Publicado em: 26/09/2018 às 14h56

As patologias peri-implantares

Elcio Marcantonio Junior traz informações da nova classificação das doenças periodontais.

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Uma grande dúvida existente na comunidade científica era a determinação do que seria doença peri-implantar. O ponto de corte entre o que seria um implante saudável ou acometido por mucosite peri-implantar ou pela peri-implantite foi determinado de maneira altamente heterogênea por vários autores, de tal forma que implantes considerados portadores de peri-implantite em um estudo poderiam ser atribuídos como acometidos de mucosite em outros estudos. Isso gerou valores de prevalência dessas doenças em faixas muito amplas (variando de 1,1% a 85% de casos diagnosticados como peri-implantite, por exemplo)1 – o que de fato foi fonte de muitas dúvidas quanto à real amplitude da presença dessas doenças nas diferentes populações, bem como dificultou a determinação do que seria sucesso no tratamento das doenças peri-implantares.

Dessa forma, uma classificação padrão determinada por associações de pesquisadores nas áreas de Periodontia e Implantodontia era de extrema necessidade. Umas das críticas à classificação das doenças periodontais de 1999 foi a ausência de um tópico para definir o diagnóstico das patologias que acometem os tecidos peri-implantares2. Sabendo dessa necessidade, a Academia Americana de Periodontia lançou uma atualização da classificação em 2015, já sinalizando que ocorreriam mudanças substanciais na categorização das doenças periodontais3. Por fim, em 2018, ao lançar a nova classificação das doenças periodontais, após reunião entre a Federação Europeia de Periodontia e a Academia Americana de Periodontia, pôde-se confirmar que alterações importantes ocorreram, e uma delas foi a inclusão das doenças peri-implantares. Outra grande novidade: não apenas as definições de doença foram determinadas, mas também o estabelecimento do que é saúde periodontal e Peri-implantar2,4-5.

As doenças e condições peri-implantares foram divididas da seguinte forma: 1) saúde peri-implantar; 2) mucosite; 3) peri-implantite; e 4) deficiência de tecidos moles e duros peri-implantares2-4. Por não se caracterizar como doença inflamatória, mas como consequência de problemas técnicos cirúrgicos e de planejamento, ou por ser oriundo de sequelas de doenças inflamatórias, o tópico 4 não será conceituado nesta coluna.

A saúde peri-implantar foi identificada como ausência de edema, eritema e sangramento, associados a sítios que apresentavam ou não perda óssea. Além disso, sangramentos pontuais não devem ser considerados como determinantes nos diagnósticos da doença6. Já a mucosite foi designada como a presença de inflamação com ausência de perda óssea, associada à presença de sangramento, edema e/ou supuração, sendo que os sinais clínicos dessa doença podem ser revertidos em até três semanas após o tratamento7.

Por fim, a peri-implantite foi definida como a presença de inflamação associada com perda óssea. Idealmente, deve-se ter a radiografia Baseline para execução do diagnóstico. Qualquer sinal de perda óssea adicional após a instalação da prótese, associado ao aumento de profundidade de sondagem e sangramento, é característico da peri-implantite. Na ausência de radiografia Baseline, a peri-implantite é diagnosticada quando existe nível ósseo peri-implantar > 3 mm associado à profundidade de sondagem > 6 mm e sangramento a sondagem8.

Esses parâmetros de diagnóstico da doença peri-implantar deverão ser de conhecimento dos profissionais de Odontologia de uma forma geral, pois as informações a respeito de etiologia, tratamento e prognóstico das doenças peri-implantares terão como base a utilização dessa classificação5.
 

REFERÊNCIAS
1. Dreyer H, Grischke J, Tiede C, Eberhard J, Schweitzer A, Toikkanen SE et al. Epidemiology and risk factors of peri-implantitis: a systematic review. J Periodontal Res. 2018 Jun 7.
2. Caton J, Armitage G, Berglundh T, Chapple ILC, Jepsen S, Kornman K et al. A new classification scheme for periodontal and peri-implant diseases and conditions – introduction and key changes from the 1999 classification. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S1-S8.
3. AAP. American Academy of Periodontology Task Force Report on the Update to the 1999 Classification of Periodontal Diseases and Conditions. J Periodontol 2015;86(7):835-8.
4. Berglundh T, Armitage G, Araujo MG, Avila-Ortiz G, Blanco J, Camargo PM et al. Peri-implant diseases and conditions: consensus report of workgroup 4 of the 2017 World Workshop on the Classifi cation of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S286-S91.
5. Renvert S, Persson GR, Pirih FQ, Camargo PM. Peri-implant health, peri-implant mucositis, and peri-implantitis: case defi nitions and diagnostic considerations. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S278-S85.
6. Araujo MG, Lindhe J. Peri-implant health. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S230-S6.
7. Heitz-Mayfi eld LJA, Salvi GE. Peri-implant mucositis. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S237-S45.
8. Schwarz F, Derks J, Monje A, Wang HL. Peri-implantitis. J Clin Periodontol 2018;45(suppl.20):S246-S66.



 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 


Colaboração:

Guilherme José Pimentel Lopes de Oliveira

Professor adjunto de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

 

 

 

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