Publicado em: 28/11/2018 às 08h51

Cinco perguntas para José Vitor Quinelli Mazaro

Professor fala sobre a integração Perio-Prótese-Implante, laminados cerâmicos, tecnologia e Ciência.

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José Vitor Quinelli Mazaro procura apresentar aos alunos os benefícios da Ciência na Odontologia.


Por João de Andrade Neto


O professor José Vitor Quinelli Mazaro é docente no Depto. de Materiais Odontológicos e Prótese, disciplina de Prótese Parcial Fixa, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (Unesp). Adepto da Odontologia multidisciplinar, Mazaro destaca os benefícios que a Ciência vem trazendo para o desenvolvimento da especialidade.
 

1. Como foi a sua trajetória até chegar ao momento atual de sua carreira?

Minha graduação na Faculdade de Odontologia de Araçatuba (Unesp) foi em 2002. No ano seguinte, iniciei a pós-graduação lato sensu em Prótese Dentária e, nos anos subsequentes, fiz a pós-graduação stricto sensu nível mestrado e doutorado na mesma instituição que me formei. Durante esses anos, sempre conciliei cursos em outras áreas para complementar minha formação. Assim, tive uma visão mais abrangente e pude correlacionar as atividades clínicas na faculdade e os estudos científicos realizados na pós-graduação. Usei esse tempo para estudar e me aprofundar nas áreas de Periodontia, Implantodontia e Reabilitação Oral. Em 2009, iniciei a atividade acadêmica como docente no Depto. de Materiais Odontológicos e Prótese, disciplina de Prótese Parcial Fixa, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba (Unesp). Desde então, procuro desenvolver e apresentar aos alunos todos os benefícios que a Ciência traz para a Odontologia nos dias atuais, com muito esmero, dedicação e empenho.
 

2. Como você vê a integração Perio-Prótese-Implante? O que mudou no ensino para os alunos?

No meu ponto de vista, a interação Perio-Prótese-Implante é essencial para resultados de excelência e previsíveis a longo prazo em Implantodontia. Por muitos anos, tais especialidades caminharam um tanto quanto separadas no ensino aos alunos. A percepção da relação multidisciplinar à docência mostrou a capacidade do aluno em promover os planejamentos reversos em Implantodontia através da interação Prótese-Implante, bem como a previsibilidade dos resultados por planejamentos mais cautelosos e seguros em Implantodontia. Nos últimos anos, os trabalhos científicos revelaram também a importância da Periodontia aplicada à Implantodontia. A Perioimplantodontia apresentou um novo campo para as abordagens terapêuticas em Implantodontia, sempre visando a melhora das condições de tecido mole através de técnicas de manipulação tecidual, priorizando resultados de excelência estética e, principalmente, maior previsibilidade peri-implantar nas reabilitações envolvendo implantes osseointegrados.
 

3. Laminados cerâmicos: qual é a sua filosofia?

A Odontologia Restauradora sofreu várias mudanças conceituais nos últimos anos. Tais mudanças estão ligadas à evolução tecnológica de manufatura e processamento dos materiais, aliadas à evolução científica visando o aprimoramento de técnicas e materiais aplicados. Assim sendo, atualmente praticamos uma Odontologia Restauradora mais conservadora, baseada nos princípios da Reabilitação Oral adesiva. Os estudos de biomimética e fundamentação adesiva, somados à evolução dos materiais cerâmicos, possibilitaram a execução de restaurações cerâmicas tipo laminados ou microlâminas com espessura controlada. Elas são oriundas de uma filosofia de controle total da quantidade de desgaste a ser executado no elemento dental, almejando tratamentos menos invasivos quando comparados com as abordagens do passado. Isso possibilita a execução de preparos, em sua maioria, no nível do esmalte, priorizando a estrutura dentária e otimizando os resultados através de materiais cerâmicos que podem ser confeccionados a uma espessura reduzida. Tais restaurações cerâmicas, uma vez submetidas à cimentação adesiva, incorporam os princípios da biomimética, aumentando sua resistência flexural e trazendo resultados duradouros a longo prazo.
 

4. O que o professor de Odontologia do século 21 precisa ter para conquistar a nova geração?

A nova geração de aprendizes tem facilidade de obter informação através das tecnologias disponíveis, despertando sempre a curiosidade pelo novo ou inusitado. Decorrente deste processo, percebemos a ausência de aprofundamento de conteúdo mediante a coleta de dados superficiais e de fácil acesso para os jovens estudantes. Contudo, o professor de Odontologia do século 21 deve entender tal dinâmica para ministrar o conteúdo necessário de forma a superar a expectativa dos alunos, seja através de recursos tecnológicos ou até mesmo formatos didático-pedagógicos que ultrapassem a barreira das aulas formais, cansativas e monótonas. Nós, docentes, devemos aproveitar esse dinamismo e fluidez de raciocínio da nova geração para sedimentar conceitos sólidos de maneira atraente.
 

5. Hoje, se você tivesse a chance de recomeçar sua caminhada na Odontologia, faria algo diferente?

Ao olhar para trás, pude perceber que as minhas decisões sempre foram tomadas com muito amor à profissão. No início, eu fazia cursos ou abraçava as oportunidades por intuição, ou até mesmo porque gostava do aspecto multidisciplinar que a Odontologia me proporcionava. Minhas metas e meus cursos de formação não pareciam ter ligação. Queria cursar tudo, em diferentes áreas, o que talvez demonstrasse o quanto eu gostava da Odontologia multidisciplinar. Mas, também poderia parecer que eu estava perdido em minhas decisões. Se no início da minha carreira parecia não haver conexão entre as diferentes áreas dos cursos escolhidos, posteriormente notei que tudo valeu a pena, tudo se conectou e me proporcionou uma visão abrangente da profissão. Quando olho para trás, noto que não faria diferente. Finalizo com um pensamento de Steve Jobs: “Você nunca conseguirá conectar os pontos olhando para frente. Você sempre poderá conectá-los olhando para trás”. Sendo assim, seja faminto pela informação, seja ousado e seja intuitivo nas suas ações. No futuro, você verá os resultados e, certamente, colherá os frutos.

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