy of peri-implantitis: 12 months clinical out comes. J Periodontol 2017;15:1-13.

Por que é interessante: avalia os desfechos clínicos de um protocolo não cirúrgico para peri-implantite, combinando medidas de debridamento mecânico passo a passo com a aplicação de iodopovidona coadjuvante, com e sem o uso de antibióticos sistêmicos.

Desenho experimental: 45 pacientes com periodontite crônica e 164 implantes com peri-implantite foram incluídos. A peri-implantite foi definida como perda óssea radiográfica > 2 mm, profundidade de sondagem (PS) ≥ 5 mm com sangramento a sondagem (SS). O tratamento gradual dos implantes foi realizado com debridamento ultrassônico, curetagem de tecidos moles (CTM), polimento com jato de pó de glicina (PJPG) e repetidas aplicações de iodo povidona submucosa. Dentes com PS > 4 mm foram tratados simultaneamente de acordo com o mesmo conceito, exceto CTM. Nos casos com periodontite severa (n=24), amoxicilina e metronidazol (AM) foram prescritos por sete dias.

Os achados: após 12 meses, os implantes tratados sem AM mostraram reduções significativas (p < 0,05) da PS média (1,4 ± 0,7 mm), do nível clínico de inserção (NIC) (1,3 ± 0,8 mm) e SS (33,4% ± 17,2%). Em bolsas profundas (OS > 6 mm), mudanças nas médias de OS (2,3 ± 1,3 mm), NIC (2 ± 1,6 mm) e SS (44% ± 41,7%) foram mais pronunciadas. A redução dos sítios peri-implantares com PS > 4 mm e SS foi significativamente maior em pacientes com AM do que naqueles sem AM (31,8% ± 12,6% versus 20,8% ± 14,7%; p < 0,05).

Conclusão: a combinação de desbridamento ultrassônico, CTM e PJPG com iodopovidona coadjuvante levou a melhoras clínicas significativas nos implantes. O uso de antibióticos sistêmicos teve um efeito limitado na redução de sítios peri-implantares.

 

Obesidade e periodontite: um estudo experimental para avaliar efeitos periodontais e sistêmicos de comorbidade

Virto L, Cano P, Jiménez-Ortega V, Fernández-Mateos P, González J, Esquifino AI et al. Obesity and periodontitis: an experimental study to evaluate periodontal and systemic effects of comorbidity. J Periodontol 2018;89(2):176-85.

Por que é interessante: a obesidade tem sido associada à periodontite. Este estudo avalia os efeitos periodontais e sistêmicos dessa associação em um modelo experimental.

Desenho experimental: 28 ratos foram divididos em quatro grupos: 1) grupo-controle (Con), alimentado com dieta padrão; 2) grupo dieta hiperlipídica (DH), alimentado com dieta contendo 35,2% de gordura; 3) grupo-controle com periodontite induzida (Con-Perio); e 4) grupo DH com periodontite induzida (DH-Perio).

Os achados: profundidade de sondagem (PS) e índice gengival modificado (IGM) foram significativamente aumentados (p < 0,05) nos grupos com periodontite induzida, em comparação com os controles. O grupo DH-Perio demonstrou PS significativamente maior em comparação com o grupo Con-Perio. Perfis lipídicos, citocinas e adipocitocinas mostraram níveis significativamente elevados no grupo DH-Perio, em comparação com os outros grupos. Similarmente, os níveis de glicose no DH-Perio foram significativamente maiores (p < 0,05) do que no grupo DH, e os parâmetros relacionados a danos hepáticos demonstraram tendência para níveis mais elevados no grupo DH-Perio.

Conclusão: obesidade e periodontite demonstraram um efeito de comorbidade em ambos os biomarcadores de desregulação inflamatória e metabólica, com aumento da glicose, dislipidemia e dano hepático.

 

Precisão da tomografia de feixe cônico, ressonância magnética e radiografia intraoral para detectar defeitos ósseos peri-implantares em implantes unitários de zircônia – um estudo in vitro

Hilge nfeld T, Juerchott A, Deisenhofer UK, Krisam J, Rammelsberg P, Heiland S et al. Accuracy of cone-beam computed tomography, dental magnetic resonance imaging, and intraoral radiography for detecting peri-implant bone defects at single zirconia implants – an in vitro study. Clin Oral Implants Res 2018;1-9.

