Publicado em: 28/11/2018 às 09h11

Palavra-chave: enxertos gengivais

Elcio Marcantonio Jr. e Fausto Frizzera debatem tipos, aplicações, vantagens e desvantagens de cada enxerto.

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Quais os tipos de enxertos gengivais?

Os enxertos gengivais são classificados de acordo com sua origem em autógenos, homógenos ou heterógenos. Os autógenos podem ser removidos do palato duro, rebordo ou tuberosidade da maxila, e a composição do enxerto é de tecido epitélio-conjuntivo ou apenas de tecido conjuntivo subepitelial. Os enxertos homógenos (Alloderm, Puros) são oriundos da pele humana de doadores de tecido, sendo denominada matriz dérmica acelular. Já os enxertos heterógenos (Mucograft e Mucoderm) possuem origem suína e consistem em uma matriz tridimensional de colágeno que permite sua estabilização e a criação de novo tecido1.

Qual é a aplicação dos enxertos gengivais?

Eles podem ser utilizados em dentes, implantes ou rebordos e têm indicação ampla:

- Aumentar a faixa de gengiva inserida;

- Selar alvéolos de extração;

- Recobrir a superfície de raízes ou implantes;

- Aumentar o volume do tecido mole.


Como escolher o enxerto que será utilizado?

Atualmente, os enxertos autógenos são considerados o padrão-ouro para o tratamento de defeitos mucogengivais em dentes e implantes, pois apresentam alto índice de estabilidade de resultados2. Os enxertos de epitélio-conjuntivo estão indicados em cirurgias para aumento da faixa de gengiva inserida em áreas não estéticas e para selamento de alvéolos, quando o aumento dessa faixa também é necessário. O enxerto de tecido conjuntivo subepitelial possui uma vasta gama de aplicações, podendo ser utilizado em todos os tratamentos relatados na pergunta anterior. As desvantagens desses enxertos estão relacionadas à morbidade, necessidade de uma segunda área cirúrgica, quantidade limitada de tecido doador, aumento do tempo cirúrgico e de complicações, quando comparados aos substitutos de tecido mole (enxertos homógenos e heterógenos).


Com tantas desvantagens dos enxertos autógenos, posso utilizar os enxertos de origem homógena ou heterógena?

Sim. Esses enxertos devem ser devidamente indicados a depender da quantidade/qualidade de tecido gengival existente. O enxerto homógeno (matriz dérmica acelular) é indicado para o tratamento de recessões gengivais em pacientes com biotipo espesso, devendo ser completamente recoberto pelo retalho para permitir melhores resultados3. Entretanto, a comercialização de enxertos humanos no Brasil é proibida pela Constituição Federal de 1988, o que impossibilita sua utilização legal no País. Os enxertos heterógenos (matriz tridimensional de colágeno) podem ser empregados para o selamento de alvéolos, tratamento de recessões gengivais em pacientes com biotipo intermediário ou espesso e para aumento da faixa de gengiva inserida quando o leito receptor apresentar pelo menos 2 mm de gengiva queratinizada4. Essa matriz tridimensional está indicada para o aumento da faixa de gengiva inserida em áreas estéticas por apresentar melhor coloração, contraste e textura, quando comparada ao tecido adjacente. Na ausência dos milímetros necessários de gengiva queratinizada, o enxerto heterógeno pode ser combinado ao autógeno posicionado na porção mais apical do leito doador5.


E para aumento da espessura tecidual, posso indicar algum substituto de tecido mole?

Atualmente, no Brasil, ainda não há liberação para utilizar/comercializar substituto de tecido mole que permita o aumento de volume tecidual. A Fibro-Gide já foi testada em estudos pré-clínicos e clínicos, mostrando resultados promissores6. Como os demais substitutos de tecido mole não permitem o aumento do volume tecidual, o enxerto de escolha continua sendo o de origem autógena. Técnicas apropriadas e minimamente invasivas devem ser empregadas para minimizar o desconforto pós-operatório na área doadora, assim como a utilização de dispositivos para proteção da região e medicações que potencializem a sua cicatrização.
 

REFERÊNCIAS
1. Jepsen K, Jepsen S, Zucchelli G, Stefanini M, de Sanctis M, Baldini N et al. Treatment of gingival recession defects with a coronally advanced flap and a xenogeneic collagen matrix: a multicenter randomized clinical trial. J Clin Periodontol 2013;40:82-9.
2. Zuhr O, Rebele SF, Schneider D, Jung RE, Hürzeler MB. Tunnel technique with connective tissue graft versus coronally advanced flap with enamel matrix derivative for root coverage: a RCT using 3D digital measuring methods. Part I. Clinical and patient-centred outcomes. J Clin Periodontol 2014;41(6):582-92 (DOI: 10.1111/jcpe.12178). Epub 2013 Nov 10.
3. Cairo F. Periodontal plastic surgery of gingival recessions at single and multiple teeth. Periodontol 2000 2017;75(1):296-316 (DOI: 10.1111/prd.12186).
4. Sanz M, Lorenzo R, Aranda JJ, Martin C, Orsini M. Clinical evaluation of a new collagen matrix (Mucograft prototype) to enhance the width of keratinized tissue in patients with fixed prosthetic restorations: a randomized prospective clinical trial. J Clin Periodontol 2009;36(10):868-76 (DOI: 10.1111/j.1600-051X.2009.01460.x). Epub 2009 Aug 12.
5. Urban IA, Lozada JL, Nagy K, Sanz M. Treatment of severe mucogingival defects with a combination of strip gingival grafts and a xenogeneic collagen matrix: a prospective case series study. Int J Periodontics Restorative Dent 2015;35(3):345-53 (DOI: 10.11607/prd.2287).
6. Zeltner M, Jung RE, Hämmerle CH, Hüsler J, Thoma DS. Randomized controlled clinical study comparing a volume-stable collagen matrix to autogenous connective tissue grafts for soft tissue augmentation at implant sites: linear volumetric soft tissue changes up to 3 months. J Clin Periodontol 2017;44(4):446-453 (DOI: 10.1111/jcpe.12697). Epub 2017 Feb 11.

 

Elcio Marcantonio Junior

Professor titular das disciplinas de Periodontia e Implantodontia, e coordenador do curso de especialização em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.

 

 

 

 

 


Colaboração:

Fausto Frizzera Borges Filho

Especialista e mestre em Periodontia, e doutor em Implantodontia – FOAr/Unesp; Professor titular de Periodontia e Implantodontia – Faesa; Professor do aperfeiçoamento e da especialização em Implantodontia – ABO/ES.

 

 

 

 

 

 

 

 

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