Publicado em: 28/11/2018 às 08h40

Abross 2018: os novos caminhos da Reabilitação Oral com implantes

Em três dias, encontro reuniu mais de 1.500 participantes e contou com grandes nomes da Implantodontia.

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Abross 2018 reuniu mais de 1.500 profissionais da Reabilitação Oral com implantes. (Fotos: Panóptica Multimídia)

 

Sob o tema “Implantodontia Digital: produtividade e conforto para todos”, o XIII Encontro Internacional da Academia Brasileira de Osseointegração – Abross 2018 proporcionou uma reflexão sobre como as novas tecnologias estão efetivamente mudando a forma de reabilitar os pacientes.

Promovido pela Abross e realizado pela VMCom, o encontro aconteceu entre os dias 4 e 6 de outubro, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, e reuniu mais de 1.500 profissionais da área de Reabilitação Oral com implantes, que vieram de 25 estados brasileiros e de três países diferentes.

Através de cursos de imersão, módulos temáticos e atividades no formato Corporate Session, os participantes foram apresentados aos diversos caminhos que a Implantodontia deve seguir nos próximos anos. Além do time de professores brasileiros que colocam a Implantodontia nacional entre as mais importantes do mundo, o evento também contou com os convidados internacionais David Garber (Estados Unidos), Markus Blatz (Estados Unidos), Howard Gluckman (África do Sul) e Mauro Fradeani (Itália). “A grade científica desta edição estava fantástica e teve como parâmetro os melhores congressos internacionais da especialidade. O objetivo é guiar o especialista para um novo caminho, para o que há de mais moderno e atual”, aponta Sérgio Jayme, presidente do Abross 2018.

Os mais recentes tipos de tratamentos, terapias e procedimentos clínicos e estéticos, além de como a tecnologia tem transformado o contexto da especialidade foram amplamente discutidos. “O Abross, a cada ano que passa, fica mais especializado. Ele acrescenta muito à prática clínica diária”, destaca Jamil Shibli, presidente da Comissão Científica.

Outro ponto alto do encontro foi a ExpoAbross, que registrou uma grande movimentação ao longo de seus três dias. As mais de 50 empresas participantes atraíram a atenção do público com palestras e demonstrações de produtos e serviços. “O encontro atingiu todas as nossas expectativas. A feira comercial teve todos os espaços preenchidos por empresas que acreditaram na nossa iniciativa. Na programação científica, trouxemos nomes reconhecidos mundialmente. Isso certamente coroou e transformou esta edição em um grande evento”, acredita Paulo Ramalho, presidente do Abross.

A seguir, confira os pontos de destaque da programação científica.

 

CURSOS INTERNACIONAIS

Implante unitário em área estética

David Garber (Estados Unidos) relembrou que há 20 anos frequenta eventos de Implantodontia no Brasil e sempre se surpreende com a qualidade crescente dos profissionais daqui. Em sua aula, ele fez uma revisitação das indicações dos implantes porque, após 30 anos de atuação, está muito crítico quanto ao prognóstico em relação à longevidade da estética.

Dentro dessa linha, Garber citou a crescente utilização da técnica de extração dental parcial – ou PET, do termo em inglês partial extraction technique – como recurso para manutenção da estética no longo prazo. Hoje, o professor busca a solução de forma mais conservadora, aplicando conhecimento da biologia da reparação tecidual. Ele enfatizou o impacto do crescimento craniofacial dos adultos na manutenção da harmonia estética dos tratamentos realizados com implantes entre dentes. Outro ponto discutido foi a preferência atual por restaurações protéticas parafusadas, e não cimentadas. De modo geral, ele manteve um tom muito conservador, tanto nas indicações de tratamentos como nas técnicas cirúrgicas e protéticas apresentadas.
 

Evolução da cerâmica na Implantodontia Estética

De forma simples, objetiva e lúdica, Markus Blatz (Estados Unidos) dividiu seu enorme conhecimento clínico e científico sobre os diferentes materiais e sua usabilidade na Odontologia. Englobando aspectos estéticos e conceitos biológicos e mecânicos, ele apresentou uma árvore de decisões clínicas para diferentes situações. Com viés acadêmico, esclareceu os princípios básicos que definem a escolha de materiais e técnicas reconstrutivas. O foco nos aspectos biológicos é somado à possibilidade de resultados estéticos que vão ao encontro das necessidades clínicas e sociais de cada paciente.

Ainda, foram parâmetros de seleção dos materiais as características relacionadas à aderência do biofilme bacteriano dental, resistência e adesividade. Os fatores relacionados a cada paciente, como substrato, estrutura remanescente e fatores modificadores da adesividade ou retenção, também foram abordados por Blatz, que deixou claro que tais decisões são importantes para a longevidade e estabilidade dos resultados clínicos. Em conclusão, ele aponta os detalhes e aspectos técnicos inerentes a cada material, assim como a correta indicação de cada um, pensando no bem-estar dos pacientes.
 