Por que é interessante: avalia o valor do diagnóstico da radiografia intraoral, da tomografia de feixe cônico (TCFC) e da ressonância magnética (RM) para detectar e classificar defeitos peri-implantares nos implantes de zircônia.

Desenho experimental: foram colocados 48 implantes de zircônia em costelas de boi. A concordância diagnóstica entre os examinadores foi avaliada pelos coeficientes de Cohen e Fleiss (Kappa).

Os achados: na detecção dos defeitos, a confiabilidade, sensibilidade e especificidade foram altas. No tipo de classificação, tanto TCFC como RM mostraram maior confiabilidade e sensibilidade. Os defeitos de 1 mm têm menos chances de serem identificados do que defeitos de 3 mm.

Conclusão: as radiografias podem ser recomendadas inicialmente, mas a TCFC e a RM têm maior precisão no diagnóstico.

 

Incidência e padrão de fraturas em implantes: acompanhamento de longo prazo de um estudo multicêntrico

Lee JH, Kim YT, Jeong SN, Kim NH, Lee DW. Incidenc e and pattern of implant fractures: a long-term follow-up multicenter study. Clin Implant Dent Relat Res 2018;20:463-9.

Por que é interessante: verifica a incidência e o padrão de fratura do implante depois de nove anos de acompanhamento.

Desenho experimental: a associação entre a incidência e os padrões de fatura com os fatores clínicos (com base nas variáveis do paciente e variáveis do implante) foi feita pelo teste Qui-quadrado e Fischer.

Os achados: entre os 19.807 implantes colocados em 8.501 pacientes de ambos os sexos, 70 implantes apresentaram fraturas em um total de 57 pacientes. Casos com menos de 50% de perda óssea apresentaram maior incidência de fraturas verticais e horizontais (18,6%). Enquanto, casos com perda óssea grave (≥ 50%) tiveram uma incidência maior de fraturas verticais (31,4%). Ainda, foram observadas fraturas horizontais (além do módulo crestal) em 7,1% dos casos.

Conclusão: defeitos peri-implantares e de fabricação nos implantes foram as principais causas de fraturas.

 

Nova classificação dos contornos do seio maxilar e sua relação com a cirurgia de elevação do assoalho de seio maxilar

Niu L, Wang J, Yu H, Qiu L. New classification of maxillary sinus contours and its relation to sinus floor elevation surgery. Clin Implant Dent Relat Res 2018;20:493-500.

Por que é interessante: propõe uma nova classificação, dependendo dos contornos do seio maxilar, baseada em dados coletados com tomografi as de feixe cônico (TCFC).

Desenho experimental: os seios maxilares foram divididos em cinco categorias: V estreito, estreito, ovoide, quadrado e irregular. O estudo foi realizado com 698 pacientes. As larguras dos seios foram medidas ao nível do segundo pré-molar e primeiro e segundo molares, sendo comparadas posteriormente.

Os achados: no padrão V estreito, recomenda-se o aumento pela via lateral, com regeneração óssea guiada (ROG) para cobrir a janela e impedir a infiltração. Nos tipos estreito e ovoide, o aumento lateral e/ou transcrestal pode ser usado. No tipo quadrado, recomenda-se o aumento lateral com uma janela mais ampla. O tipo irregular deveria receber uma janela lateral mais ampla ou janela dupla.

Conclusão: a classificação é consistente, fácil de visualizar e prática.

 

Mudanças dimensionais da crista com pônticos colocados imediatamente após extração – um estudo-piloto

Bakshi M, Tarnow D, Bittner N. Changes in ridge dimension with pontics immediately placed at extraction sites: a pilot study. Int J Periodontics Restorative Dent 2018;38:541-7.

Por que é interessante: avalia as mudanças dimensionais após a colocação imediata de um pôntico oval provisório no alvéolo de extração intacto e sem enxertia.

Desenho experimental: no total, dez pacientes participaram do estudo, com pôntico oval de 3 mm dentro do alvéolo em uma prótese parcial fixa ou através de uma prótese adesiva no dente vizinho. Os modelos de gesso foram escaneados para obter as medidas vestibulolingual e inciso-apical.

Os achados: a mudança dimensional vestibulolingual depois de um mês foi de 0,51 mm; e depois de três meses foi de 0,93 mm. A mudança inciso-apical depois de um mês foi de 0,68 mm, e depois de três meses foi de 1,64 mm.

Conclusão: houve a validação do uso do pôntico oval na preservação do contorno tecidual.

 

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