Publicado em: 26/09/2018 às 15h30

(Re) evoluções da RAPG

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior apresenta caso clínico em que a técnica possibilitou a regeneração de altura e espessura óssea.

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Através da técnica de reconstrução alveolar proteticamente guiada (RAPG) foi possível regenerar 12 mm de altura e de espessura óssea onde não havia osso algum, na região do segundo molar superior, sem a necessidade de enxertos, retalhos e membranas (Figuras 1 a 4).

Figura 1 – Imagem panorâmica pré-operatória da região do 17.

 

Figura 2 – Corte parassagital mostrando a ausência de osso na vestibular e palatina.

 

Figura 3 – Imagem panorâmica após a RAPG da região do 17.

 

Figura 4 – Visão do corte parassagital, mostrando a formação de um rebordo com 12,55 mm de altura e 12 mm de espessura bucolingual.


Buscando com o Dr. Luiz Dantas formas para minimizar a perda de volume tecidual, especialmente pela vestibular, concluímos que seria importante aumentar a dimensão da porção mais apical do pôntico durante a cirurgia. Isso porque, ao prepararmos no modelo o nicho subgengival de 3 mm (Figuras 5 a 7), a dimensão vestibulopalatina da provisória na região mais apical (7,42 mm), Figura 8, geralmente fica menor do que a do dente, medida na tomografia (terço cervical da raiz, com 10 mm), Figura 2.

Figuras 5 – A. Modelo de estudo inicial do paciente. B. Modelo de trabalho com o dente 17 já removido e o nicho de 3 mm subgengival já preparado para confecção de provisória para RAPG, respeitando as margens gengivais originais.

 

Figura 6 – Provisória recebida do laboratório com a extensão subgengival de 3 mm.

 

Figura 7 – Preparo da concavidade com 1 mm de altura e de profundidade no milímetro subgengival intermediário, feita com com broca de 0,5 mm de diâmetro.

 

Figura 8 – Medição da distância vestibulopalatina (7,42 mm) da porção mais apical da provisória.

 

Neste caso, se as medidas não forem iguais, ao final do tratamento haverá perda de volume tecidual, quando comparado com a dimensão do rebordo antes da extração. Se desgastássemos mais o modelo, para alcançarmos a medida observada na tomografia, perderíamos a posição original das margens gengivais no modelo, perdendo a referência do diâmetro do provisório na região.

A solução criada para esta situação foi simples: acrescentar resina flow fotopolimerizável (Figura 9) no terço mais apical da provisória, por vestibular, até atingir a dimensão aferida na tomografia durante a cirurgia (Figuras 10 e 11). É importante testar a prótese após a obtenção da medida desejada e antes de cimentá-la (Figura 12). Neste teste, se a margem gengival vestibular retrair ou ficar isquemiada, é sinal de que houve um acréscimo maior do que a dimensão vestibulopalatina da raiz e, portanto, a área deverá ser desgastada com broca de acabamento até não haver mais retração e/ou isquemia. Além desse cuidado, é importante examinar o paciente após uma semana, para que, caso haja alguma retração, seja feito um degaste na porção mais apical da prótese até a margem gengival retornar à posição original.

Figura 9 – Vista oclusal do dente 17.

 

Figura 10 – Exodontia do dente 17.

 

Figura 11 – Reembasamento da porção mais apical da provisória com resina flow fotopolimerizável.

 

Figura 12 – Vista vestibular após seis meses, mostrando a manutenção do arcabouço mucoso preservando as características originais (forma, volume e altura da margem) do dente extraído.

 

 

REFERÊNCIAS
1. Vidigal Jr. GM. Regeneração óssea sem enxerto e sem retalho. INPerio 2016;1(7):1432-3.
2. Vidigal Jr. GM. Reconstrução óssea e estética minimamente invasiva. INPerio 2016;1(8):1638-9.
3. Vidigal Jr. GM. Reconstrução alveolar proteticamente guiada. INPerio 2017;2(1):166-7.
4. Vidigal Jr. GM. Reconstrução alveolar proteticamente guiada: onde podemos chegar. INPerio 2017;2(6):994-5.
5. Vidigal Jr. GM. Reconstrução alveolar proteticamente guiada: onde podemos chegar. Parte 2. INPerio 2018;3(1):158-9.
6. Vidigal Jr. GM. Cicatrizadores personalizados para a RAPG. INPerio 2018;3(2):340-2.
7. Vidigal Jr. GM, Dantas LRF, Groisman M, Silva Jr. LCM. Instalação de implantes imediatamente após a exodontia em áreas estéticas. São Paulo: VM Cultural Editora, 2016, p.39.


 

Guaracilei Maciel Vidigal Júnior

Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ; Livre-docente em Periodontia e especialista em Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutorando em Periodontia e professor adjunto – Uerj.

 

 

 

 

 

 

 

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