Extrações parciais e criação de tecido mole em torno do implante

O professor Howard Gluckman (África do Sul) dividiu a aula em duas partes. Na primeira, comentou sobre as terapias de extração parcial para manter a placa óssea bucal e, portanto, evitar o colapso do osso alveolar, criando uma plataforma para tecidos moles e ossos ideais – o que é estável a longo prazo.

Dessa forma, mostrou as diferentes opções em relação ao implante imediato, bem como o passo a passo das terapias de extração parcial mais avançadas.

Na segunda parte, focou em como lidar com a questão dos tecidos moles para reduzir a necessidade de cirurgia corretiva em uma etapa posterior e melhorando a taxa de sucesso e a aceitação dos pacientes. Assim, Gluckman apresentou uma série de técnicas para maximizar os resultados dos tecidos moles, tanto para casos funcionais quanto estéticos.
 

Desafios estéticos e funcionais em dentição comprometida

Mauro Fradeani (Itália) iniciou falando sobre o passo a passo do procedimento de reabilitação extensa, no qual são necessárias análise estética e funcional, comunicação com o laboratório, mock-up e provisórios, integração biológica dente/implante e muita atenção do provisório até a prótese definitiva. Ele mostrou ser fundamental a análise facial, dentolabial, fonética, dental e gengival, que são questões não valorizadas pelo dentista, mas essenciais para a parte protética e na obtenção de uma boa estética. Ele exibiu um caso com 12 anos de acompanhamento com implantes e osseointegração perfeitos, mas com problemas no tecido e na prótese.

O professor explicou sobre compensação cirúrgica e protética (muito relacionada à posição incisal dos dentes) e mostrou uma dentição comprometida, onde são necessários o balanço e o bom senso entre estética e função, envolvendo dimensão vertical, oclusão cêntrica, postura cêntrica adaptada e balanço anterior.

Por fim, ele falou sobre um aplicativo disponível para iOS que faz toda a coleta dos dados, diagnóstico e plano de tratamento, além de ajudar na formulação do plano de tratamento, na comunicação entre especialistas e laboratório, e auxiliar na explicação para o paciente, já que todo o conteúdo pode ser enviado via PDF para qualquer pessoa.

 

CURSOS DE IMERSÃO NACIONAIS
 

Planejamento e soluções em casos complexos

Ao discutir esse tema, Sérgio J. Jayme dividiu a apresentação em duas partes: primeiro citou situações complexas na maxila e, posteriormente, relatou casos complexos na mandíbula. Ele explanou de maneira clara e objetiva, prevendo a utilização de biomateriais de última geração, como proteínas morfogenéticas, RhBMP2, L-PRF, I-PRF, Bio-Oss, e equipamentos cirúrgicos de ponta, como o piezoelétrico.

O professor apresentou inúmeros casos em grau crescente de complexidade, com diversas técnicas cirúrgicas associadas a biomateriais e equipamentos. Também demonstrou incisões a distância, empregando a técnica para proteção das áreas enxertadas, e compartilhou técnicas e “truques” de sutura como forma de prevenção das deiscências, utilizando fios adequados a cada procedimento cirúrgico e ao biótipo gengival.

Em sua abordagem, elencou inúmeras novidades com o uso de diversos biomateriais e as tendências do futuro com as proteínas morfogenéticas e suas possíveis evoluções.
 

Reconstruções alveolares minimamente invasivas

Julio C. Joly apresentou uma árvore de decisões de tratamento em região estética, principalmente focada em reconstruções teciduais, com uma abrangência sobre as principais técnicas, materiais e biomateriais utilizados na atualidade. Ele fez uma ampla discussão a respeito da reconstrução tecidual em dentes anteriores, além de mostrar os diferentes usos de membranas absorvíveis, variadas técnicas de reconstrução tecidual e de enxertos teciduais, e ainda finalizações protéticas. Foi uma apresentação bem embasada cientificamente, esclarecedora e com resultados fantásticos.
 

Desafio estéticos com implantes

O tratamento reabilitador com implantes na região anterior se tornou uma das situações mais desafiadoras na atualidade.

Com uma abordagem clara e minuciosa, Diego Klee de Vasconcellos discorreu sobre todos os pré-requisitos necessários para alcançar resultados previsíveis, desde a seleção do implante (design, superfície, conexão protética e pilar protético), com preferência ao implante cone-morse; cirurgias minimamente traumáticas; posicionamento tridimensional do implante; preenchimento do microgap; e provisionalização imediata (contorno crítico e subcrítico) para manutenção da arquitetura peri-implantar.

Quando possível, preconiza o conceito one abutment at on time (não remoção de pilares colocados no momento da cirurgia), conferindo maior estabilidade aos tecidos peri-implantares.

Ainda, abordou a tecnologia CAD/CAM, todas as características da zircônia, cerâmicas, técnicas de cimentação e finalizou a apresentação falando sobre os tons de cinza para atribuir o “valor” da cor (composto por três dimensões, representadas por matiz, croma e valor).
 

