Publicado em: 28/11/2018 às 08h55

Vale a pena apostar em financiamentos para aquisição de equipamentos?

Na ponta do lápis: diante do alto custo para adquirir novas tecnologias para o consultório, três especialistas analisam o assunto.

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Por Andressa Trindade


Se o seu objetivo é crescer, invista. Se a sua meta é se manter no mercado como um bom profissional, atualize-se. Esse “mantra” vale tanto para o desenvolvimento acadêmico quanto da clínica.

“A renovação da estrutura física deve ser perene, provisionando mensalmente uma reserva para isso. Quando a necessidade de investimento for maior do que os recursos disponíveis e essa defasagem representar perda de mercado e conversão das avaliações em tratamentos, é hora de investir e, se for o caso, financiar”, explica Alan Binotto, cirurgião-dentista, especialista em gestão empresarial e sócio consultor da Business & Dental, de Santa Maria (RS).
 

Passo 1: onde aplicar o investimento

Antes de partir para o financiamento, é preciso diagnosticar quais são as prioridades. “Sem dúvida, os equipamentos de profilaxia e terapia ultrassônica geram mais produtividade para os cirurgiões-dentistas e potencializam o conforto do paciente. No caso dos implantodontistas, motores de alta tecnologia e contra-ângulos leves e precisos podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de procedimentos cada vez mais delicados e menos invasivos”, detalha Walter Borba Junior, cirurgião-dentista especializado em Finanças e Mercado de Capitais, de Recife (PE).

Para os profissionais que atuam na área de Prótese Dentária, João Carlos Natal, consultor do Sebrae SP, recomenda avaliar o investimento no sistema CAD/CAM, que reduz os custos da moldagem e simplifica o fluxo de trabalho, agilizando a comunicação entre o dentista e o laboratório.

Para facilitar esse mapeamento, Binotto sugere pensar sobre os equipamentos com elevado custo médio, como motores de implantes, contra-ângulos, kits multimídia e equipamentos de diagnóstico, como raio X digital, que otimizam a comunicação com o paciente e agregam muito valor ao serviço prestado.
 

Passo 2: planejamento

É importante se organizar antes de partir para as negociações. “Efetue um planejamento financeiro e responda a pergunta: você sabe exatamente de quanto o seu consultório necessita? Então, primeiro verifique se há saldo de fluxo de caixa para o investimento e, segundo, simule no fluxo de caixa o valor de prestação que melhor se adequa ao seu orçamento”, explica o consultor do Sebrae SP.

A pesquisa é outro fator-chave para obter sucesso na transação financeira. “O financiamento é um investimento que precisa valer a pena, pois tem que se pagar. Negocie com o fornecedor, desde um desconto especial até um valor ideal de parcela (que deve ser paga pelo novo incremento de receita gerada pelo próprio investimento). Também estude bastante as opções oferecidas pelas instituições financeiras”, detalha Binotto.
 

Passo 3: estudar as propostas

É importante comparar as condições oferecidas pelas instituições financeiras, como bancos, cooperativas de crédito e cooperativas de créditos classistas. Além disso, vale olhar com atenção as oportunidades mais convencionais, como os bancos públicos, que costumam oferecer uma linha de crédito subsidiada com capital proveniente do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), conhecida como Proger. “Nesse tipo de financiamento, a taxa de juros é mais amigável e existe carência para o início da amortização do empréstimo, a fim de dar prazo para a maturação do investimento e início da capitalização”, acrescenta Borba Junior.

Outra possibilidade é o financiamento diretamente com o fabricante ou varejista do equipamento adquirido, que geralmente oferece condições especiais, porém com prazo mais curto para pagamento.
 

Passo 4: negociar e se adequar

Quem não tem intimidade com o “economês” pode ficar perdido com tantas possibilidades. Por isso, essa etapa exige tempo e concentração. O primeiro passo é analisar o quanto você pode e está disposto a dar como valor de entrada. Isso porque quanto menor for o montante financiado, menor será a despesa financeira (juros pagos pelo empréstimo) e o número de parcelas.

Alan Binotto exemplifica: “Ao financiar R$ 30 mil com juros de 1,5% ao mês, em um prazo de 60 meses, optando por parcelas fixas sem entrada, a parcela mensal será de R$ 761,80. Logo, o total pago será R$ 47.231. Dessa forma, R$ 17.231 será o valor dos juros (ou R$ 231 ao mês). Em outro cenário, ao dar entrada de 30% (R$ 9 mil), o valor financiado é de R$ 21 mil. Parcelando da mesma forma, as prestações seriam de R$ 533 e, ao final, chegaria ao valor pago de R$ 31.980, sendo R$ 10.980 de juros (ou R$ 183 mensais)”.

Embora matematicamente o financiamento seja a melhor opção, é fundamental levar em consideração outras variáveis. Não é aconselhável, por exemplo, descapitalizar-se completamente, por conta do capital de giro e de possíveis imprevistos. “Sempre verifique se a decisão tomada não afetará as finanças do consultório. Muitas vezes, não é viável dispor do valor de entrada, mas, se ao longo do tempo você conseguir antecipar o pagamento das parcelas, haverá redução dos juros pagos”, observa o consultor financeiro do Sebrae SP.
 

Passo 5: cuidados ao assinar o contrato

Observe atentamente o prazo da dívida e o custo efetivo total (CET). Neste momento, deve-se reavaliar as opções sugeridas, as taxas embutidas, o juro efetivo total e solicitar simulações para facilitar o entendimento do que de fato será pago em relação ao valor alavancado.
 

Passo 6: manutenção da saúde financeira do consultório

Os três especialistas dão algumas dicas sobre como manter as contas em dia enquanto as parcelas do financiamento fazem parte do fluxo de caixa:

1. Evite manter estoque, pois é dinheiro parado. As compras e entregas estão muito ágeis, não há necessidade de um grande contingente;

2. Programe-se. Revise as necessidades e demandas agendadas para não deixar de realizar ou adiar atendimentos por falta de material. Faça o mesmo em relação às compras de urgência com custo maior;

3. Evite as “paixões” por um determinado equipamento ou marca. Foque no retorno financeiro que o novo aporte irá trazer ao seu negócio e à sua carreira;

4. Apenas 20% dos dentistas sabem quanto ganham e gastam por mês. Anote, revise e estude as contas. Você ficará surpreso com as oportunidades de gastar menos e ganhar mais;

5. Multiplique por 12 todas as possibilidades de economia. Aqueles R$ 500 podem significar R$ 6 mil no final do ano.
 

Não deu certo o financiamento? Há outros caminhos

Segundo Alan Binotto, uma alternativa é unir força com outros colegas para aumentar a quantidade da compra e, assim, fortalecer o poder de negociação. Borba Junior lembra que o crescimento e o aprimoramento do negócio também podem surgir com a incorporação de novos sócios, que ainda agregam capital financeiro e humano ao empreendimento.

Na opinião de João Carlos Natal, é possível somar força aos serviços prestados utilizando uma rede de dentistas parceiros. “Quando os serviços ou especialidades se complementam, não se perde o paciente por não colocar à disposição dele um tratamento completo”, finaliza.

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