Integração de princípios restauradores e protéticos

A aula começou com Marcelo Calamita mostrando as ferramentas digitais para o desenho do sorriso e a confecção dos mais diversos tipos de laminados, coroas e próteses que são uma realidade na clínica atual. Ele ainda apresentou novos hardwares e softwares que contribuem para aumentar a consistência e previsibilidade dos trabalhos, sendo capazes de incorporar parâmetros funcionais e biológicos ao projeto restaurador estético com alta precisão. De maneira independente, Calamita discutiu as indicações e vantagens da Odontologia Digital, demonstrando um protocolo sistemático de trabalho para otimizar os resultados clínicos. Na segunda parte da aula, José Carlos Garofalo ressaltou aspectos fundamentais da Prótese clássica e da Odontologia Restauradora moderna que precisam ser considerados desde o momento do planejamento até o ajuste final dos trabalhos. Ele explorou muito bem as características dos cimentos, adesivos e técnicas de cimentação, e finalizou demonstrando um excelente caso clínico que materializou todo o conteúdo apresentado.

 

MESAS-REDONDAS

Manter o dente ou fazer um implante?

Além de moderadora, Adriana Marcantonio também foi a primeira a se apresentar e discorreu sobre colocar ou não implantes, em casos de defeitos periodontais e defeitos intraósseos. Visou demonstrar quais são os limites para o tratamento desse tipo de defeito, para partir ou não para a colocação de implantes. Giuseppe Romito destacou os desafios da manutenção periodontal e peri-implantar, sua importância para restituir a saúde periodontal e peri-implantar, e o comprometimento do paciente e do profissional em relação a isso.

Arthur Belém Novaes Jr. falou sobre as características dos defeitos de rebordo alveolar e quando restituir esses rebordos para que seja colocado implante de maneira funcional e estética. Por último, Gil Alcoforado de Portugal e presidente do EAO 2019 em Lisboa, trouxe um embasamento científico muito interessante, demonstrando vários casos de acompanhamentos longitudinais de mais de dez, 15 e 20 anos, ressaltando a importância da manutenção longitudinal dos pacientes para manter o dente.
 

Odontologia Digital

Coordenada por Fabio Bezerra, a mesa-redonda contou com a apresentação dos professores Mário Groissman e Diego Zimmermann, que demonstraram as principais novidades relacionadas à reabilitação com implantes quando novas tecnologias para planejamento, cirurgia e prótese – como tomografias, scanners, softwares, CAD/CAM – são incorporadas aos conhecimentos técnicos convencionais. Ambos concordaram que a prática da Odontologia Digital de excelência passa pelo respeito a conhecimentos biológicos, estabelecimento de plano de tratamento detalhado e individualizado, além de um enfoque interdisciplinar para a obtenção de altos níveis de previsibilidade e sucesso clínico.

Os ministradores demonstraram as diferentes etapas do fluxo de trabalho digital, partindo da aquisição de imagens digitais, obtenção de modelos digitais, diferentes softwares para o planejamento reabilitador e produção de guias cirúrgicos utilizando impressoras 3D – tudo ricamente ilustrado com casos clínicos com diferentes níveis de complexidade. Eles ainda falaram sobre as limitações atuais, como a necessidade de procedimentos extremamente precisos para alcançar resultados, investimento em conhecimento, técnicas e tecnologias, além de limitações em relação a alguns produtos que ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro. Como conclusão, ficou a mensagem de que a Odontologia Digital já é uma realidade e que deve ser entendida como um novo meio para a realização de tratamentos cada vez mais previsíveis e para um número crescente de pacientes.
 

Peri-implantite: remover ou tratar?

Os professores Marco Aurélio Bianchini, Irfan Abas (Holanda), Elcio Marcantonio Jr. e Fernando Duarte (Portugal) fizeram uma ampla abordagem sobre a peri-implantite, destacando os fatores de risco, os diferentes protocolos de tratamento e o custo-benefício entre tratar e remover o implante. Moderados por Jamil Shibli, os quatro ministradores tiveram a mesma linha de raciocínio, o que mostra a homogeneidade de pensamento e a dificuldade em tratar a peri-implantite.

Todos concordaram que a intenção é evitar a doença por meio do controle frequente e do comprometimento do paciente. Mas, quando isso não for possível, é importante tratar da maneira mais efetiva disponível atualmente, que ainda é aquela baseada nos preceitos da Periodontia. Isso é uma vantagem e, ao mesmo tempo, uma desvantagem porque a anatomia e a configuração fisiológica e biológica do implante são diferentes do dente.
 

Agradecimento aos coordenadores Alberto Blay, Adriana Marcantonio, Eduardo Groisman, Fabio Bezerra, Samy Tunchel, Jamil Shibli, João Paulo de Bortoli, Jacqueline Callejas, Thayane Furtado, Sidney Watinaga e Ulisses Dayube, pela colaboração na preparação desse material.
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